Os moradores de Canasvieiras, no Norte da Ilha de Santa Catarina, tiveram um susto depois da ressaca do mar que atingiu parte do famoso balneário, entre quinta (14) e sexta-feira (15). No canto esquerdo da praia, a maré levou parte da areia colocada pela Secretaria de Infraestrutura durante a obra de alargamento.
Moradores se assustaram com impacto, mas perceberam que foi pequeno depois que maré baixou – Foto: Leo munhoz/NDNesta terça-feira (19), no entanto, os próprios moradores viram e disseram que o impacto foi pequeno. Conforme a secretaria, 85% dos 2.450 metros de extensão da praia permanecem com os 45 metros de faixa de areia conquistados após o alargamento.
A faixa alargada na praia de Canasvieiras foi entregue pela prefeitura em 17 de janeiro de 2020, deixando o balneário com cerca de 50 metros de areia em praticamente toda a sua extensão.
SeguirNa época, a prefeitura explicou que, com o passar dos dias, fenômenos da natureza movimentariam e acomodariam a areia, deixando a praia com 30 a 35 metros de areia. Na obra, a prefeitura dragou 400 mil metros cúbicos de areia do fundo do mar para a orla, um investimento de R$ 10,5 milhões.
Como o investimento foi alto e a prefeitura pretende repeti-lo em outras duas praias de Florianópolis, Jurerê e Ingleses, os moradores de Canasvieiras ficaram preocupados.
Para o afinador de pianos Theo Cassoli, 48 anos, a situação serve de alerta. Ele mora há 12 na Ilha e há três perto do canto esquerdo da praia de Canasvieiras.
Cassoli acompanhou de perto a obra de alargamento da praia e relatou como está o local hoje: “O que deu pra perceber foi um desgaste depois dessa última maré alta. Retirou uma boa camada de areia”.
Segundo o próprio Cassoli, entretanto, o impacto não foi tão grande, limita-se ao canto esquerdo e, mesmo dele, ainda sobra uma boa faixa de areia, porém, a camada mais fofa e maior, foi embora.
Segundo morador, canto esquerdo da praia perdeu a parte fofa da areia – Foto: Leo Munhoz/ND“Ficou uma areia mais compacta. Vamos ver quanto tempo resiste, porque o movimento natural do mar tem tudo pra ir levando aos poucos”, acredita o morador. Ainda segundo Cassoli, a ação da maré formou um pequeno barranco no canto esquerdo, com cerca de um metro de altura.
“Quando vi na quinta-feira pensei: ‘nunca mais vai voltar ao normal’. Agora que baixou a maré deu pra ver que não foi tão grave”, afirmou Cassoli. O morador acredita que é preciso entender se o que ocorreu é normal. “Cabe aos especialistas trabalharem, porque tem projeto para outros lugares”, disse o morador.
O geólogo Rodrigo Sato, 46 anos, disse que o fenômeno é normal. “O processo erosivo está acontecendo no mundo inteiro. Como houve engordamento, a situação ficou mais de um ano estabilizada, agora, voltou a erodir”, afirmou Sato. Na opinião dele, a prefeitura tem que garantir a reposição da areia o mais rápido possível.
Secretário defende a obra: “rigorosamente dentro do planejado”
O secretário municipal de Infraestrutura, Valter Gallina, minimizou o dano. Segundo ele, quando fez o projeto, a prefeitura estimou que haveria redução natural pela ação do mar.
“Quando dá lua cheia com maré alta, acontece, principalmente naquele canto esquerdo. Mesmo assim, hoje [19 de abril], com maré alta, tinha 25 metros de largura. Quando definimos o projeto, fizemos 45 metros de largura e dissemos que estabilizaria com 25 a 30 metros, com as grandes marés”, afirmou Gallina.
O secretário disse que a surpresa positiva é que dos 2.450 metros de extensão da praia, 85% estão exatamente como após o engordamento, ou seja, com 45 metros de largura. No canto esquerdo, segundo o secretário, a praia se estabilizou conforme o estimado, com 25 a 30 metros de extensão.
Secretário disse que degrau vai sumir na próxima maré – Foto: Leo Munhoz“Um dos melhores oceanógrafos do mundo, Rafael Bonanata, fez esse projeto. É o mesmo que fez para Ingleses e Jurerê. Por isso a nossa tranquilidade e por isso deu tão certo. Está muito melhor do que imaginamos e tudo rigorosamente dentro do planejado”, declarou Gallina.
Sobre o degrau que se formou no canto esquerdo da praia, o secretário disse que, na próxima maré, a situação se normaliza. “O mais importante é o desenvolvimento econômico que esse projeto trouxe a Canasvieiras, a geração de emprego e renda e a auto-estima dos moradores”, ressaltou Gallina.
Alargamento em Ingleses e Canasvieiras
A prefeitura chegou a lançar duas licitações para realizar obra idêntica de alargamento em Ingleses e Jurerê, ambas no Norte da Ilha. No momento, entretanto, elas estão paradas, porque o Tribunal de Contas fez questionamentos ao projeto.
“O principal é por que fazer dois deslocamentos de draga, quando bastava um só. Nós mandamos para eles a resposta na semana passada, dizendo que são duas obras e duas licitações”.
De acordo com Gallina, se uma empresa vencer as duas licitações, aí sim, será apenas um deslocamento de draga. Ele acredita, entretanto, que duas empresas diferentes vencerão os processos licitatórios.
Verão foi movimentado em Canasvieiras e alargamento elogiado por moradores – Foto: Leo Munhoz/ND“Temos que fazer as duas praias simultaneamente, porque só podemos trabalhar de agosto até final de dezembro. Se não, só em agosto do ano que vem. Não podemos trabalhar em outro momento por causa da pesca da tainha. Foi uma explicação convincente que passamos ao tribunal e imaginamos que virá um aceno positivo”, afirmou o secretário.
A expectativa dele é que o tribunal responda nesta semana e que a prefeitura consiga dar continuidade à licitação. Segundo ele, diversas empresas já demonstraram interesse em participar, inclusive empresas europeias, da Holanda, da Dinamarca e da Bélgica.