A maioria das roupas criadas para pessoas que atendem a uma numeração 46 ou acima disso geralmente é de baixa qualidade. Na maioria das marcas as etiquetas não são bem vistas do ponto de vista ambiental: seus procedimentos são pouco transparentes e as peças são feitas, em sua maioria, de poliéster. Tecidos sintéticos, no mundo todo, requerem 70 milhões de barris de minério para serem produzidos.
E as coleções destinadas ao público plus size são lançadas com frequência, com roupas que podem deixar de serem usadas na semana que vem, ou seja, de baixa qualidade.
Fashion and style com vestuário plus size- Reprodução/ Instagram @marcafala/NDO que vai totalmente contra o conceito slow fashion , que é um movimento que incentiva o consumo de peças atemporais e versáteis, que não serão descartadas tão facilmente.
SeguirE é nessa questão que eu quero chegar, queremos que o slow fashion esteja disponível para o tamanho plus size.
Com várias ideias a mil, duas amigas, Luciana Cestino e Alline Fregne, criaram a marca Fala. “Não fazemos muitos modelos e, toda vez que lançamos um novo, tiramos outro de linha. Pensamos em peças de malha, 100% algodão, mas com corte e costura de alfaiataria, para terem durabilidade e serem atemporais. Priorizamos, também, cores sólidas porque queremos que as roupas sejam usadas de diversas formas”, fala Luciana.
Pré-pandemia, elas tinham poucas unidades de cada modelo no estoque. Agora, dão prioridade para os pedidos sob demanda.
Além de ser slow fashion, a marca Fala nasceu também para ser all size, o que quer dizer, para todos os tipos de corpos! E a iniciativa veio das experiências das fundadoras pois uma veste P e tamanho 38 e outra G1 e tamanho 46.
Moda com mais inclusão e menos impacto ambiental, elas encontraram problemas quando chegaram na confecção das peças. “A gente teve uma dificuldade enorme em encontrar modelistas que cortam roupas plus size, porque a mesa de corte não está preparada e os profissionais não aprenderam a fazer esse tipo de modelo”, diz Luciana Cestino.
Pois para que uma peça caia bem no corpo gordo, não basta que ela seja maior, ela precisa de uma costura dupla, maior proteção entre coxas e braços, sem contar que custa o dobro para produzir, tornando tudo um desafio a mais para a dupla.
Mesmo assim, o slow fashion plus size ainda é um mercado muito novo, de acordo com Valeska Nakad. “Ainda está sendo desenvolvido e mudanças levam tempo”, fala a especialista.
Mas Flávia Durante afirma que os consumidores gordos devem forçar a aceleração desse processo. “Ainda mais com a pandemia. As pessoas plus estão passando a exigir mais qualidade, mais ética. A gente está começando a ter uma educação sobre o processo de educação e inserção da moda. É inevitável que o slow fashion se torne mais plus size”, diz a ativista.
Eu adorei a iniciativa dessa marca afinal, fazer roupa para pessoas magras é muito fácil agora vestir quem tem aquele pesinho extra já é mais difícil! E como essa existem várias outras, espero que gostem!