Moisés tem data marcada para embarcar rumo à COP26; saiba o que já foi discutido

Governador de Santa Catarina irá participar do evento, em Glasgow, na Escócia, onde lideranças apresentam ações para conter as mudanças climáticas em todo o planeta

Redação ND Florianópolis

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O governador de Santa Catarina Carlos Moisés (sem partido) já tem data marcada para embarcar rumo à COP26 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), em Glasgow, Escócia.

De acordo com informações do governo do Estado, ele parte no próximo sábado (6) para participar da segunda semana do evento que ocorre desde segunda-feira (1º). Na agenda do governador está o reforço do compromisso de Santa Catarina com a redução de gases e a defesa de uma transição energética sustentável para as termelétricas a carvão.

Carlos Moisés irá participar da COP26, em Glasgow – Foto: Julio Cavalheiro/SecomCarlos Moisés irá participar da COP26, em Glasgow – Foto: Julio Cavalheiro/Secom

O retorno de Carlos Moisés ao Brasil será no dia 11 de novembro, um dia antes do fim do evento. A COP26 reúne mais de 100 lideranças mundiais para discutir as mudanças climáticas e os efeitos do aquecimento global.

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Uma reunião será realizada nesta quarta (3) para alinhar as pautas e metas que serão levantadas pelo governador.

A Secom informou que Moisés não embarcou junto à comitiva de governadores brasileiros porque “eles têm compromissos distintos”. No entanto, ainda não há confirmações sobre a agenda do governador na viagem.

O que já foi discutido na COP26

Lideranças brasileiras e de outros cem países se comprometeram nesta terça-feira (2) a parar e reverter o desmatamento até 2030.

Os países também defendem que ações e iniciativas que visem à proteção do meio ambiente sejam remuneradas, pois há um custo em manter a “floresta em pé”, dizem as lideranças.

Com o comprometimento de países a deter e reverter o desmatamento, medidas serão apoiadas por US$ 19 bilhões de fundos públicos e privados, que serão investidos na proteção e na restauração das florestas.

Países se comprometeram a parar e reverter desmatamento até 2030  – Foto: Ibama/Fotos PúblicasPaíses se comprometeram a parar e reverter desmatamento até 2030  – Foto: Ibama/Fotos Públicas

“Países que abarcam dos bosques setentrionais do Canadá e da Rússia às florestas tropicais de Brasil, Colômbia, Indonésia e República Democrática do Congo vão apoiar a Declaração dos Líderes de Glasgow sobre as florestas e o uso da terra”, antecipou em um comunicado na noite de segunda-feira (1º), o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson.

Esses países reúnem 85% das florestas do mundo, uma superfície de mais de 33,6 milhões de quilômetros quadrados, segundo o comunicado.

“Teremos a chance de encerrar a longa história da humanidade como conquistadora da natureza e, ao invés disso, nos tornarmos seus guardiões”, afirmou Johnson, que classificou o acordo como inédito.

Essas medidas serão apoiadas por um fundo de US$ 12 bilhões de dinheiro público, aportado por 12 países entre 2021 e 2025, além de US$ 7,2 bilhões de investimento privado de mais de 30 instituições financeiras mundiais.

O dinheiro deve apoiar principalmente atividades em países em desenvolvimento, como a restauração de terras degradadas, a luta contra os incêndios florestais e a defesa dos direitos das comunidades indígenas e povos originários.

Santa Catarina e as mudanças climáticas

O assunto que preocupa e mobiliza lideranças de todas as partes do mundo também pode ser sentido em Santa Catarina.

Eventos extremos como tornadoscalor intenso e enchentes tendem a ocorrer com mais frequência e intensidade, caso medidas efetivas não sejam tomadas, de acordo com alertas de cientistas.

Santa Catarina já vive de perto vários efeitos ingratos provocados pelas mudanças climáticas. Os próprios tornados, vistos recentemente no Estado, têm direta relação com as mudanças climáticas.

Santa Catarina teve três tornados em uma semana – FOTO: Piter ScheuerSanta Catarina teve três tornados em uma semana – FOTO: Piter Scheuer

“Uma das consequências do aquecimento do planeta é a mudança na dinâmica climática. O aumento de temperatura nos oceanos, na superfície, tem impacto no clima do planeta. E aí a consequência é a intensificação de fenômenos”, diz o professor da Univali (Universidade do Vale do Itajaí), Charles Alexandre de Souza Armada.

“Há uma tendência de aumento na frequência de eventos extremos no mundo todo. Ondas de calor, por exemplo, são eventos extremos, segundo a ciência. Estamos falando de um local que tem uma temperatura máxima de 30°C chegar aos 40°C. O planeta está acostumado a ter um evento de onda de calor intensa assim a cada 50 anos, isso é normal”, explica.

“O problema é que esses eventos tiveram um aumento de frequência e temperatura. Já não acontece mais uma vez a cada 50 anos, e sim uma vez a cada cinco anos. E se essa tendência de aumento de temperatura continuar, até o final do século teremos um evento extremo desse a cada ano. Como foi em agosto deste ano, com o Canadá com 50°C, a Itália com 48,6°C, a França com 48°C também”, complementa Charles Alexandre.

O profissional cita o último relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima), que apresenta projeções sobre as mudanças climáticas no mundo.

“Ele diz que se o aumento da temperatura do planeta se mantiver em 1,1°C, aumentam as chances de a gente ter esses tipos de eventos. No Acordo de Paris, os países concordaram em limitar o aumento da temperatura do planeta – em relação ao início do período industrial – em apenas 1,5°C até o final do século. Neste momento nós estamos com 1,1°C, e faltam 79 anos”, relata.

“O [ex-presidente dos Estados Unidos] Barack Obama falou, em um de seus discursos, que nós somos a primeira geração que tem a possibilidade de reverter esse quadro, das mudanças climáticas. E ele finaliza a declaração dizendo que nós somos a primeira e a última, porque se a gente não fizer as pessoas não vão ter o que fazer. É bem forte essa declaração”, conclui Charles Alexandre.

A COP26

A Conferência das Nações Unidas para a Mudança do Clima ocorre anualmente desde 1994. O evento faz parte da Convenção Quadro da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre Mudanças Climáticas.

Na COP26, realizada em 2021, a expectativa é para uma avaliação por parte dos líderes mundiais ao que foi feito desde o Acordo de Paris. O documento assinado na COP21, em 2015, tem o objetivo de evitar a mudança climática catastrófica do planeta.

Esta será a primeira avaliação das lideranças mundiais ao acordo, visto que a análise estava prevista para ser realizada cinco anos após a negociação, mas foi adiada de 2020 para 2021 por conta da pandemia da Covid-19.