O governo de Santa Catarina formalizou nesta semana um protocolo de intenções no qual assume compromissos para as mudanças climáticas, junto aos estados-membros do Codesul (Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul), entidade composta também pelo Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul.
O protocolo foi assinado no Egito durante a COP 27, a conferência da ONU sobre mudanças climáticas. O Executivo catarinense é representado pelo secretário estadual do Meio Ambiente, Leonardo Schorcht Bracony Porto Ferreira; e pelo presidente do IMA (Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina), Daniel Vinicius Netto.
Comissão do Meio Ambiente do Codesul, no Egito, durante a realização da COP 27 – – Foto: SEDEST/Divulgação/NDA iniciativa dos estados institui algo como um “bloco ambiental” dentro do Conselho, fundado em 1961 e que tem como foco o desenvolvimento da economia e da infraestrutura na região. “Queremos colocar as questões climáticas também como prioritárias”, pontua Porto Ferreira.
SeguirAs regiões que não contam com um trabalho coordenado e organizado para resolver os problemas impostos pelas mudanças climáticas “passam longe” dos fundos ambientais, explica o secretário.
“Queremos criar uma agenda em conjunto, fazendo frente a blocos formados por estados do Nordeste e da Amazônia, que atraem mais investimentos”.
No próximo mês será realizada a primeira ação do núcleo, que consiste em um fórum de mudanças climáticas.
Representantes se reúnem com iniciativa do Reino Unido
Para Ferreira, a iniciativa já trouxe resultados. O núcleo realizou primeira reunião durante a própria COP 27, com representantes da iniciativa inglesa Race To Zero – “corrida para zerar” em português literal, em referência à redução dos gases de efeito estufa, propósito central do grupo.
“Eles apresentaram uma proposta para realizar nos quatro estados que consiste em um ‘inventário de gás de efeito estufa’. Consiste na contabilização do gás de efeito estufa emitido nos diversos setores da economia, para que os estados saibam o quanto precisam reduzir e quanto emite cada área”, explica.
Esse ‘raio-x’ é um pré-requisito para a elaboração de políticas públicas voltadas para a redução do problema do efeito estufa – e que sejam efetivas. No fórum marcado para o próximo mês está prevista a criação de um grupo de trabalho que viabilize a implantação da iniciativa.
Outras ações
O governo de Santa Catarina também pretende compartilhar com os demais estados-membros informações e o código-fonte do Simad (Sistema Integrado de Monitoramento Ambiental), ferramenta de monitoramento ambiental. Por meio de imagens de satélite é controlado o desmatamento no Estado.
Durante um painel, os representantes do Estado também apresentaram a Política Estadual de Transição Energética Justa, lei proposta pelo governador Carlos Moisés (Republicanos) e sancionada em janeiro deste ano e que visa promover a implementação da energia limpar sem a geração rupturas sociais ou ambientais.
Os catarinenses retornam ao Estado nesta quinta-feira (17), dia de encerramento da COP 27.