O verão é a temporada mais importante no litoral catarinense, quando o fluxo de turistas movimenta ainda mais a economia das cidades. Para os mais aventureiros, que gostam de trilhas e de contato com a natureza, vale prestar atenção aos cuidados para evitar acidentes com animais peçonhentos e saber diferenciar as espécies venenosas das não venenosas.
Muitos desses animais têm o verão como seu período de acasalamento – Foto: Pexels/Reprodução/NDÓrgãos de segurança, como a PMA (Polícia Militar Ambiental), Bombeiros e GMF (Guarda Municipal de Florianópolis), orientam que, ao se deparar com essas espécies, ligue para o 193 (Bombeiros) ou 153 (na região de Florianópolis) da GMF para retirada do animal (em caso de encontros no interior de residências ou terrenos). Não tente capturar ou se aproximar desses animais. Em caso de acidentes (picadas), é importante ir à UPA mais próxima imediatamente.
As cobras ilustram o imaginário popular com a ideia de animais extremamente venenosos e que, com uma simples picada, podem levar imediatamente o homem à morte. Mesmo essa afirmação sendo correta em muitos casos, certas espécies de cobras são totalmente inofensivas e de suma importância ao equilíbrio ambiental da região.
SeguirConheça algumas das espécies mais comuns da Mata Atlântica
Caninana
As cobras Caninanas (Spilotes pullatus) ou “Rateiras” podem chegar até 3 metros de comprimento, são consideradas a maior espécie da Mata Atlântica e não possuem dentes injetores de veneno, logo são consideradas como não peçonhentas. Ativa durante o dia, é uma espécie terrestre e arborícola (sobe em árvores), tem grande habilidade tanto no chão quanto em árvores. Alimenta-se de ratos, preás, cuícas, rãs, lagartos, cobras, morcegos e outros vertebrados, por isso seu apelido é “Rateira”.
Cobra Cipó
A Cobra Cipó (Chironius Exoletus) é um animal de comportamento diurno, terrestre e arborícola (costuma viver em árvores), se alimenta de ratos, sapos, pássaros entre outros. Pode chegar até 120 cm de comprimento e é do tipo áglifa (não possui presas venenosas).
Coral Falsa
Ao contrário de sua irmã gêmea, a Coral Falsa apresenta diversas espécies que não apresentam perigo ao ser humano, pois são espécies Opistóglifas (dentes ficam localizados na parte de trás da sua boca) assim dificultando a inoculação de veneno, por isso é considerada não peçonhenta.
A Coral Falsa é carnívora, alimenta-se de ratos, lagartos e ovos de outras cobras. De hábitos noturnos, essa cobra, quando ameaçada, realiza movimentos erráticos (mudança bruta de postura) e esconde a postura.
Coral Verdadeira
A Coral Verdadeira (Micrurus corallinus) é considerada a mais venenosa do País, embora seja a menor causadora de acidentes com humanos. Os dentes se encontram na parte da frente (anterior) da boca, impossibilitando a cobra de injetar esse veneno nas partes grossas (na perna por exemplo). Por isso, embora seja muito perigosa, os acidentes com essa serpente são raros.
A Coral é também uma serpente de hábitos noturnos e diurnos, ativa sob o solo e folhiço. Alimenta-se de cobra-cega, lagartos, minhocão e etc.
Jararaca
A Jararaca (Bothrops jararaca) pode chegar até 1,5 metro de comprimento, possui dentes inoculadores de veneno anteriores ocos (peçonhenta). É ativa durante o dia e a noite, é terrestre e pode ser encontrada entre arbustos. Sua alimentação é baseada em pequenos roedores (ratos, cuícas e preás) e pássaros .
Essa espécie é responsável por um papel muito importante no controle da população de ratos.
Importância ecológica e medicinal
É de extrema importância a presença desses animais no ecossistema catarinense, seja para o controle da população de outras espécies como também para fins medicinais. Diversos remédios foram extraídos de proteínas encontradas na peçonhas das cobras.
Hipertensos e pessoas com doenças cardíacas e circulatórias devem muito às jararacas. Pesquisas conduzidas no Brasil descobriram o potencial do veneno dessas serpentes, o que originou um dos mais populares medicamentos para pressão alta, o Captopril.