Rio do Brás volta a ficar coberto por vegetação e a exalar mau cheiro, em Florianópolis

Moradores denunciam despejo de esgoto na água, que está novamente coberta por um tapete verde de plantas que se proliferam em espaços poluídos. Não há prazo para nova limpeza

Foto de Paulo Rolemberg

Paulo Rolemberg Florianópolis

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Mau cheiro, mosquitos e uma paisagem que mais parece um tapete verde por causa da proliferação de macrófitas – plantas que crescem em águas. E neste caso, poluídas. Essa é a situação do rio do Brás, em Canasvieiras, Norte da Ilha.

Mau cheiro vindo do rio incomoda os moradores – Foto: Leo Munhoz/NDMau cheiro vindo do rio incomoda os moradores – Foto: Leo Munhoz/ND

A necessidade de nova limpeza é urgente, já que a proliferação excessiva dessa vegetação indica alta concentração de nitrogênio e fósforo, por causa da poluição da água, que acaba “sufocando” o rio, bloqueia a luz do sol e retira o oxigênio da água.

A última limpeza ocorreu entre os meses de novembro do ano passado a fevereiro deste ano e resultou, segundo a Prefeitura de Florianópolis, em uma retirada 1,5 mil toneladas da vegetação. Mas a natureza agiu e a vegetação voltou com força total.

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O que se observa na situação atual é que o rio do Brás está represado e praticamente transformado numa lagoa. Somente em poucos metros se pode ver a água.

Segundo os moradores da região, o surgimento das macrófitas começou há três anos, quando o rio foi fechado definitivamente. E desde então vem crescendo sem controle.

Moradores denunciam que URA (Unidade de Recuperação Ambiental) da Casan não funciona. Empresa nega – Foto: Leo Munhoz/NDMoradores denunciam que URA (Unidade de Recuperação Ambiental) da Casan não funciona. Empresa nega – Foto: Leo Munhoz/ND

De acordo com informações da Floram (Fundação Municipal de Meio Ambiente), o processo de crescimento das macrófitas, essas plantas aquáticas que formam um verdadeiro tapete, é muito prejudicial.

Ele se deve, basicamente, ao acúmulo de matéria orgânica decorrente de um processo histórico, tanto de extravasamento da estação elevatória da Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento), quanto de lançamentos irregulares de efluentes.

O problema dos lançamentos irregulares, de acordo com a Floram, vem sendo combatido no trabalho do projeto Se Liga na Rede. Os técnicos percorrem as margens do rio do Brás procurando eventuais irregularidades e despejos de efluentes domésticos e comerciais e conscientizando a população.

Caminhão de esgoto despejado no rio

Segundo os moradores da rua Murilo Antônio Bortoluzi, que fica às margens do rio, o mau cheiro de esgoto começou na semana passada. E só amenizou por causa das chuvas que caíram na região no último sábado (23). Eles denunciam que caminhões jogaram esgoto no rio durante a madrugada, o que resultou nesse odor.

“A água ficou escura e o mau cheiro era insuportável. Todos tiveram que manter as janelas todas fechadas. Como choveu recentemente, deu uma melhorada”, observa César Strack, que mora há três anos na rua.“Quando chega umas seis horas da tarde ninguém consegue ficar na porta de casa, muito mosquito”, contou ele.

Morador César Strack diz que a sensação é de abandono do rio – Foto: Leo Munhoz/NDMorador César Strack diz que a sensação é de abandono do rio – Foto: Leo Munhoz/ND

Além do desconforto trazido pelo mau cheiro, Strack se diz preocupado com a proliferação do mosquito Aedes aegypit, responsável pela transmissão de doenças como dengue, zika e chikungunya.

Os moradores também reclamam que a URA (Unidade de Recuperação Ambiental) da Casan instalada no rio não está funcionando. O local, segundo eles, tem servido como moradia e para descanso de pequenos jacarés e capivaras.

Outro lado

O secretário municipal de Meio Ambiente, Fábio Braga, informou que será feita verificação no local e tomadas providências. Caso a URA esteja desligada, será notificado o fato à Casan e à agência reguladora.

Segundo Braga, há um projeto de revitalização do rio, em parceria com Casan, para remoção do material orgânico do fundo do rio e urbanização das margens. Ele lembrou que a cada seis meses é realizada a limpeza hidrográfica na cidade.

O secretário ressaltou que foi feita nova limpeza no Brás há menos de um mês e que agora a prioridade da equipe da Secretaria de Meio Ambiente é o combate à dengue. Portanto, prefere não fazer previsão de prazo para uma nova limpeza no rio.

A Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) informou que a Unidade de Recuperação Ambiental no rio do Brás está funcionando normalmente.

A empresa reforçou que a Estação Elevatória não possui extravasor, portando, não procede a informação de que há extravasamento de esgoto bruto no Rio do Brás. “A poluição no local se dá pelo lançamento de esgoto lançado por ligações irregulares no sistema de drenagem.”

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