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Quer pagar menos tarifa de lixo? Comece a separar e destinar corretamente seus resíduos

O engenheiro Eduardo envia 60% menos de lixo para o aterro sanitário. A rotina dele pode servir de exemplo para todos nós. É como se fosse um guia sobre o que fazer com cada resíduo

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Todo o material que tiver óleo ou gordura, seja a sobra de óleo de cozinha em si, ou embalagem ou recipiente com restos gordurosos, não deve ir para o reciclável – Foto: DivulgaçãoTodo o material que tiver óleo ou gordura, seja a sobra de óleo de cozinha em si, ou embalagem ou recipiente com restos gordurosos, não deve ir para o reciclável – Foto: Divulgação

Ser uma pessoa mais sustentável, uma família ecologicamente correta, uma empresa que cumpre as regras ambientais, seja lá quais forem os títulos, fazer a coisa certa quando trata-se de descarte de resíduos é um assunto ainda cercado de dúvidas. Por exemplo: o que fazer com a esponja de lavar louça? Ou com a sujeira que sobra na varrição da casa ou no aspirador de pó? E as lâmpadas queimadas e os frascos de remédios?

Numa outra reportagem da nossa série nós fomos conhecer como a família Strapazzon separa e destina os resíduos da casa. Eles têm muita consciência e atitude. Agora, nós vamos mostrar como foi a visita a uma outra residência, desta vez de um engenheiro ambiental e sanitarista, o Eduardo Olivo, que trabalha com resíduos há dez anos e, portanto, vai mais além na ação. Eduardo mora sozinho e divide o resíduo em quatro partes:  “eu tenho orgânico, tenho reciclável, tenho rejeito e perigosos. Então eu faço a tratativa para cada um deles.”

No caso dos recicláveis é a categoria mais conhecida da população em geral:  papel, plástico, metal, isopor, papelão… “todo esse material pode ser transformado num outro produto, isso se chama reciclagem. Reciclagem é a transformação num novo produto”, explica o engenheiro.

Aí, quando se fala em reciclagem e reaproveitamento surgem muitas dúvidas, objetos que causam confusão como lâmpadas, pilhas, baterias e óleo de cozinha. Eduardo explica: “esses materiais que não servem para a coleta seletiva, que o caminhão não vai recolher, eu acabo juntando e levo até o ecoponto. Os ecopontos são três locais onde a prefeitura aceita vários tipos de resíduos. Neste link estão os endereços, horários de funcionamento e a lista dos resíduos que são aceitos.

Os vidros não vão para os ecopontos e nem deveriam ser descartados juntamente com outros materiais. O ideal é que eles sejam levados até um dos 20 Pontos de Entrega Voluntária – PEVs espalhados pela cidade. Esses pontos são como grandes lixeiras verdes. Quem não consegue levar o vidro até eles, deve seguir a orientação do engenheiro: “a gente pede que seja colocado dentro de uma caixinha de papelão para que não haja nenhum dano ao coletor e ao catador. É bom identificar, escrever ‘vidro’ para ficar mais fácil e seguro”.

Todo o material que tiver óleo ou gordura, seja a sobra de óleo de cozinha em si, ou embalagem ou recipiente com restos gordurosos, não deve ir para o reciclável, muito menos para o esgoto pela pia da cozinha. “Para o sistema de tratamento de esgoto ele é muito ruim, ele acaba impedindo o tratamento, na verdade, e danificando o sistema.” O engenheiro orienta que, quem usa bastante óleo deve coletar em frascos preferencialmente PET, que não correm o risco de quebrar e deixar no ecoponto.

Outros itens que ainda causam muitas dúvidas e erros na hora do descarte são: papel higiênico, fraldas e absorventes usados. Por mais que contenham papel e plástico, não servem pra nada, por estarem contaminados devem ir para os rejeitos, aquele lixo mesmo, que é levado pelo caminhão com o material chamado “orgânico” e vai para o aterro sanitário.  Mesmo caso das fezes dos pets. De forma alguma esses rejeitos devem chegar às associações de catadores, assim como o material de varrição de casa ou de aspirador de pó.

Para os restos de galhos das podas de árvores existe um cronograma anual feito pela prefeitura de Chapecó, que precisa ser consultado no site. Nessas datas pré-estabelecidas os materiais são recolhidos nas frentes das casas. Quem precisa fazer a poda fora da época deve levar os restos até um dos ecopontos.

Mas tem coisas que a prefeitura não recebe, como os resíduos de obras, reformas e construção civil, por exemplo: “ fica de responsabilidade do gerador, tanto pessoa física quanto jurídica tem a obrigação de dar o destino adequado, chamar a caçamba específica para recolher esse material. Depois, as empresas que são licenciadas para isso dispõe de aterro específico para resíduos de construção civil”, explica o engenheiro.

Os medicamentos e os resíduos de saúde que estão vencidos ou inutilizados são outros itens que não devem ser descartados nem na coleta seletiva, muito menos juntamente com os orgânicos os rejeitos. “O ideal é que a gente retorne para o posto de saúde, que eles recebem esse material e dão o destino adequado.” O especialista explica ainda a chamada logística reversa, que é quando o comércio e a indústria têm a obrigação de receber de volta, depois de usados, pneus, pilhas, lâmpadas, baterias e medicamentos vencidos. “A ideia da logística reversa é que ela retorne para o fabricante”, conclui.

Sobre os orgânicos e rejeitos Eduardo explica: “todo material que não serve para reciclagem, ou seja, tudo aquilo que a gente não coloca na coleta seletiva vai para orgânico / rejeito, que é levado pelo caminhão de coleta para o aterro sanitário”. Mas, no caso do Eduardo, os orgânicos servem para a compostagem, que é um assunto que nós mostramos em uma outra reportagem, como você pode ter acesso neste link.

Quem faz tudo corretamente, como o engenheiro Eduardo, envia 60% menos resíduos para o aterro sanitário. 60% menos de lixo para o planeta. Lucro também para o nosso bolso. “Se a gente reduzir este valor, vai reduzir onde? Lá na nossa taxa de coleta de lixo. Quando mais certo a gente fizer, mais barato vai ficar para o contribuinte”. Ele se refere ao serviço que o município precisa prestar para dar conta de tanto rejeito, seja com mão de obra, maquinário e aterro sanitário.

Ah, sobre as esponjas, na separação comum ela deve ir para o orgânico, mas, se você quiser fazer a diferença, saiba que existe sim, uma nova vida para elas. Veja nesta outra reportagem.

Reportagem Balanço Geral Oeste – NDTV

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