Em seu 17º aniversário, o jornal ND promove o projeto Super 17, que nesta quarta-feira (30), reúne pesquisadores, jornalistas e sociedade para discutir o saneamento básico de Florianópolis em um seminário. No evento, a discussão da importância do planejamento hídrico ganhou protagonismo.
Problemas hídricos são discutidos no evento do Grupo ND – Foto: Leo Munhoz/NDEmerilson Gil Emerim Coordenador de Meio Ambiente do Movimento Floripa Sustentável, falou sobre o colapso que a cidade pode passar por falta de planejamento.
“Quando falamos de água de qualidade, devemos lembrar que a água é um recurso finito. Todos os recursos hídricos de Florianópolis estão poluídos. Eu tiro por mim quando cidadão, quando criança a gente tomava banho no Rio Capivari, hoje ele é praticamente um esgoto à céu aberto”, explica.
Previstos pela Política Nacional de Recursos Hídricos, os Planos de Recursos Hídricos são documentos que definem a agenda dos recursos hídricos de uma região, incluindo informações sobre ações de gestão, projetos, obras e investimentos prioritários.
De acordo com o coordenador, é preciso planejar, ou as mudanças climáticas podem trazer consequências ainda mais graves para Florianópolis.
“Precisamos discutir o problema antes que ele aconteça. Isso não é bom para o meio ambiente, nem para as pessoas, nem para o poder público”, fala.
Para ele, é preciso ter uma boa estação de tratamento hídrico.
Pedro Joel Horstamnn, Diretor de Operação e Expansão da Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento), diz que há um sistema integrado de abastecimento e que novas obras serão feitas.
“Há um planejamento da Casan, fazemos investimentos pontuais para fazermos melhorias na rede de distribuição. A Casan está fazendo um grande investimento no Rio Cubatão, para garantir o abastecimento da população. Teremos uma adutora de 1.300 mm. O local tira 3 mil litros por segundo para abastecimento da população”, diz.
Segundo o coordenador, há regiões da cidade que ainda precisam de ajustes. Ele admite que uma das metas da companhia é trocar o máximo de redes possíveis das pistas de rolamentos, principalmente onde a prefeitura for pavimentar, para evitar retrabalho e garantir investimento irregular.
Evento discute saneamento básico em Florianópolis e recursos hídricos – Foto: Léo Munhoz/NDSegundo a Casan, a bacia do Rio Cubatão é de importância estratégica para a região da Grande Florianópolis, pois nela estão localizados os Rios Vargem do Braço e Cubatão, que são os mananciais de captação para abastecimento de água de cinco municípios da região.
Apesar da existência de rígida legislação ambiental, que prevê a proteção das florestas e a consequente preservação dos mananciais, a realidade é bastante diferente do ideal que poderia ser conseguido pela aplicação rigorosa da lei.
Em todo o Estado, a supressão da mata ciliar é uma das maiores ameaças à qualidade dos recursos hídricos, uma vez que favorece o assoreamento dos rios, as enchentes e a contaminação por esgotos e efluentes industriais.
Com relação específica ao Rio Cubatão, a retirada da mata ciliar, o despejo de esgoto doméstico, a extração de areia e a agricultura vêm gradativamente degradando tanto as margens como a qualidade e quantidade de suas águas.
Drenagem urbana
“Se não fazemos bem uma coisa, não fazemos bem as outras. O ideal é que a gente sempre prevaleça com a solução. Precisamos entender que vivemos em um país continental, cada gerador vai ter a melhor solução para aquele caso”, diz Bruno Muehlbauer Diretor executivo de Desenvolvimento da Veolia.
Para ele, tudo dentro do saneamento básico está interligado e precisa ser feito de forma singular.
A drenagem urbana é responsável por drenar as águas das chuvas e evitar inundações, comuns em Santa Catarina devido ao volume de chuvas.
Este tipo de drenagem, é constituído por um sistema de Microdrenagem – estruturas que, inicialmente, coletam as águas da chuva nas áreas urbanas, formadas por bueiros e tubulações secundárias de menor diâmetro – e por um sistema de Macrodrenagem – conjunto de galerias de águas pluviais, canais artificiais e canais naturais modificados, localizados em fundos de vale, que se constituem nos grandes troncos coletores das águas de chuva em áreas urbanizadas ou em processo de urbanização.
À medida que a cidade cresce e se desenvolve, nascem áreas onde há maior aglomeração populacional e, por consequência, a impermeabilização do local, que impede a infiltração das chuvas no solo.
Os problemas hídricos
O coordenador da Casan admitiu que há problemas hídricos em Florianópolis.
“Há alguns problemas hídricos. As pessoas de uma forma ou de outra têm abastecimento, mas há ligações irregulares. O ideal seríamos fazer o corte, mas há pessoas de baixa renda, elas querem se regularizar, mas não conseguem. Hoje, na Vila Aparecida, por exemplo, é difícil que tenha um sistema regular”, fala.
Em janeiro deste ano, a Casan deu a estimativa de que há ao menos 6 mil ligações irregulares de água em Florianópolis. A forma clandestina causa um prejuízo de R$ 300 mil mensais para a empresa.