Projeto ajuda empresas a serem sustentáveis em Florianópolis

Equipe da Carbon Free recolhe dados e calcula a quantidade de gases emitidos, neutralizando o carbono com o plantio de árvores nativas

Isabéli Bender Florianópolis

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Uma iniciativa nascida em Florianópolis está promovendo a neutralização do carbono emitido por empresas, o que as ajuda a serem mais sustentáveis.

Neste projeto, a equipe da Carbon Free recolhe dados e calcula a quantidade de gases produzidos a cada mês pelos estabelecimentos, e com o plantio de árvores nativas compensa essas emissões.

Selo Carbon Free está ajudando empresas a se tornarem mais sustentáveis – Foto: Carbon Free/ Divulgação/NDSelo Carbon Free está ajudando empresas a se tornarem mais sustentáveis – Foto: Carbon Free/ Divulgação/ND

Atualmente o Carbon Free possui três áreas de plantio em Florianópolis, sendo duas no Norte da Ilha e uma no Centro da Capital, pretendendo em breve expandir seu negócio para outras regiões de Santa Catarina.

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Já participam do movimento empresas como Goulart Transportes, que faz a logística da Coca-Cola para o litoral de Santa Catarina, o Festival Floripa Jazz, CA Guimarães, Reforma.com, Meu Salão, Terraw, Pure Foods, entre outros.

Como funciona a neutralização

Para neutralizar as emissões das empresas, é necessário fazer um estudo técnico com dados como gasto de água, energia elétrica e produção de resíduos.

Assim, é possível calcular a quantidade de emissões e identificar quantas mudas serão necessárias para alcançar a sustentabilidade e receber o selo de Carbono Zero.

As ações sustentáveis das empresas não terminam com o plantio de árvores, são repassadas dicas e estratégias para que possam continuar a diminuir as emissões de carbono.

Criação da iniciativa

A empresa Carbon Free começou a atuar em março de 2020. Foi fundada pelo biólogo Luiz Henrique Terhorst, formado pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e por Julia Sens, estudante de Administração Empresarial na Udesc (Universidade do Estadual de Santa Catarina).

O projeto começou com a intenção de Terhorst e Sens de atuarem em prol das mudanças climáticas e melhorarem o ambiente da cidade de Florianópolis.

“Eu sempre trabalhei com o licenciamento ambiental, que é muito importante, mas sempre ocorre na iminência de alguma degradação ambiental, assim, busquei ir para a área da sustentabilidade”, afirma o biólogo.

Foi então que ele decidiu que trabalharia com a sustentabilidade, onde as empresas buscam ser melhores, de fato, para o meio ambiente.

Debate sobre o desenvolvimento sustentável

Para a Carbon Free, a Capital precisa debater com urgência o desenvolvimento sustentável, uma vez que a Ilha tem sofrido com as consequências da poluição, desmatamento e mudanças climáticas de forma dura.

O desmate de 3,4 hectares de um terreno com mata nativa em Florianópolis, está mobilizando entidades, ambientalistas e moradores do Córrego Grande, que são contrários à construção de 58 novos lotes no local.

O loteamento Brisas da Ilha fica no final da Servidão Dorval Manoel Bento, próximo ao Parque Municipal do Córrego Grande e pertencia a um grupo de padres antes de ser vendido à loteadora.

O terreno possui 13,6 hectares. Do total, 25% corresponde ao loteamento. O desmate começou em 21 de setembro de 2020, quando foi construído o pátio de trabalho. Em outubro, as obras foram freadas, uma vez que até o mês de março ocorre a floração do garapuvu e a reprodução das aves.

“A comunidade de Florianópolis respira sustentabilidade, apesar disso, vemos muitos problemas em todo o município, como a poluição da Lagoa da Conceição, a invasão do mar por sobre áreas residenciais no Campeche, as ocupações irregulares em toda cidade, entre outros”, afirma Luiz Henrique Terhorst.

A equipe do Carbon Free acredita que Florianópolis tem muito a crescer e se tornar exemplo de cidade verde no Brasil, mas para isso é preciso auxílio de todos. “Todos devem tomar ações para reduzir o impacto no meio ambiente, principalmente as empresas”, destaca o biólogo.

Projeto quer alcançar o Brasil inteiro

Quando uma empresa recebe o selo Carbon Free, ele carrega o nome da cidade (por exemplo, Carbon Free  Floripa é o Selo Carbono Zero de Florianópolis), mas a metodologia é internacional. Por trás da atividade, existem cálculos e estudos que atendem parâmetros mundiais de neutralização de carbono.

Segundo a equipe da Carbon Free, a cidade precisa estar unida – governo, empresas e comunidade – para gerar uma mudança significativa.

Luiz Henrique Terhorst afirma que Florianópolis tem um espírito de sustentabilidade forte. “As empresas e as pessoas aqui se preocupam muito com o meio ambiente”, continua. “Mas nós sabemos também que há muitas outras empresas, em outros lugares, que também estão querendo diminuir o impacto na natureza”, conta.

“Nós queremos colaborar com essas outras empresas, que muitas vezes ainda não têm essa consciência ou que já estão começando a desenvolver o senso de responsabilidade, nós queremos ajudar nesses primeiros passos!”, afirma.

Para fazer parte do movimento, basta acessar o site oficial do Carbon Free e clicar na aba “Quero ser Carbon Free“.