Os moradores atingidos pelo rompimento na lagoa artificial da ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) da Lagoa da Conceição vão analisar as modificações feitas pela Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) no edital de credenciamento que trata do ressarcimento de danos. Um novo encontro está marcado para acontecer nesta quarta-feira (17) para ajustar ou deliberar em relação ao documento.
Tenda foi montada para encontro entre Casan e comunidade – Foto: Edio Helio Ramos/CMF/NDNesta segunda-feira (15), representantes da Casan e moradores estiveram reunidos na própria servidão Manoel Luiz Duarte. Uma tenda foi montada no local e o encontro teve a participação de sete vereadores que integram a comissão especial do Legislativo formada para acompanhar o caso.
A minuta do edital apresenta diversas mudanças em relação à publicação original, que originou insatisfação dos moradores atingidos.
SeguirUm dos impasses trata da cláusula de quitação geral, ainda presente do edital, mas alterada para contemplar exclusivamente a quitação de danos materiais.
Mesmo assim, a cláusula ainda suscita questionamentos dos moradores, porque há dificuldade de mesurar os danos materiais futuros provocados, principalmente, pela umidade.
Outra situação a ser avaliada é a instituição de uma comissão multidisciplinar para avaliar os danos nas residências. Ela seria composta apenas por técnicos de diversas áreas da companhia e não contemplaria representantes da comunidade.
Para legitimar uma comissão participativa, um processo administrativo e burocrático necessitaria ser aberto, levando até 60 dias para ser oficializado.
Uma alternativa também foi aberta pelo edital, com a possibilidade de os moradores optarem por perícia externa para avaliação do imóvel e ressarcimento posterior dos valores pagos com a contratação.
Porém, na prática, essa hipótese é considerada “impossível” na primeira avaliação dos moradores. “Fiz contato com quatro empresas, apenas uma poderia fazer o serviço, mas apenas na segunda quinzena de março. Além disso, é um serviço de alto custo”, conta a moradora Amanda Nicoleit, ao exemplificar que uma vizinha que teve a casa parcialmente atingida pagou R$ 3 mil pelo serviço. “Imagina uma casa que foi destruída ou totalmente atingida”, ressalta.
Por outro lado, o edital garante pagamento de renda emergencial para os atingidos, sem desconto na indenização final. A companhia se compromete a pagar, em cota única, um salário mínimo regional (R$ 1.467,00) a cada adulto atingido, meio salário (R$ 733,50) por adolescente e ¼ (R$ 366,75) por criança.
A verba se destina a ressarcimento de despesas de primeira necessidade, como transporte, combustíveis, roupas, remédios, alimentação e outras.
Além de ampliar as formas de comprovação dos bens e de lucros cessantes, a Casan manteve a garantia de um adiantamento emergencial de até R$ 10 mil, com o objetivo de facilitar o retorno dos atingidos às casas e começar a retomar a rotina, enquanto a avaliação dos prejuízos é levantada para posterior pagamento integral.
Ainda, segundo o edital, os processos administrativos abertos a partir do credenciamento do morador no edital tem prazo de 60 dias para serem concluídos, e o credenciamento está aberto até 31 de março para ser efetuado. A Casan se manifestou oficialmente sobre o encontro por release publicado no site da instituição.