Uma pesquisa desenvolvida pelo Programa de Pós Graduação em Engenharia Florestal da Furb (Universidade Regional de Blumenau), em Blumenau, há cerca de 30 anos, descobriu dois insetos capazes de combater a aroeira. A aroeira é uma planta nativa brasileira mas, que nos Estados Unidos é considerada uma praga.
Pesquisadores da Furb trabalham há 29 anos na pesquisa e descobriram dois insetos capazes de combater a planta que é considerada “praga” nos Estados Unidos – Foto: Furb/DivulgaçãoA aroeira é uma espécie de planta comum principalmente na faixa litorânea do Nordeste brasileiro se estendendo até o Uruguai. Antigamente, a madeira dela era usada para fazer cercas, pois tem alta densidade. Hoje o principal valor econômico é o fruto, conhecido como pimenta rosa, utilizada na gastronomia, com sabor suave.
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Nos Estados Unidos, a aroeira foi introduzida em 1890, por um paisagista que veio ao Brasil. Ele decidiu levar ao território americano e transformá-la em uma planta ornamental.
SeguirPor ser exótica em solo estado unidense, não tem um predador, inimigo natural. Logo, cresceu desordenadamente, tornando-se uma “praga” em várias regiões no sul do Estados Unidos, como a Flórida, Carolina do Sul, Carolina do Norte, Lousiana, Texas e até na Califórnia.
Pesquisas
Um dos principais meios, de modo geral, para o controle da aroeira – e de outras plantas – é achar um inimigo, um predador natural.
Durante 29 anos de trabalho, os pesquisadores da FURB andaram de norte a sul do Brasil à procura de insetos predadores. Hoje existem 300 insetos associados à aroeira, inclusive alguns que não se tinha conhecimento.
Neste período, cerca de 30 foram estudados para verificar se a aroeira é sua única fonte de alimento. Depois de vários testes, os pesquisadores acharam dois animais que são capazes de controlar a aroeira: o tripes e a galha da folha, insetos que só se alimentam de aroeira. Outros dois animais ainda estão sendo avaliados.
O tripes foi solto em solo americano em outubro de 2019, durante o evento que contou com diversas autoridades na Universidade da Flórida. A galha da folha está prevista para ser solta no início de 2020, após um período de quarentena.
Todo o trabalho da pesquisa é feito com licenciamento das autoridades brasileiras e norte-americanas. Os pesquisadores da FURB ressaltam que o trabalho realizado não é de extinção da aroeira em solo americano e sim de manutenção da espécie, pois, além do controle biológico, afeta a vegetação nativa.