Personagem da série Stranger Things vira nome de planta em SC

Pesquisadores encontraram no Parque Nacional de São Joaquim duas novas espécies de plantas, uma delas foi batizada com o nome de um monstro de uma série da Netflix

Foto de Paulo Rolemberg

Paulo Rolemberg Florianópolis

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Pesquisadores em Santa Catarina descobriram no Par­que Nacional de São Joaquim, na Serra catarinense, uma das áreas mais importantes da Mata Atlântica no Esta­do, duas novas espécies de plantas: prosopanche demo­gorgoni, cujo nome homena­geia Demogorgon, o monstro da série da Netflix, Stranger Things, devido às aparências entre eles; e a delairea apa­radensis, espécie de planta que foi necessário usar um gênero que só existe na África para medidas de comparação.

A espécie Prosopanche Demogorgoni ganhou o nome em homenagem a personagem da série Netflix Stranger Things – Foto: Divulgação/ NDA espécie Prosopanche Demogorgoni ganhou o nome em homenagem a personagem da série Netflix Stranger Things – Foto: Divulgação/ ND

A prosopanche demogor­goni é uma parasita de raízes de três pétalas e é encontrada em extensos aglomerados de arbustos do parque, conhe­cidos como vassourais.

O nome foi uma homenagem ao monstro da série norte­-americana Stranger Things, da Netflix, por que segundo os pesquisadores suas péta­las se parecem com a boca do personagem Demogorgon.

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De acordo com a pesquisa, essa é a primeira vez que a espécie foi descrita na Mata Atlântica. O achado foi publicado na re­vista científica internacional da Nova Zelândia Phytotaxa.

Personagem da série que foi homenageado com o nome da planta – Foto: Reprodução/NDPersonagem da série que foi homenageado com o nome da planta – Foto: Reprodução/ND

As descobertas fazem parte das pesquisas do PELD-BISC (Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Du­ração – Biodiversidade de Santa Catarina), formado por um grupo de institui­ções e pesquisadores que fazem estudos sistemáticos sobre ecologia desde 2013.

O programa conta com o financiamento do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cien­tífico e Tecnológico), da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pes­soal de Nível Superior), da Fapesc (Fundação de Am­paro à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina), da FAPs (Fundações de Amparo à Pesquisa) e do BC-Fundo Newton, do Reino Unido.

Implicações na vida humana

Segundo o professor doutor do departamento de ecologia e zoologia da UFSC (Uni­versidade Federal de Santa Catarina), Selvino Neckel, coordenador do projeto PELD-BISC, as descobertas têm implicações diversas na vida humana, tanto na forma biológica como na social.

“A biológica tem a ver com a sua relação com as outras espécies da biodiversidade e a social tem a ver com as pessoas que moram pró­ximas a esta nova espécie, que poderão ser beneficia­das tanto economicamente por meio do ecoturismo e do seu potencial farmaco­lógico, por exemplo”, ex­plicou o professor da UFSC.

Delairea aparadensis foi a outra espécie descoberta pelos pesquisadores da UFSC – Foto: Divulgação/NDDelairea aparadensis foi a outra espécie descoberta pelos pesquisadores da UFSC – Foto: Divulgação/ND

O coordenador do grupo enalteceu o trabalho realiza­do no local e as outras desco­bertas, além da aproximação com a comunidade que ha­bita a região do parque.

“Estamos formando pes­quisadores e aumentando nosso conhecimento sobre a biodiversidade. Estamos buscando interagir com as comunidades para mostrar as nossas descobertas. Elas são nossas aliadas para a preser­vação ambiental”, disse ele.

Preocupação com o destino do parque

O Parque Nacional de São Joaquim corre o risco iminente de per­der 20% de sua área. Um projeto de lei que tramita no Senado Federal quer redefinir o traçado da unidade de conserva­ção – uma redução de 20% – e alterar seu nome para Parque Nacional da Serra Catarinense. Criado em 1961, o parque possui uma área de 49,8 mil hectares.

De acordo com o profes­sor Neckel, o parque abriga uma grande quantidade de espécies em risco de extinção, uma paisagem única e traz segurança hídrica para o Estado.

“No subsolo do parque está boa parte do aquífe­ro Guarani, um bolsão de água gigantesco. O parque é um dos lugares que mais abastece o aquífero. Tem ainda a nascente do rio Canoas, que vai formar o rio Uruguai. São nascentes de rios importantíssimos. Quem está fora do parque, precisa de água. A questão é ainda mais importante por que estamos sendo afeta­dos por uma seca desde o ano passado”, explicou.

Outra preocupação é a possibilidade da conces­são do parque à iniciativa privada, autorizado ano passado, pelo governo federal. Neckel disse que uma privatização do espaço é prejudicial para as pesquisas.

“Hoje o que mais atrapalha a pesquisa é a falta de investimen­to, e não se ela está sendo realizada em uma área pública ou privada. Porém é claro que realizar pesquisas em áreas públicas dá mais segurança para a realização de estudos de longo prazo devido a sua origem. Já em áreas privadas ficamos à mercê do proprietário, que pode mudar suspender a pesquisa quando quiser ou mesmo pode vender sua área a outro”, declarou.