Luiz Henrique Terhorst saiu de Itapiranga, no extremo-Oeste catarinense, rumo à Capital em 2014, para cursar de biologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) – tendo complementado a formação em sustentabilidade empresarial pela italiana Università Bocconi.
Interessado em meio ambiente desde a faculdade, ele trabalhou com licenciamento ambiental e passou a se envolver com empresas que queriam ser melhores para o planeta.
Em 2019, junto da administradora Julia Sens, fundou o Carbon Free Floripa, dedicado a neutralizar o carbono emitido pelas empresas por meio do plantio de árvores.
SeguirCom a expansão iniciada em 2021, o nome mudou para Carbon Free Brasil, estendendo a ação para São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais.
Luiz Henrique Terhorst, cofundador do Carbon Free Brasil – Foto: Acervo Carbon Free Brasil/Divulgação/NDComo surgiu o Carbon Free Brasil?
O Carbon Free Brasil surgiu em Florianópolis como uma iniciativa local (Carbon Free Floripa). Essa é uma bandeira que levantamos bastante: a do impacto local.
Queremos contribuir com as cidades onde vivemos com o plantio local de árvores nativas, que ajudam nossas cidades com ar puro, água pura, morros mais verdes, etc.
Com o passar do tempo, fomos levando essa proposta para outras cidades. Hoje, estamos em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte, além de Florianópolis.
O Selo leva o nome de cada cidade onde se localiza (Carbon Free Floripa, Carbon Free São Paulo, Carbon Free Rio…), e o plantio das árvores também acontece localmente, de cidade em cidade, construindo um Brasil mais sustentável.
Por que o interesse pelo meio ambiente e por esta forma de atuação?
Desde a faculdade de biologia, sempre me interessei mais pela área de meio ambiente. Quando estava na metade, comecei a trabalhar com o licenciamento ambiental, que é muito importante para o desenvolvimento sustentável, mas é uma área que trabalha muito na iminência de alguma degradação ambiental (implantação de empreendimentos, corte de árvores, etc.).
Assim, busquei a sustentabilidade empresarial, onde consigo direcionar e trabalhar com aquelas empresas que querem ser melhores para o planeta, adequando seus processos e melhorando sua relação com o meio ambiente. Isso me motiva bastante, pois trabalho com os melhores clientes do mundo: aqueles que buscam ajuda para serem melhores para a sociedade e o planeta.
O Carbon Free também realiza algum tipo de ação com escolas ou população em geral?
Sabemos que grande parte dos impactos ambientais da nossa sociedade são causados por atividades de empresas. Queremos atacar este problema primeiro. Por isso, atualmente, trabalhamos apenas com empresas (independentemente do porte).
Como a emissão de carbono emitido por empresas é neutralizada?
Neutralizamos as emissões da empresa com o plantio de árvores nativas. Para isso, realizamos primeiro o estudo técnico de quanto carbono a empresa emite, através de dados que coletamos mensalmente com a organização (consumo de energia, deslocamentos, consumo de água, etc).
Calculamos, então, o número de árvores necessárias para a compensação dessas emissões e realizamos o plantio e manutenção dessas mudas ao longo de quatro anos.
Com a realização do estudo técnico e da neutralização do carbono com o plantio de árvores, a empresa recebe a certificação e pode fazer o uso do Selo Carbon Free.
Sempre que possível, incluímos a equipe da empresa no momento do plantio das árvores, o que colabora também com a formação da consciência ambiental e dissemina uma cultura de sustentabilidade dentro da organização.
Quais são os critérios para a escolha das espécies?
Somente plantamos árvores nativas. Entendemos a importância de nossa biodiversidade e de preservá-la. Em cada projeto de recuperação, nós avaliamos o tipo de solo, localização da área, relevo, etc. para entender que espécies se adaptam bem e montamos um mix próximo daquele que encontraríamos normalmente na natureza. Nossa intenção com isso é recuperar uma mata próxima à original daquele local.
Carbon Free Brasil planta somente espécies nativas de cada localidade – Foto: Acervo Carbon Free Brasil/Divulgação/NDNa Grande Florianópolis, quais são as árvores mais frequentes plantadas pelo Carbon Free?
Varia de local para local. Algumas espécies que sempre aparecem são o garapuvu (árvore símbolo da cidade), a aroeira, o araçá, grumixama, jerivá, ingá e a guabiroba, para citar algumas.
Que vantagens as empresas têm ao neutralizarem a emissão de carbono?
Cada vez mais as empresas têm sido cobradas em relação à sua atuação com o meio ambiente pelos seus clientes, parceiros e investidores. Assim, aquelas empresas que possuem ações concretas para diminuir seu impacto ambiental saem na frente.
Diversas pesquisas apontam que os consumidores estão dispostos a pagar mais por produtos sustentáveis, e que as empresas sustentáveis lucram mais e são mais duradouras.
Isso mostra que não é assunto “do futuro” – quem não toma ações hoje já está ficando para trás. Assim, ao buscarem o Selo Carbon Free, as empresas estão mostrando a seus clientes a sua preocupação com a cidade em que vivem e com o meio ambiente. Isso contribui muito com a imagem institucional e com a reputação da empresa.
Dado extra: em uma pesquisa que rodamos em uma campanha na semana do aniversário de Florianópolis – com, aproximadamente, 300 respostas de pessoas de todos gêneros, idades e classes sociais –, encontramos alguns dados interessantes: 85% das pessoas afirmaram já terem deixado de comprar algo por ser ruim para o meio ambiente. Além disso, 60% dos respondentes não sentem que os estabelecimentos se preocupam com a cidade.
Na Grande Florianópolis, como tem sido a receptividade e adesão dos empresários, do poder público e de outros agentes envolvidos neste processo?
Na mesma pesquisa, encontramos que 70% dos donos de empresas em Florianópolis sentem que a sustentabilidade já impacta o seu estabelecimento de alguma maneira. Assim, percebemos uma grande aceitação, principalmente por se tratar de algo que contribui com a própria cidade. Atualmente, na Grande Florianópolis, somamos mais de 800 árvores plantadas e mais de 7.000 metros quadrados de mata nativa sendo restaurados.
O eventos que reúnem muitas pessoas, como shows e congressos, também podem ser Carbon Free. Como é feito isso?
Tudo que fazemos emite carbono. Os eventos, onde há muitos deslocamentos, consumo de energia e geração de resíduos, não deixariam de ser diferentes. É possível medir a quantidade de carbono emitida por cada parte do evento e neutralizá-la com o plantio de árvores.
Antes da chegada da pandemia, inclusive, neutralizamos um show em Florianópolis, da abertura da temporada 2020 do Floripa Jazz, importante festival da cidade. Com a retomada, esperamos poder voltar a realizar eventos sustentáveis.
Há alguma ação/campanha do Carbon Free para breve?
No dia 4 de outubro, iremos realizar uma ação de plantio em uma área anexa ao Zoo de Pomerode, onde contribuiremos com a construção de uma área mais saudável e arborizada para os animais, enquanto neutralizamos o carbono emitido pelo transporte da Coca-Cola para o litoral catarinense, através da empresa Goulart Transporte.
Equipe comemora mais um plantio de árvores – Foto: Acervo Carbon Free Brasil/Divulgação/ND