Praia Secreta de Florianópolis: trilha escondida revela paraíso e refúgio para surfistas

Localidade em área protegida de Florianópolis já recebeu diferentes nomes e recebe cada vez mais trilheiros

Foto de Felipe Bottamedi

Felipe Bottamedi Florianópolis

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Entre as praias da Joaquina e do Gravatá, no Leste da Ilha de Santa Catarina, há um trecho de mar e terra sem nome oficial. Para conhecer a praia isolada e anônima nos mapas oficiais é necessário trilhar uma área de Mata Atlântica protegida. Dentre os diferentes nomes, o local ganhou a alcunha de “Praia Secreta”.

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    Telécio João Correia Filho, Patrícia Edi Cardoso e a filha Juliana Cardoso apreciam a praia - Leo Munhoz/ND
    Telécio João Correia Filho, Patrícia Edi Cardoso e a filha Juliana Cardoso apreciam a praia - Leo Munhoz/ND
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    Após trajeto, trilheiros se deparam com visual estoanteante - Leo Munhoz/ND
    Após trajeto, trilheiros se deparam com visual estoanteante - Leo Munhoz/ND
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    Praia conta com pedra que lembra cachimbo - Leo Munhoz/ND
    Praia conta com pedra que lembra cachimbo - Leo Munhoz/ND

O batismo foi dado por surfistas e se popularizou no início dos anos 2000, crê Wagner Oliveira, taxista que vive desde criança próxima à trilha de acesso. “Quando não tinha onda na Joaquina e na Mole, eles iam para a ‘Praia Secreta’. Ninguém conhecia, não tinha crowd [multidões] e nem muitos surfistas”, conta, explicando o motivo do nome. “Hoje passa gente o dia inteiro”.

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A principal trilha de acesso à praia começa no fim da servidão Mata Atlântica, logradouro transversal à avenida Prefeito Acácio Garibaldi, este último que conecta a Lagoa da Conceição com a praia da Joaquina. O acesso da trilha é aberto ao público e o local é uma APP (Área de Preservação Permanente).

Ao caminhar pela servidão de acesso, a reportagem do ND+ também ouviu uma versão inglesa do nome: “vocês vão para a Secret? [secreta, em inglês]. Boa sorte!”, disse um morador – Secret Point é outro apelido dado ao local.

Um guardião na trilha

O silêncio da mata, a introspecção, o prazer de estar em meio ao verde e “as vezes ficar longe de gente” atraem Ademir Correa, que percorre a trilha quase diariamente. Ele planta espécies, cuida para limpar e manter o percurso identificável aos trilheiros, além de outros zelos.

Acompanhado de seu cachorro e de um pau de madeira, para afastar as cobras que deixam suas tocas durante o verão, o comerciante fala com seu manezês acelerado: “esse papo de ‘Praia Secreta’ é coisa da geração jovem”.

Ademir zela pela trilha de acesso à praia do Capim Canudos, como ele prefere chamar – Foto: Leo Munhoz/NDAdemir zela pela trilha de acesso à praia do Capim Canudos, como ele prefere chamar – Foto: Leo Munhoz/ND

Com suas mais de sete décadas vividas, ele conta que a praia era chamada na sua infância de ‘Praia do Capim Canudos’. “Como os velhos tão indo embora, esse nome está se perdendo”, defende. Também diz que estão abandonando a pesca no local, hábito que ele faz questão de manter vivo.

São cerca de 40 minutos em meio à mata até chegar na Praia Secreta. Não é necessário margear rochedos durante o percurso, mas há diversos momentos de descidas e subidas entre as pedras. É recomendado levar repelente.

Faixa de areia variável

Ao fim do trajeto a praia se revela entre os grandes rochedos, que abraçam o mar azul como um arco. O paredão alto e rochoso é revestido pela vegetação. No extremo esquerdo da praia está a “Pedra do Cachimbo”, nome dado devido ao seu formato ser semelhante ao apetrecho.

É necessária descer entre as pedras para alcançar a praia. A faixa de areia tem cerca de 70 metros e, dependendo da maré, está acessível ou tomada pelo mar. Nesta quinta-feira (17), apenas as rochas eram avistadas próximo à água. O mar é gelado e não há guarda-vidas no local.

Trilha para a Praia Secreta, em FlorianópolisNando, Joelson e Charles trilham pela primeira vez o trajeto que desemboca na Secret – Foto: Leo Munhoz/ND

O segurança Nando Viana aproveitou o dia de céu limpo para percorrer a trilha com os colegas Joelson Araújo e Charles Luiz. Carioca e morador de Florianópolis há três meses, Viana conheceu a praia por meio das redes sociais.

“A praia é linda. Só a faixa de areia está diferente do que vimos no Instagram”, afirma. Como o mar não estava propício ao banho, eles seguiram a trilha para as demais praias – a trajeto conduz a novos segredos da Ilha da Magia.

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