SC está entre o cinco estados com o menor área de desmatamento, aponta relatório nacional

Segundo dados do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, o Estado desmatou 68% a menos que em relação a 2022; segundo o IMA, fiscalização e conservação da Mata Atlântica são prioridades

Leandra Cruber e Geovani Martins Florianópolis

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Com 734 hectares de área desmatada, 68% a menos que em 2022, Santa Catarina está entre os cinco estados brasileiros com as menores taxas de desmatamento. Os dados são do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil e têm como base a realidade ambiental de 2023.

redução de desmatamento na mata atlânticaMata Atlântica é o bioma predominante em SC; IMA diz que conservação é prioridade – Foto: Adrio Centeno/IMA/Reprodução/ND

Em solo catarinense, o bioma que predomina é a Mata Atlântica. E o levantamento mostra que, no Brasil, o ecossistema em questão teve queda de 59% se comparado a 2022. O dado contempla todos os estados que são abraçados pela mata, como Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro e outros.

No entanto, o Estado possui alguns vetores em destaque que têm acelerado o desmatamento de determinadas áreas, como a agropecuária. A atividade é responsável pela perda de 97% da vegetação nativa do Brasil nos últimos cinco anos.

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Em 2022, por exemplo, um condomínio foi erguido no Sul de Florianópolis. Ele estava parcialmente localizado em área de preservação – Foto: Google Earth/Reprodução/NDEm 2022, por exemplo, um condomínio foi erguido no Sul de Florianópolis. Ele estava parcialmente localizado em área de preservação – Foto: Google Earth/Reprodução/ND

A expansão urbana, principalmente sem o planejamento necessário, também tem contribuído para o desmatamento em Santa Catarina. Segundo o engenheiro florestal Lauri Schorn, que atua como conselheiro do CREA-SC, o crescimento das cidades tem a ver com trabalho.

“Além do plano diretor de cada município é necessário seguir a legislação estadual e federal, especialmente em relação a questões de parcelamento de solo urbano e à legislação ambiental. A expansão urbana atualmente segue regras bastante claras”, explica.

Soluções para diminuir — ainda mais — o desmatamento

Schorn ressalta ainda que o reflorestamento e a moradia, compreendida como um direito constitucional, são questões que devem andar juntas. Uma das possibilidades é valorizar as áreas verdes das cidades, como praças, e incentivar a criação de novas.

“Significa seguir o que está definido no código florestal a respeito de áreas de preservação permanente, áreas de uso limitado e áreas em que é possível o uso. Isso inclui a arborização urbana e a criação ou expansão de áreas verdes para turismo, lazer, educação ambiental e conservação”, ressalta.

O Parque Malwee, em Jaraguá do Sul, é referência em preservação ambiental. Local possui lagoas, pistas para caminhadas e corridas, restaurantes, quadras esportivas e muitas áreas verdes. – Foto: Divulgação/Prefeitura de Jaraguá do SulO Parque Malwee, em Jaraguá do Sul, é referência em preservação ambiental. Local possui lagoas, pistas para caminhadas e corridas, restaurantes, quadras esportivas e muitas áreas verdes. – Foto: Divulgação/Prefeitura de Jaraguá do Sul

Ainda que de forma menos significativa, as áreas desmatadas em Santa Catarina também têm relação com eventos climáticos extremos e à mineração.

As ações do IMA

Para a equipe técnica do Instituto de Meio Ambiente (IMA), a queda nos dados tem a ver com a fiscalização, principalmente da Lei da Mata Atlântica, além da criação de unidades de conservação.

“São dez unidades estaduais que protegem quase 118 mil hectares de áreas da Mata Atlântica, onde a biodiversidade é estudada e conservada”.

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