UFSC envia proposta ao Ministério do Meio Ambiente para combater crise sanitária em SC

Documento assinado por pesquisadores propõe alternativa ao tratamento de esgoto tradicional, além da criação de um comitê para gerenciamento de crise

Redação ND Florianópolis

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A UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) enviou uma carta à ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, com uma proposta de combate à crise sanitária e ambiental no litoral brasileiro, especialmente em Santa Catarina.

Florianópolis enfrenta uma epidemia de diarreia e UFSC envia carta ao Ministério do Meio Ambiente – Foto: Leo Munhoz/NDFlorianópolis enfrenta uma epidemia de diarreia e UFSC envia carta ao Ministério do Meio Ambiente – Foto: Leo Munhoz/ND

No momento, Florianópolis enfrenta uma epidemia de diarreia, com mais de 1.500 casos em crianças e adultos, e grande parte das praias está sem balneabilidade.

O documento assinado por pesquisadores da universidade propõe a implantação de sistemas modulares de biorremediação com algas, ou seja uma alternativa ao tratamento de esgoto tradicional, além da criação de um comitê para gerenciamento da crise.

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O professor Paulo Horta, do Departamento de Botânica, explica que esses sistemas são diversificados e que a própria UFSC já os estuda. Ao menos duas técnicas têm bons resultados em países como Espanha e Estados Unidos: os tapetes de algas filtrantes e a produção de algas em tanques.

Conforme os estudos, ambos absorvem contaminantes, produzem oxigênio e substâncias químicas que ajudam no controle biológico e químico da água.

“Sistemas modulares podem ser instalados rapidamente e contribuem com o aumento da saúde dos ecossistemas costeiros”, aponta Horta. Além disso, a biomassa produzida por esses sistemas pode ter diferentes usos, aumentando a sustentabilidade e viabilidade econômica das iniciativas.

A prefeitura de Florianópolis, porém, informou que a UFSC não procurou a administração para apresentar “nenhum tipo de proposta de intervenção em relação ao tema”.

Segundo o Núcleo de Dados e Investigação do ND+, Florianópolis possui um índice de cobertura de esgoto de 65,7%. A cidade referência em turismo tem o menor índice de saneamento entre as capitais da região Sul e do Sudeste brasileiro.

Pontos próprios para banho

O IMA (Instituto do Meio Ambiente) iniciou na terça-feira (10) um cronograma de reuniões com os municípios para debater a melhoria da balneabilidade no litoral. Na pauta, ações para aprimorar as coletas, o tratamento de esgoto e a drenagem pluvial.

“A ideia é construir um diálogo propositivo com as prefeituras para potencializar medidas que visam melhorar os índices de balneabilidade nas praias do estado”, explica o presidente do IMA, Daniel Vinicius Netto.

Segundo a prefeitura de Florianópolis, no último relatório divulgado pelo IMA, dos 22 pontos das praias de Canasvieiras, Jurerê e Ingleses, locais com grande procura no verão, 21 deram resultado possível para banho.

“No entanto, a metodologia adotada pelo IMA, com base no CONAMA, prevê que precisará de mais dois resultados positivos para apontar a praia como própria”, diz a prefeitura.

Assim, a administração avalia ser correto o método adotado pelo IMA, bem como sua análise em laboratório, mas defende aumentar a frequência das coletas.

“Sabemos que a metodologia do IMA tem base no conselho nacional e está correta. O que queremos é aumentar a frequência para evitar que praias que são tradicionalmente balneáveis fiquem semanas apontadas como impróprias, quando elas já estão próprias”, explicou o prefeito Topázio Neto.

 “Ligações à rede coletora são deficientes”

A Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) afirma trabalhar para ampliar o atendimento de coleta e tratamento em Florianópolis e em outras cidades de Santa Catarina.

Mesmo assim, aponta que regiões atendidas, como é o caso de Canasvieiras, com mais de 90% de cobertura, “ainda são recorrentes os problemas de balneabilidade, especialmente após períodos de chuvas”.

Conforme a companhia, programas como o “Floripa Se Liga na Rede” e “Trato Pelo Capivari” demonstram como “as ligações à rede coletora são ainda deficientes, assim como ainda é uma realidade a ligação de esgoto clandestino nas redes de drenagem”.

“São dados que demonstram que o saneamento e a conservação ambiental são ações que precisam ser compartilhadas”, diz a companhia em nota.

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