Cacau Menezes cacau.menezes@ndtv.com.br

Apaixonado pela sua cidade, por Santa Catarina, pelo seu país e pela sua profissão. São 45 anos, sete dias por semana, 24 horas por dia dedicados ao jornalismo

Suspensão das demolições em Naufragados, no Sul da Ilha, é sensível, sensata e necessária

Três casas estavam a ponto de serem destruídas no final da manhã quando chegou a decisão do do desembargador Júlio Knoll.

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Por Guia Manezinho – Rodrigo Stüpp – Interino
contato: guiamanezinho@gmail.com

Acompanhei vibrando junto com a comunidade de Naufragados a decisão judicial do Desembargador Júlio Knoll que mantém as famílias morando na praia mais ao Sul da Ilha.

Três casas seriam demolidas por estarem em área de preservação ambiental. A destruição de uma chegou a iniciar quando a ordem chegou enquanto uma força-tarefa de segurança estava no local.

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Demolição de imóveis na Praia de Naufragados é suspensa – Foto: Reprodução/NDDemolição de imóveis na Praia de Naufragados é suspensa – Foto: Reprodução/ND

O caso parece um daqueles flagrantes quando algo “legal” talvez não seja legítimo. Não é difícil pensar em outros exemplos de construções irregulares em Floripa com uma renda per capita ligeiramente maior.

Rama Florencio, ativo nas redes sociais e criador do perfil SOS Naufragados, usava os vídeos para pedir ajuda de quem quer que fosse.

Nos últimos dias, falamos rapidamente enquanto a a mãe dele,  que tem 75 anos, colocava coisas em sacolas e mais sacolas. Ela luta pra permanecer há quase meio século.

– Conseguimos, conseguimos galera, mais uma vez conseguimos! celebrou Rama, abraçando quem aparecia pela frente, em um vídeo publicado no Instagram.

Nas dezenas de vezes que fiz a trilha de Naufragados, desde guri pequeno, a família do Rama sempre foi gentil e atenta às questões do meio-ambiente, pedindo, por exemplo, cuidado com os resíduos.

Acompanhei também os nativos recolhendo o que tinha sido deixado por visitantes e vi mutirões sendo feitos com resíduos sendo levados de barco e de trilha.

De longa data, lembro da história que o Mazinho do Espírito Santo, outro morador da região, me contou sentando num banquinho de madeira e e dedilhando o violão.

– Minha família tem registro nesta região desde 1874. Meu trisavô era faroleiro e tem restos da estrutura da casa dele até hoje. Somos a memória viva desse lugar!

Ou seja: para além da importante preservação ambiental, os moradores de Naufragados carregam consigo o intangível patrimônio imaterial, aquele que faz a diferença para a existência de uma comunidade.

Por isso, a decisão do desembargador é sensível, sensata e necessária.

Processo é antigo

O processo é antigo (2007/2008) e houve um mundaréu de pedidos e recursos. Na época, as casas estavam dentro do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro.

Depois, Naufragados virou unidade chamada Área de Proteção Ambiental do entorno Costeiro. Ainda assim, as casas estavam em área de Preservação permanente de restinga

Praia de Naufragados em Florianópolis – Foto: Divulgação/Arquivo NDPraia de Naufragados em Florianópolis – Foto: Divulgação/Arquivo ND

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