Uma operação conjunta de fiscalização de empresas que comercializam barbatanas e postas de tubarão em mercados de peixes de Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, foi realizada no início do mês de fevereiro. Uma embarcação com 13 toneladas de peixes foi apreendida, comerciantes foram multados e coletas foram realizadas na cidade.
Embarcação com licença expirada foi apreendida com 13 toneladas de peixe – Foto: Todd Southgate/Sea Shepherd/Reprodução/NDA ação ocorre em parceria entre o IBAMA e a Sea Shepherd Brasil, organização internacional de proteção da vida marinha e do oceano.
Uma embarcação foi apreendida por não ser autorizada a exercer a pesca, já que estava com a licença expedida. A embarcação possuía cerca de 13 toneladas de peixes, incluindo tubarões anequim (mako) e azul, que foram apreendidos.
SeguirA empresa responsável pela embarcação receberá multa de valor a ser definido. Comerciantes do mercado do peixe também foram multados pelas autoridades.
Ação ocorreu em parceria entre IBAMA e Sea Shepherd – Foto: Todd Southgate/Sea Shepherd/Reprodução/NDAlém disso, os agentes coletaram amostras de tubarões vendidos, tanto barbatanas quanto postas, para investigarem se são de espécie legalizada para o comércio.
O foco da operação é identificar possíveis ilegalidades na origem da pesca e comércio de tubarões.
“Essa ação analisa desde a legalidade das embarcações, locais de pesca via satélite, toda cadeia produtiva dos tubarões, legalidade dos petrechos de pesca incluindo as medidas para evitar a captura de tartarugas e aves marinhas e de forma científica verifica se as espécies de tubarão declaradas são realmente a das barbatanas analisadas. Assim permite um olhar amplo sobre a pesca dos tubarões que deve ser complementar, e nunca direcionada”, explica Leandro Aranha, coordenador da operação do lado do IBAMA.
Dezenas de toneladas de barbatanas de tubarão de duas empresas pesqueiras, o que equivale a milhares de tubarões pescados, foram investigados, assim como peixes vendidos no mercado.
Comerciantes foram autuados pela falta de nota de compra, o que dificulta a identificação da origem das embarcações por trás da captura e venda dos animais.
Amostras de postas e barbatanas de tubarão foram coletadas – Foto: Todd Southgate/Sea Shepherd/Reprodução/ND“Hoje o Brasil possui 40% de suas espécies em risco de extinção, porém segue sendo o maior mercado para a carne de tubarão no mundo. Neste cenário, vemos um controle do esforço pesqueiro, monitoramento de desembarques e eventuais cotas de captura muito precárias, em particular para tubarões e raias. Uma presença mais constante do IBAMA com a Sea Shepherd em apoio à fiscalização é essencial e urgente para responder a este cenário, e para a preservação destes animais essenciais para a saúde do oceano”, afirma Juan Pablo Torres-Florez, Coordenador Técnico da Sea Shepherd Brasil.
A instituição ainda aguarda os resultados das análises de DNA das espécies coletadas, e deve seguir realizando ações em conjunto com o IBAMA ao longo do ano.