VÍDEO: Lontras criadas em cativeiro são soltas na natureza pela primeira vez em Florianópolis

As duas lontras foram criadas na Lagoa do Peri, em Florianópolis; elas são filhas de Nanã, lontra resgatada ainda bebê após ser localizada mamando no corpo da mãe sem vida sob a Ponte Hercílio Luz

Foto de Redação ND

Redação ND Florianópolis

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Filhotes 'gêmeos' de lontra foram soltos na natureza, após serem criados em Unidade de Conservação em Florianópolis, como parte do projeto para frear a extinção da espécie - Foto: Projeto Lontra/Reprodução/NDFilhotes ‘gêmeos’ de lontra foram soltos na natureza, após serem criados em Unidade de Conservação em Florianópolis, como parte do projeto para frear a extinção da espécie – Foto: Projeto Lontra/Reprodução/ND

Duas lontras-neotropicais criadas na Unidade de Conservação da Lagoa do Peri, em Florianópolis, conheceram a natureza pela primeira vez na última quarta-feira (4) após serem soltas.

Os dois animais, que possuem cerca de oito meses, são um macho e uma fêmea. Eles são filhotes da lontra Nanã, que foi resgatada ainda bebê em 2016 pela Polícia Ambiental ao ser encontradas debaixo da Ponte Hercílio Luz, tentando mamar no corpo da mãe que, segundo a necropsia, morreu por traumatismo craniano em decorrência de agressões.

A soltura dos “gêmeos”, como os filhotes são chamados pelos pesquisadores da Lagoa do Peri, representa um marco na conservação da espécie, que está ameaça de extinção. Eles foram criados no âmbito do Projeto Lontra, criado em 1986 para desenvolver atividades de pesquisa, educação ambiental e mobilização social na Lagoa do Peri.

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Veja registros da soltura:

Lontras foram soltas na natureza – Vídeo: Projeto Lontra/Reprodução/ND

Primeiras movimentações dos animais na natureza foram acompanhadas por um drone – Vídeo: Projeto Lontra/Reprodução/ND

Animais serão acompanhados na natureza

A soltura oferece uma nova chance para animais que, vítimas de maus-tratos, ações humanas ou impactos das mudanças climáticas, não podem retornar diretamente à natureza, mas ainda assim contribuem para a continuidade de sua espécie.

Após a soltura, os animais serão monitorados pelas chamadas “armadilhas fotográficas” – quando câmeras digital são colocadas em um meio selvagem para captar imagens sem a necessidade de presença humana -, além de observações de campo e análise de vestígios como pegadas, fezes e marcações de odor. Esses métodos auxiliam na identificação dos hábitos e na avaliação da adaptação ao novo ambiente.

Na região, já foram mapeadas sete tocas habitadas pela espécie, segundo os pesquisadores. O acompanhamento também se estenderá aos corredores ecológicos que conectam fragmentos de vegetação nativa e garantem o fluxo da fauna e flora locais.

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    'Gêmeos' são filhotes de lontra resgatada debaixo da Ponte Hercílio Luz - Projeto Lontra/Reprodução/ND
    'Gêmeos' são filhotes de lontra resgatada debaixo da Ponte Hercílio Luz - Projeto Lontra/Reprodução/ND
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    A mãe dos 'gêmeos', Nanã, havia sido encontrada ainda filhote tentando se amamentar da sua mãe que estava morta - Projeto Lontra/Reprodução/ND
    A mãe dos 'gêmeos', Nanã, havia sido encontrada ainda filhote tentando se amamentar da sua mãe que estava morta - Projeto Lontra/Reprodução/ND
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    Filhotes foram criados com Nanã na Lagoa do Peri - Projeto Lontra/Reprodução/ND
    Filhotes foram criados com Nanã na Lagoa do Peri - Projeto Lontra/Reprodução/ND
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    Dupla foi solta na natureza na última quarta-feira (4) - Projeto Lontra/Reprodução/ND
    Dupla foi solta na natureza na última quarta-feira (4) - Projeto Lontra/Reprodução/ND
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    Pesquisadores soltaram os filhotes na natureza como parte do projeto de frear a extinção da espécie - Projeto Lontra/Reprodução/ND
    Pesquisadores soltaram os filhotes na natureza como parte do projeto de frear a extinção da espécie - Projeto Lontra/Reprodução/ND

Lontras-neotropicais são uma espécie em ameaça de extinção

As lontras da espécie Lontra longicaudis estão na lista vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza). No Brasil, a espécie é classificada como “quase ameaçada”, mas em países vizinhos, como a Argentina, as lontras figuram como “em perigo”, nível que considera a espécie como já ameaçada.

Além da perda de habitat, as lontras também sofrem com a poluição dos rios, caça ilegal e tráfico de animais silvestres. Segundo os pesquisadores do projeto, a soltura em Florianópolis pretende não apenas reintroduzir os animais na natureza, mas também aumentar a conscientização sobre os desafios que a espécie enfrenta.