Seca piora em 1 ano em SC e safra de milho e soja são as mais afetadas

As regiões do Oeste, Extremo Oeste e Planalto Norte são as que mais sofrem com a falta de chuva

Maria Joana Chapecó

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Um levantamento com estimativa de perdas para as lavouras catarinenses, foi divulgado na sexta-feira (21) pela Epagri/Cepa. O motivo são as chuvas irregulares e mal distribuídas desde dezembro do ano passado. As regiões do Oeste, Extremo Oeste e Planalto Norte são as que mais sofrem com a falta de chuva.

Produtores do Oeste já calculam as perdas e procuram alternativas para suprir os prejuízos – Foto: Ricardo Wolffenbuttel/Governo do Estado/Divulgação/NDProdutores do Oeste já calculam as perdas e procuram alternativas para suprir os prejuízos – Foto: Ricardo Wolffenbuttel/Governo do Estado/Divulgação/ND

Segundo o relatório, a safra de milho pode sofrer uma perda de em média 43%, já a soja cerca de 30%. A estiagem iniciou ainda em novembro de 2021, quando mais de 50% das lavouras de milho estavam em fase de floração, período sensível à falta de umidade no solo. A continuidade da estiagem e das altas temperaturas podem aumentar ainda mais as perdas.

Segundo o engenheiro-agrônomo da Epagri/Cepa, Haroldo Tavares Elias, o impacto no rendimento das lavouras é diferente em cada região, de acordo com déficit hídrico. “A redução da produtividade é muito variável, sendo estimada entre 20 a 80% entre e dentro das microrregiões geográficas. Em várias regiões o efeito da estiagem acarreta perdas na produção acima de 40%”, explica.

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O baixo índice de chuva está relacionado ao “La Niña”, fenômeno climático que provoca a diminuição da temperatura das águas do oceano pacífico tropical central e oriental e isso impacta o regime de chuvas. Em janeiro de 2022, o déficit hídrico se prolonga, caracterizando a anomalia climática.

Milho

A previsão inicial para Santa Catarina era de uma produção de 2,79 milhões de toneladas do grão na primeira safra. A área cultivada no estado se estabiliza em cerca de 330 mil hectares, de acordo com o Infoagro. A estimativa da Conab para a safra brasileira do milho caiu perto de cinco milhões de toneladas: a previsão inicial era 117,18 milhões de toneladas e agora a estimativa está em 112,9. O preço da saca do milho em Santa Catarina no início de 2022 está em cerca de R$95,00.

Soja

A estimativa brasileira de produção da safra 2021/22 teve um reajuste, passando de 142,79 milhões de toneladas para 140,5 milhões de toneladas, também ocasionada por problemas climáticos adversos à cultura, principalmente no sul do Brasil. As regiões catarinenses onde se concentram a maior área de cultivo são Canoinhas, Xanxerê, Curitibanos e Campos Novos, que somam mais de 55% do total cultivado no estado. Os prejuízos são diferenciados entre as regiões em função do calendário de plantio.

Cresce área de seca

Conforme dados do Monitor de Secas do Brasil, divulgado pela ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), o estado registrou o avanço da estiagem principalmente em municípios que ficam no Oeste de SC. O relatório destaca ainda que a área de seca extrema no Estado cresceu durante dezembro de 2021 em relação aos meses anteriores.

O Monitor de Secas é um processo de acompanhamento de severidade das secas no Brasil com base em indicadores climáticos. – Foto: Monitor de Secas do Brasil/Divulgação/NDO Monitor de Secas é um processo de acompanhamento de severidade das secas no Brasil com base em indicadores climáticos. – Foto: Monitor de Secas do Brasil/Divulgação/ND