Em parceria que se estende desde 2019, a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e a Univille protagonizaram uma série de estudos sobre a natureza da região da Vila da Glória, em São Francisco do Sul. A partir das conclusões da pesquisa, os envolvidos sugerem a criação de mais uma unidade de conservação em Santa Catarina.
Desenho aponta indicação para construção da unidade de preservação – Foto: UFSC/Divulgação/NDOs estudos apontaram que a Mata Atlântica do local precisa ser conservada, já que possui um alto percentual de preservação e biodiversidade. Por isso, uma equipe de pesquisadores dos dois centros de ensino se dedicou a estudar a região.
Lá, puderam observar a fauna, flora, geologia e geomorfologia, socioantropologia, além de fazer o levantamento fundiário e a caracterização geográfica da região.
SeguirA partir disso, a UFSC e a Univille puderam traçar um diagnóstico socioambiental da região, transformando a ideia num projeto multidisciplinar, juntando uma equipe formada por professores e estudantes de diversos cursos das universidades.
Dali nasceu o ‘Nascentes do Saí’, projeto com mais de 700 páginas que destaca uma recomendação ao poder público: a necessidade em conservar legalmente o polígono que envolve florestas, morros, nascentes de rio e centenas de espécies antes que ele seja destruído.
As diretrizes da pesquisa envolveram desde a preservação dos recursos hídricos até a disponibilização de recursos naturais à pesquisa científica, passando também pela criação de programas de educação ambiental e pela proposição de um plano para construção da Política de Conservação e Gestão Territorial da unidade.
Origens e importância do projeto
O projeto teve sua origem na SMMA (Secretaria Municipal de Meio Ambiente) de São Francisco do Sul, onde foi gerado o chamado termo de referência sobre o tema. A partir daí, criou-se um edital, no qual a UFSC participou, através do Neamb (Núcleo de Educação Ambiental), localizado no curso de Engenharia Ambiental da universidade.
Além disso, professores e alunos da Univille foram convidados a participar do projeto. Vale ressaltar ainda que a área da criação da unidade tem a Mata Atlântica em estágios avançados de recuperação, com possíveis áreas de florestas primárias.
A comunidade do Distrito do Saí também foi de importância fundamental nos trabalhos, uma vez que auxiliaram nos trabalhos de levantamentos socioambientais, contribuindo para a proposta do Refúgio de Vida Silvestre, categoria que permite manter as propriedades particulares no interior da Unidade de Conservação.
A área das Nascentes do Saí é está ligada ao abastecimento de água para todo o município de São Francisco do Sul e também Itapoá.
Próximos passos
A Prefeitura da cidade, agora, deve dar continuidade a proposta de criação da Unidade de Conservação através de audiências públicas. O Neamb, laboratórios e grupos de pesquisa envolvidos também estarão participando das discussões com a comunidade.
Após a criação oficial da unidade através de lei municipal, o próximo passo é a criação do Conselho Gestor, que contará com os trabalhos da SEMMA de SFS, representantes de associações de moradores do Distrito do Saí, ONGs, universidades, escolas e outras entidades públicas, e a implementação do Plano de Manejo, que é como um plano diretor para a unidade de consrvação.