Semana do Meio Ambiente alerta para poluição por plástico no Brasil; praias de SC preocupam

Estudo divulgado em 2024 mostrou a presença de plástico em 100% das praias brasileiras; dentre os estados com maior densidade de microplásticos por metro quadrado, SC lidera ranking

Foto de Vivian Leal

Vivian Leal Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp
Microplástico no oceanoA presença de microplásticos é reflexo da contaminação plástica global – Foto: Canva/ND

Celebrada no início de junho desde 1973, a Semana Mundial do Meio Ambiente reforça a importância das boas práticas para preservação dos recursos naturais do planeta Terra. Neste ano, o tema é o “O Fim da Poluição Plástica Global”, que tem como um dos principais agentes, o microplástico.

O objetivo da ONU (Organização das Nações Unidas) é conscientizar a população a respeito da poluição provocada por esse tipo de resíduo, que pode demorar até 500 anos para se decompor.

Segundo a ONU, o mundo produz mais de 430 milhões de toneladas de plástico todos os anos. Do total, dois terços são produtos de vida curta e que logo se tornam resíduos, indo parar nos oceano. Muitas vezes, no caso do microplástico, também na cadeia alimentar humana.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir
Plástico coletado em Balneário CamboriúPlásticos e microplásticos são encontrados em toda costa brasileira – Foto: Laboratório de Mergulho Científico da Escola do Mar da Univali/Divulgação/ND

Plásticos e microplásticos são encontrados em toda costa brasileira

No Brasil, um estudo divulgado em 2024 mostrou a presença de plástico em 100% das praias brasileiras. Na mesma linha, os microplásticos foram encontrados em 97% delas. A capital catarinense, Florianópolis, ocupava o topo deste ranking.

O estudo realizado pela organização Sea Shepherd Brasil, em parceria com o Instituto Oceanográfico da USP, ao longo de 16 meses, visitou 201 municípios, do Chuí (RS) ao Oiapoque (AP). No total, foram percorridos 700 quilômetros do litoral brasileiro. Durante a análise, foi comprovada existência de resíduos plásticos em uma área equivalente a 22 campos de futebol.

Desse total, 91% eram plásticos — sendo 61% itens descartáveis, como tampas de garrafa. Entre os macrorresíduos, o maior volume encontrado foi de bitucas de cigarro. A pesquisa, divulgada em setembro de 2024, também revelou que praias mais isoladas e protegidas, como áreas de proteção integral, estão entre as mais afetadas por resíduos plásticos de uso único.

Praias de Santa Catarina preocupam, mostra levantamento

Segundo o levantamento da Sea Shepherd Brasil, as cidades do Sul e Sudeste são as mais impactadas pela incidência de plástico e microplástico. Entre as localidades pesquisadas, a praia do Pântano do Sul, em Florianópolis, apresentou os maiores níveis de contaminação do país.

Praia do Pântano do Sul, em FlorianópolisEstudo aponta que a Praia do Pântano do Sul, em Florianópolis, é a praia mais poluída do Brasil pela presença de microplásticos – Foto: Divulgação

Dentre os estados com maior densidade de microplásticos por metro quadrado, Santa Catarina lidera o ranking com 18,071. O segundo colocado, estado da Paraíba, soma 13.063. As localidades com maior densidade de microplástico por metros quadrados são:

  • Pântano do Sul (Florianópolis-SC) – 144.1667;
  • Praia de Dentro (Mongaguá-SP) – 83.0000
  • Praia do Rizzo (Florianópolis-SC) – 78.6667
  • Praia do Botafogo (Rio de Janeiro-RJ) – 55.6667
  • Mariluz (Imbé-RS) – 51.0000

Ao longo do estudo, foram coletados 16 mil fragmentos de microplástico e 72 mil macrorresíduos. Em média, há 4,5 microplásticos por metro quadrado e 0,5 macrorresíduos por metro quadrado nas praias brasileiras. Um, a cada 12 itens coletados nas prais, são filtros de cigarro.

As regiões Sudeste e Sul lideram em resíduos plásticos maiores e microplásticos. Já três das cinco praias mais poluídas por macrorresíduos estão no Rio Grande do Norte.

Garrafas podem soltar microplásticos na água mineral – Foto: Reprodução/NDGarrafas podem soltar microplásticos na água mineral – Foto: Reprodução/ND

Contrapontos

À época em que o estudo foi publicado, a prefeitura de Florianópolis afirmou que os microplásticos nas praias não resultam de poluição local, mas sim “de resíduos transportados por correntes oceânicas oriundas de outras regiões”.

O IMA (Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina), por sua vez, disse que à época que o trabalho realizado pela Sea Shepherd Brasil não estava relacionado com a balneabilidade da região.

*Com informações da Agência Brasil.