Já se passaram três anos da conclusão das obras de despoluição da avenida Beira-Mar Norte, em Florianópolis, e a água do mar continua imprópria no local. O projeto de R$ 14 milhões, lançado pela Casan em 2018, rendeu até promessas de banho no mar na época. Segundo a companhia, o objetivo não era despoluir a Baía Norte, mas fazer o tratamento do esgoto irregular jogado na rede de drenagem pluvial está sendo feito.
Mesmo com obras de despoluição, água da Beira-Mar Norte continua imprópria em Florianópolis – Foto: Divulgação/ND“Esse tratamento tá sendo feito com eficiência. Então, o que chega hoje aqui impuro na nossa unidade de recuperação dos 15 pontos de coleta que tem aqui na Beira-Mar é tratado aqui na estação e vai para o mar com qualidade que pode ser depositada no mar”, explicou o diretor de operações e expansão da Casan, Pedro Joel Horstmann.
A Casan estima que desde 2019 a estrutura com 15 elevatórias impediu o despejo de 1.500 toneladas de lixo e lodo direto no mar. Por dia, 750 mil litros de esgoto são tratados na URA. Para a prefeitura, mesmo sem a balneabilidade, a cidade tem atualmente outra Beira-Mar Norte.
O atual prefeito, Topázio Neto, considera que “nesses três anos a situação evoluiu muito positivamente”. Ele, que é morador do Centro, destacou as melhorias no local. Entre elas, a redução do cheiro de esgoto.
Para despoluir de fato a Baía Norte, entre a ponte Hercílio Luz e a Ponta do Coral, onde foi realizada a intervenção, a Casan afirma que seriam necessárias mais obras. Conforme Horstmann, “todo esse lodo que foi retirado nesses três anos, no passado, era depositado no fundo do mar. Para poder ter essa balneabilidade, talvez precise de uma obra complementar. Ou remover esse lodo, ou fazer um alargamento da praia. E esse lodo que tá depositado no fundo seja retirado”.
O Município avalia com cautela: “O que nós não podemos ter é um investimento grande da cidade construir redes de esgoto e o cidadão decidir não ligar na rede de esgoto e continuar conectado na rede pluvial, que vai acabar desaguando aqui na URA. O novo plano municipal que tá sendo encaminhado para a Câmara de Vereadores prevê essa parceria maior entre o cidadão e a sociedade”, ponderou o prefeito.
Vinicius Ragghianti é o presidente da Acesa (Associação Catarinense de Engenheiros Sanitaristas e Ambientais). Na visão dele, o projeto falhou. “Ou nós não calculamos bem a capacidade que a URA tinha de tratar a carga que chega na baía de um dia ou a gente subestimou a carga que chega de outras parcelas da bacia que a gente não controla”, afirmou.
Dos 3.160 imóveis inspecionados pelo programa “Se Liga na Rede”, 2841 tinham algum problema na região central. Segundo o coordenador da empresa responsável pela execução das vistorias, Rudson Ricardo, “geralmente se encontra a ausência da caixa de gordura, esse é um ponto de 80% dos imóveis. Ausência ou a falta de manutenção dela, o que ocasiona o entupimento de rede. Outra situação é a alteração do projeto do imóvel, quando se cria uma edícula ou uma cozinha a mais, um banheiro”.
O Conselho Municipal de Saneamento elaborou uma minuta sobre a nova política de esgotamento sanitário da Capital. Entre as propostas estão a maior transparência no tratamento do esgoto de Florianópolis, responsabilização do cidadão neste processo e a possibilidade de contratar outras prestadoras do serviço caso a Casan não dê conta da demanda. O documento vai ser analisado pela Câmara Municipal.
Casan e prefeitura não afirmam se um dia teremos uma Beira-Mar Norte despoluída, própria para o banho. O que a engenharia comprovou é que uma ação isolada não vai resolver o problema.
“Tem como chegar lá, mas a gente tem todo esse processo de conscientização, educação, engenharia e infraestrutura e o monitoramento constante disso”, disse Ragghianti.
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.