Pesquisadores em Santa Catarina descobriram no Parque Nacional de São Joaquim, na Serra catarinense, uma das áreas mais importantes da Mata Atlântica no Estado, duas novas espécies de plantas: prosopanche demogorgoni, cujo nome homenageia Demogorgon, o monstro da série da Netflix, Stranger Things, devido às aparências entre eles; e a delairea aparadensis, espécie de planta que foi necessário usar um gênero que só existe na África para medidas de comparação.
A espécie Prosopanche Demogorgoni ganhou o nome em homenagem a personagem da série Netflix Stranger Things – Foto: Divulgação/ NDA prosopanche demogorgoni é uma parasita de raízes de três pétalas e é encontrada em extensos aglomerados de arbustos do parque, conhecidos como vassourais.
O nome foi uma homenagem ao monstro da série norte-americana Stranger Things, da Netflix, por que segundo os pesquisadores suas pétalas se parecem com a boca do personagem Demogorgon.
SeguirDe acordo com a pesquisa, essa é a primeira vez que a espécie foi descrita na Mata Atlântica. O achado foi publicado na revista científica internacional da Nova Zelândia Phytotaxa.
Personagem da série que foi homenageado com o nome da planta – Foto: Reprodução/NDAs descobertas fazem parte das pesquisas do PELD-BISC (Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração – Biodiversidade de Santa Catarina), formado por um grupo de instituições e pesquisadores que fazem estudos sistemáticos sobre ecologia desde 2013.
O programa conta com o financiamento do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), da Fapesc (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina), da FAPs (Fundações de Amparo à Pesquisa) e do BC-Fundo Newton, do Reino Unido.
Implicações na vida humana
Segundo o professor doutor do departamento de ecologia e zoologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Selvino Neckel, coordenador do projeto PELD-BISC, as descobertas têm implicações diversas na vida humana, tanto na forma biológica como na social.
“A biológica tem a ver com a sua relação com as outras espécies da biodiversidade e a social tem a ver com as pessoas que moram próximas a esta nova espécie, que poderão ser beneficiadas tanto economicamente por meio do ecoturismo e do seu potencial farmacológico, por exemplo”, explicou o professor da UFSC.
Delairea aparadensis foi a outra espécie descoberta pelos pesquisadores da UFSC – Foto: Divulgação/NDO coordenador do grupo enalteceu o trabalho realizado no local e as outras descobertas, além da aproximação com a comunidade que habita a região do parque.
“Estamos formando pesquisadores e aumentando nosso conhecimento sobre a biodiversidade. Estamos buscando interagir com as comunidades para mostrar as nossas descobertas. Elas são nossas aliadas para a preservação ambiental”, disse ele.
Preocupação com o destino do parque
O Parque Nacional de São Joaquim corre o risco iminente de perder 20% de sua área. Um projeto de lei que tramita no Senado Federal quer redefinir o traçado da unidade de conservação – uma redução de 20% – e alterar seu nome para Parque Nacional da Serra Catarinense. Criado em 1961, o parque possui uma área de 49,8 mil hectares.
De acordo com o professor Neckel, o parque abriga uma grande quantidade de espécies em risco de extinção, uma paisagem única e traz segurança hídrica para o Estado.
“No subsolo do parque está boa parte do aquífero Guarani, um bolsão de água gigantesco. O parque é um dos lugares que mais abastece o aquífero. Tem ainda a nascente do rio Canoas, que vai formar o rio Uruguai. São nascentes de rios importantíssimos. Quem está fora do parque, precisa de água. A questão é ainda mais importante por que estamos sendo afetados por uma seca desde o ano passado”, explicou.
Outra preocupação é a possibilidade da concessão do parque à iniciativa privada, autorizado ano passado, pelo governo federal. Neckel disse que uma privatização do espaço é prejudicial para as pesquisas.
“Hoje o que mais atrapalha a pesquisa é a falta de investimento, e não se ela está sendo realizada em uma área pública ou privada. Porém é claro que realizar pesquisas em áreas públicas dá mais segurança para a realização de estudos de longo prazo devido a sua origem. Já em áreas privadas ficamos à mercê do proprietário, que pode mudar suspender a pesquisa quando quiser ou mesmo pode vender sua área a outro”, declarou.