Vida eterna: cientistas espanhóis decifram genoma de água-viva imortal

Espécie de água-viva, comum no mundo todo, volta à fase jovem depois que atinge a idade adulta. Como aplicar isso em humanos?

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Redação ND Florianópolis

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Não é fantasia, mas pura ciência. Uma água-viva encontrada tanto no Atlântico quando no Oceano Pacífico é estudada por cientistas porque podem ser a “fonte da juventude”. Ela simplesmente é imortal, melhor dizendo, tem capacidade de voltar à fase jovem depois de adultas. Pode fazer isso indefinidamente.

Reprodução da água-viva Turritopsis dohrnii, que teve o genoma decifrado: imortal – Foto: ReproduçãoReprodução da água-viva Turritopsis dohrnii, que teve o genoma decifrado: imortal – Foto: Reprodução

Por isso, cientista da Universidade de Oviedo, na Espanha, conseguiram sequenciar o genoma da espécie Turritopsis dohrnii. Ela pertence a uma família extensa de corais e anêmonas com capacidade de regeneração assombrosa, mas ela vai além. E é isso que motivou os pesquisadores a mergulharem no estudo, buscando pistas sobre deterioração das células e envelhecimento. O objetivo final, claro, como aplicar isso em humanos.

Eles já sabem que o ciclo da vida dessa água-viva é dividido em partes. Na espécie, a fecundação resulta em uma larva, que se desloca ao fundo do mar para se fixar em uma superfície sólida. Em seguida são liberadas como pólipos, se soltando como pequenas verrugas. São as chamadas “éfiras”, uma evolução da larva, porém uma “larva livre nadante”. A partir daí elas se desenvolvem para a maturidade sexual e o ciclo recomeça.

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É nessa fase que o incrível pode acontecer, caso a pequena água-viva sofra algum tipo de estresse ou ameaça do meio ambiente. Ela se torna pólipo de novo, reiniciando todo o processo de desenvolvimento corporal. De acordo com os cientistas, esse processo pode ser repetido indefinidamente, o que é algo exclusivo da espécie. Mas vale lembrar que estamos falando de envelhecimento, não de fatalidades, como acidentes ou a cadeia alimentar.

Quem está à frente dos trabalhos é o cientista Carlos López Otín, do Instituto Universitário de Oncologia da Universidade de Oviedo. Ele conseguiu sequenciar o genoma da Turritopsis dohrnii. Agora, em estudos comparativos com espécies semelhantes, tenta encontrar o segredo dessa regeneração contínua. Não é fábula, mas ciência.

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