Moradores protestam contra 3º embargo na obra da ponte da Lagoa da Conceição: ‘Deixe respirar’

Comunidade na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, é contra terceira paralisação da construção da nova ponte em três meses

Daniela Ceccon Florianópolis

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Moradores da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, realizaram um protesto na manhã deste sábado (29) contra a terceira paralisação em três meses nas obras da nova ponte da Lagoa. A manifestação foi organizada pela associação do bairro e busca chamar a atenção do MPF (Ministério Público Federal).

Moradores da Lagoa realizam protesto contra novo embargo em obras da ponte - Foto: AmoLagoa/Divulgação/NDMoradores do bairro protestam contra novo embargo em obras da ponte – Foto: AmoLagoa/Divulgação/ND

O pedido estava nos cartazes e também nas vozes dos moradores: “MPF, deixe a Lagoa respirar”, diziam os participantes da manifestação. A concentração do movimento começou às 9h da manhã, em frente ao canteiro de obras da nova ponte. Depois, o ato seguiu em caminhada, sem prejuízos ao trânsito, até o início da Avenida das Rendeiras, na antiga ponte. Ali, realizaram um “abraço” na Lagoa.

Moradores do bairro finalizaram o protesto com um abraço à região – Vídeo: AmoLagoa/Divulgação/ND

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O protesto é uma resposta da comunidade, por meio da AmoLagoa (Associação de Moradores do bairro), para uma mudança de entendimento, na última quarta-feira (26), onde o desembargador do TRF4, Marco Araújo dos Santos, decidiu ordenar que a construção seja paralisada novamente.

No recurso, o procurador Regional da República Carlos Copetti destacou que a obra é de grande porte, em área protegida pela legislação federal em vigor e por decisões judiciais em outras ações.

Segundo o MPF, ela representa um risco potencial de provocar novo colapso sistêmico na Lagoa da Conceição (perda da balneabilidade e mortalidade em massa de animais e plantas) e, por isso, jamais poderia ter sido autorizada sem licenciamento instruído com EIA, discussão de alternativas técnicas e locacionais e participação da sociedade, além de medidas de mitigação de impactos e de controle ambiental.

“A Lagoa quer a nova ponte”

Para o presidente da AmoLagoa, Kleber Pinho, a manifestação é uma forma de chamar a atenção das autoridades para a vontade da comunidade, que “quer e precisa da nova ponte”.

Em entrevista ao portal ND+, ele afirmou que o novo equipamento “vem pra contribuir com o meio ambiente, já que aumenta o canal hidráulico e vai oxigenar a Lagoa de Baixo. Fora os investimentos em urbanização da orla e as melhorias no trânsito”, disse.

Sobre a manifestação, Kleber apontou que o movimento surpreendeu as expectativas. “A gente marcou cedo, mas mesmo assim, num sábado de manhã, muita gente saiu de casa e veio nessa batalha, nessa luta. Tenho certeza de que a gente vai ser ouvido!” finalizou.

Entenda o embargo

O TRF4, por meio de um recurso do procurador Regional da República, Carlos Copetti, determinou na última quarta-feira (26), a paralisação imediata das obras da nova ponte até que um licenciamento ambiental “válido” seja realizado. O pedido judicial foi feito pelo MPF.

A Justiça Federal cita ainda, em nota, que “a obra representa um risco potencial de provocar novo colapso sistêmico no local – com a perda da balneabilidade e mortalidade em massa de animais e plantas. Por isso, jamais poderia ter sido autorizada sem licenciamento instruído com estudo de impacto ambiental”. O argumento é o mesmo das últimas duas paralisações.

Em entrevista ao Balanço Geral, o secretário de Infraestrutura de Florianópolis, Rafael Hahne, afirmou que a prefeitura detém todas as licenças necessárias para esse tipo de obra. “Temos tudo regularizado e esperamos a liberação para que as obras continuem”, disse o secretário.

Nossa equipe procurou a prefeitura para avaliar o protesto da manhã deste sábado (29), mas ainda não recebeu retorno. O espaço segue aberto.

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