As águas da superfície dos oceanos estão, definitivamente, mais quentes do que o normal e vêm batendo recordes de temperatura jamais vistos.
Na segunda-feira (24), as águas rasas do sul da Flórida chegaram a 37,8°C por várias horas, potencialmente estabelecendo um novo recorde mundial com temperaturas semelhantes a banheiras de hidromassagem. As leituras foram feitas de uma única bóia em Manatee Bay, cerca de 60 quilômetros a sudoeste de Miami, a uma profundidade de 1,5 metro.
Oceanos mais quentes: as águas rasas do sul da Flórida chegaram a 37,8°C por várias horas nesta segunda (24) – Foto: Joseph Prezioso/AFPNo mar Mediterrâneo, as águas também bateram o recorde de temperatura, na última segunda (24), informou à AFP, nesta terça (25), o principal instituto espanhol de pesquisas marítimas. O recorde coincide com uma excepcional onda de calor que atinge a região.
Seguir“Foi alcançado um novo recorde de temperatura média diária da superfície do mar no Mediterrâneo para o período 1982-2023, com 28,71°C”, alertaram os pesquisadores do Instituto de Ciências do Mar (ICM), com sede em Barcelona.
O centro, que analisou dados de satélite do observatório europeu Copernicus, indicou que o último recorde, de 28,25°C, remonta a 2003.
Os dados ainda precisam ser confirmados pelo Copernicus, mas “estamos convencidos de que a mediana não será muito tendenciosa e que a indicação da temperatura até a primeira casa decimal é globalmente correta”, disseram à AFP os pesquisadores Justino Martinez e Emilio García.
Os cientistas preferem usar um valor mediano e não médio (28,40°C na segunda-feira) porque é menos “afetado por valores atípicos”, ou seja, por registros de temperaturas extremas em pontos isolados do Mediterrâneo.
Entre a ilha da Sicília e a cidade de Nápoles, na Itália, por exemplo, foram registradas áreas com mais de 30°C (4°C acima do normal).
Ameaça aos ecossistemas marinhos
As altas temperaturas ameaçam os ecossistemas marinhos.
O Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC) classifica a região do Mediterrâneo como um “ponto quente” para as mudanças climáticas.
“Desde a década de 1980, os ecossistemas marinhos mediterrâneos sofreram alterações drásticas, com um declínio da biodiversidade e a chegada de espécies invasoras”, diz o IPCC.
No caso de as temperaturas ultrapassarem 1,5°C em comparação com a era pré-industrial, mais de 20% de todos os peixes e invertebrados no Mediterrâneo oriental poderiam desaparecer localmente antes de 2060.
A renda da pesca pode, por sua vez, diminuir em 30% até 2050, alertam especialistas da ONU.
Se a temperatura das águas mediterrâneas tende a aumentar, “não há prova clara, estatisticamente falando, de um aumento da frequência de ondas de calor marinhas na bacia mediterrânea no período 1982-2023”, esclarecem os pesquisadores do ICM.
“Acredita-se que a origem das ondas de calor marinhas seja principalmente – mas não apenas – atmosférica (…). Essa questão está em debate, mas se for esse o caso, apenas uma redução nas ondas de calor atmosféricas levará a uma redução nas ondas de calor marinhas”, acrescentam.