‘Mundo está em estrada para inferno climático’, diz secretário geral da ONU na COP27

Assunto é discutido na 27ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada até o dia 18

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Redação ND Florianópolis

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O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, defendeu nesta segunda-feira (7) que o mundo está em uma estrada para o inferno climático. Segundo ele, é preciso mudanças.

Guterres pediu um “pacto de solidariedade climática”. Segundo o secretário, o compromisso seria traçado entre os países participantes da COP27 (Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima). Para a autoridade, essa é a alternativa que resta para evitar, como consequência, o “suicídio coletivo” do planeta.

“Nosso planeta está se aproximando rapidamente do ponto de inflexão que tornará o caos climático irreversível. Estamos em uma estrada para o inferno climático com o pé no acelerador”, disse Guterres no discurso de abertura das atividades desta segunda-feira no Egito.

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O secretário acredita que nosso planeta está se aproximando rapidamente do ponto de inflexão que tornará o caos climático irreversível – Foto: Unsplash/Divulgação/NDO secretário acredita que nosso planeta está se aproximando rapidamente do ponto de inflexão que tornará o caos climático irreversível – Foto: Unsplash/Divulgação/ND

O pacto implica em esforços para reduzir, na atual década, as emissões mantendo, dessa forma, os países em linha com a meta de limitar o aquecimento global a 1,5º acima das temperaturas pré-industriais.

Pacto

“Trata-se de um pacto no qual os países mais ricos e as instituições financeiras internacionais deverão fornecer assistência financeira e técnica para ajudar as economias emergentes a acelerarem sua própria transição de energia renovável”, afirmou.

Segundo o secretário, o pacto buscará acabar com a dependência de combustíveis fósseis e visar à eliminação do uso de carvão como combustível de usinas até 2040. “É também um pacto para fornecer energia universal, acessível e sustentável a todos e em que economias desenvolvidas e emergentes se unam em torno de uma estratégia comum, combinando capacidades e recursos em benefício da humanidade”.

Citando as duas maiores economias do mundo, Guterres disse que os Estados Unidos e a China têm a responsabilidade de “juntar forças” para tornar esse pacto uma realidade. “É a nossa única esperança de cumprir as metas climáticas. A humanidade tem uma escolha: cooperar ou perecer. Ou faremos um pacto de solidariedade climática, ou teremos um pacto de suicídio coletivo”, argumentou.

“As atividades humanas são as causas dos problemas climáticos. Portanto, a ação humana tem de ser a solução, de forma a restabelecermos ambições e reconstruirmos a confiança, em especial entre o Norte e o Sul”, completou.

Sistema de alerta precoce

A ONU revelou um plano de ação de mais de 3 bilhões de dólares para que dentro de cinco anos toda a população mundial esteja protegida por um sistema de alerta precoce para desastres meteorológicos.

O plano de ação de US$ 3,1 bilhões terá que ser coberto pelo aumento esperado no financiamento destinado à adaptação às mudanças climáticas.

O dinheiro vai para quatro áreas: melhor conhecimento dos riscos, implementação de serviços de vigilância e alerta, reforço da capacidade de atuação no terreno e transferência de informação sobre riscos a todos que necessitem.

O plano de ação de US$ 3,1 bilhões terá que ser coberto pelo aumento esperado no financiamento destinado à adaptação às mudanças climáticas. – Foto: Unsplash/Divulgação/NDO plano de ação de US$ 3,1 bilhões terá que ser coberto pelo aumento esperado no financiamento destinado à adaptação às mudanças climáticas. – Foto: Unsplash/Divulgação/ND

“Os alertas precoces salvam vidas e proporcionam grandes benefícios econômicos. Basta sinalizar a chegada de um fenômeno perigoso com 24 horas de antecedência para reduzir os danos em 30%”, destacou Petteri Taalas, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), que elaborou este plano de ação.

No momento, menos da metade dos países menos desenvolvidos e apenas um terço dos pequenos Estados insulares em desenvolvimento têm um sistema de alerta precoce, de acordo com um relatório recente da OMM e do UNDRR (Escritório para Redução de Riscos de Desastres da ONU).

Para atingir a meta, será necessário investir 3,1 bilhões de dólares entre 2023 e 2027.

Fracasso

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, classificou nesta segunda-feira (7) como um “fracasso” as conferências sobre mudanças climáticas realizadas até agora, em um discurso na COP27, no Egito, no qual defendeu seu plano de investimentos internacionais para preservar a floresta amazônica.

“As lideranças políticas desde a COP número um até o momento fracassaram em deter as causas da crise climática”, declarou o presidente de esquerda diante de uma centena de líderes de governo e de Estado.

Elas “fracassaram basicamente porque superar a crise climática implica em deixar de consumir petróleo e carbono”, acrescentou.

“O mercado não é o principal mecanismo para superar a crise climática. É o mercado e o acúmulo de capital quem a produz e jamais serão seu remédio. Apenas o planejamento público e global multilateral permitiriam uma economia descarbonizada mundial. A ONU deve ser o cenário desse planejamento”, explicou.

No combate às mudanças climáticas, preservar a floresta amazônica é um dos pontos principais.

“A Colômbia concederá 200 milhões de dólares anualmente por 20 anos para salvar a floresta amazônica em seu território. Esperamos a contribuição mundial”, disse.

Anteriormente, em ato realizado junto ao primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, e presidentes africanos, Petro havia mencionado que esperava ter o Brasil e a Venezuela a bordo desse projeto.

Petro havia também dito em agosto que aspirava pagar uma renda mensal a “cem mil famílias amazônicas”.

Lula vai discursar

O presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, é esperado na COP27 nos próximos dias, enquanto o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, também está em Sharm El Sheikh e deve se dirigir ao plenário nesta terça-feira.

“Os tratados constitutivos da Organização Mundial do Comércio e do FMI (Fundo Monetário Internacional) vão contra a solução da crise climática e, portanto, devem ser subordinados e reformados segundo os acordos da COP”, defendeu Petro.

Durante a 27ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada até o dia 18, a comunidade internacional debaterá nos em Sharm El Sheikh, no Egito, como aumentar o financiamento do combate às mudanças climáticas. O FMI e o Banco Mundial têm um papel chave nessa arquitetura financeira.

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