Oi, sumido! Bugio-ruivo será reintroduzido em ecossistema de Florianópolis após 2 séculos

Pesquisadores querem fazer a reintrodução do animal em Florianópolis, que não é visto há pelo menos 200 anos

Foto de Ana Schoeller

Ana Schoeller Florianópolis

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O macaco Bugio-ruivo volta para Florianópolis após mais de dois séculos desaparecido da Ilha. A informação foi confirmada pela pesquisadora e bióloga Vanessa Kanaan nesta terça-feira (7).

Bugio-ruivo pode ser visto em Florianópolis em breve Bugio-ruivo pode voltar a ser visto em Florianópolis – Foto: Reprodução/Daniel de Granville/ND

Os primatas, visto por último em 1763 são tratados por profissionais e depois serão reintroduzidos em duas áreas de proteção ambiental em Florianópolis, uma ao norte e outra ao sul da ilha. A primeira será no Parque Estadual do Rio Vermelho e a segunda no Monumento natural da Lagoa do Peri.

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As solturas estão planejadas para o início de 2024.  No total, serão liberadas seis famílias de bugios-ruivos, cada uma composta por aproximadamente dois ou três animais.

Atualmente, esses bugios-ruivos residem no CETAS-SC (Centro de Triagem de Animais Silvestres) na capital. O espaço é cogerido pelo Instituto Espaço Silvestre e pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina.

Segundo Kanaan, Florianópolis passou por grandes mudanças ao longo dos anos, o que impactou no desaparecimento dos animais.

Antes da prevista reintrodução no próximo ano, os bugios do CETAS passaram por uma etapa crucial para viabilizar sua reintegração. Eles receberam vacinas contra a febre amarela, que atualmente representa uma das principais ameaças para essa espécie.

Além disso, todos os animais selecionados foram minuciosamente avaliados quanto à saúde e comportamento, garantindo que sejam os candidatos ideais para sobreviver e reproduzir-se em seu ambiente natural.

Como os bugio-ruivo sumiram?

A pesquisadora aponta que após a chegada dos europeus no século XVIII, as florestas originais da Ilha deram lugar a áreas de cultivo agrícola, resultando na perda de aproximadamente 76,1% de sua cobertura vegetal até 1978.

Antes locais com mata viraram grandes plantações fazendo o bugio-ruivo sumir Antiga estrada do Ribeirão da Ilha formada por chão batido – Foto: Divulgação/ND

Esse desmatamento, juntamente com a caça intensiva no passado, levou à extinção de várias espécies de mamíferos de médio e grande porte, afetando as funções ecológicas essenciais. A perda de biodiversidade teve impactos significativos nos ecossistemas locais, afrouxando o controle sobre as populações de herbívoros, alterando a estrutura das comunidades vegetais e prejudicando espécies sensíveis a mudanças ambientais.

Embora tenha havido esforços para restaurar a vegetação na região, a recuperação da vida selvagem não acompanhou o mesmo ritmo devido às barreiras geográficas da ilha.

Algumas espécies extintas localmente não podem retornar naturalmente a partir do continente. Para reverter esse quadro, a reintrodução de espécies extintas localmente, como o bugio-ruivo, está sendo considerada.

Quem é o bugio-ruivo?

O bugio-ruivo, é um primata adaptável da Mata Atlântica, e é a primeira espécie escolhida para o processo de refaunação em Santa Catarina.

Atualmente, há indivíduos prontos para serem reintroduzidos, e a região de Florianópolis oferece áreas adequadas para sua reintegração, com potencial para abrigar uma população viável.

Bugio-ruivo em Florianópolis Bugio-ruivo poderá ser visto em Florianópolis – Foto: Reprodução/Wikipedia/ND

A reintrodução do bugio-ruivo quer restaurar seu papel ecológico na natureza, incluindo a dispersão de sementes e a contribuição para a ciclagem de nutrientes. Além disso, quer melhorar o bem-estar de animais vítimas de ações humanas que se encontram em centros de reabilitação.

As iniciativas fazem parte do Programa Silvestres SC, que tem como missão promover a conservação da natureza e o bem-estar animal por meio da ciência, educação e desenvolvimento socioeconômico.

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