A nova reunião da comissão mista da Alesc (Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina) para analisar o rompimento do reservatório de água da Casan, no Monte Cristo, em Florianópolis, realizada nesta terça-feira (7), tinha quatro convidados, porém, só um compareceu. Ausentes os engenheiros da Gomes e Gomes, construtora do reservatório que rompeu na madrugada de 6 de setembro.
Paulo Henrique Wagner – Foto: Alesc/NDPresente o engenheiro civil Paulo Henrique Wagner, responsável pelo projeto estrutural do reservatório que ‘estourou’ e afetou mais de 200 casas. A principal mensagem deixada por Wagner é que se o projeto tivesse sido executado como elaborado, o acidente não teria acontecido.
De forma presencial na sala de comissões da Alesc, ele disse que encontrou sete divergências entre o projeto e o que efetivamente foi construído.
SeguirO deputado Mario Motta, que presidiu a reunião, foi o principal questionador do engenheiro da Toposolo, com as participações dos deputados Marquito, Antídio Lunelli e Maurício Peixer. Defendendo sua tese, o engenheiro da Toposolo, assessorado pelo advogado Alessandro Abreu, disse:
“Há um projeto, ele foi analisado por outro profissional, está correto. Se o processo executivo seguisse o projeto, não teríamos esse fato [o acidente].”
Em seguida, trouxe argumentos técnicos: “Já fui quatro vezes lá. Hoje, ainda temos duas partes da estrutura daquela parede em pé, que não caíram porque ficam onde tem aterro. Onde caiu não tinha aterro e ali a gente percebe que a parede se movimentou. Nessa movimentação, se deslocou do pilar: rompeu as armaduras dos estribos. Quando os estribos rompem, muda o modelo estrutural e a parede se abre em mais ou menos dois metros de altura”.
Ainda conforme Wagner, na execução, foi utilizada uma área muito menor de aço no reservatório (em torno de 10 toneladas). Para ele, o problema começa pelos pilares, nas armaduras dos estribos, porque a obra tinha em torno de 20% da armadura necessária. Os estribos deveriam ter 10 mm de diâmetro e tinham 5 mm.
Reservatório destruído no bairro Monte Cristo – Foto: Leo Munhoz/NDNa sequência do encontro, Wagner listou outros problemas que identificou na execução da obra. No fim da reunião, foi lida uma declaração dos sócios da Gomes e Gomes. Eles informaram que o convite para participar do encontro chegou apenas na véspera e se colocaram à disposição para participar de uma reunião futura.
Também foi aprovado requerimendo do deputado Marquito para convidar, em data a ser definida, representantes de outros cinco órgãos e entidades. O próximo encontro da comissão é terça-feira que vem.