Conheça estilista de Joinville que transforma roupas velhas em peças inéditas

Formada em moda, Isadora Dourados deu início ao seu negócio produzindo suas próprias peças a partir de processo conhecido como upcycle

Foto de Fernanda Silva

Fernanda Silva Joinville

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A paixão pela moda  transformou a vida de Isadora Dourados. Aos 25 anos, ela criou a própria marca de roupas, a Dorgas, que une sua paixão e o cuidado pelo meio ambiente. A jovem estilista de Joinville, cidade no Norte do estado, utiliza roupas antigas para criar peças inéditas, processo conhecido como upcycle, ou seja, reutilização.

Joinvilense usa peças antigas para criar inéditas – Foto: Luan Baeta/Dorgas/DivulgaçãoJoinvilense usa peças antigas para criar inéditas – Foto: Luan Baeta/Dorgas/Divulgação

“Eu transformo roupas que encontro em brechós em novas peças, aumentando a vida útil dessa matéria prima visando diminuir o impacto ambiental provocado pela indústria da moda”, conta a joinvilense.

Enquanto ainda estudava moda na Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), Isadora deu início a um brechó. Depois de formada, começou seu negócio, onde cria seus próprios modelos.

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“Com os projetos de extensão da faculdade fui vendo mais sobre a reutilização de resíduos têxteis e pensando as possibilidades para o desenvolvimento do meu projeto de final de curso que foi todo desenvolvido com camisetas e calças jeans encontradas em brechós. Pós faculdade não via sentido em iniciar algo ou entrar em outros projetos que não tivessem a ver com moda e sustentabilidade”, conta.

Hoje, Isadora trabalha em casa, junto com suas duas máquinas de costura. As vendas acontecem pela internet e em feiras, com peças para pronta entrega ou encomenda dos modelos.

Isadora Dourados – Foto: Luan Baeta/DivulgaçãoIsadora Dourados – Foto: Luan Baeta/Divulgação

Preocupação ambiental

Segundo o relatório Fios da Moda, publicado pelo Instituto Modefica em 2021, o cultivo, tingimento, confecção e uso do algodão são as principais causas dos danos ambientais causados pela fibra. Além disso, químicos usados em seu cultivo, como pesticidas tóxicos e ambientalmente persistentes, ainda são amplamente utilizados em diversos países.

O poliéster , por exemplo, causa impactos ambientais associados ao uso de energia e de combustíveis fósseis. Em relação ao uso da água, toda a quantidade necessária para a produção da fibra sintética volta poluída ao ecossistema, aponta o relatório Fios da Moda.

Já a produção de viscose está diretamente ligada ao desmatamento. Segundo o levantamento, cerca de 30% da viscose é proveniente de árvores de florestas nativas e ameaçadas de extinção, incluindo a Amazônia.

“O mercado de peças de segunda mão pode ensinar muito às pessoas. O atual modelo de consumo tem diversos problemas de impacto global, como grande consumo hídrico, geração de ‘lixões’ de peças de roupas não consumidas, descarte acelerado de roupas. Resumindo, se gasta um monte de água, de combustível para roupas chegarem às lojas, não serem vendidas e mais combustível para serem descartadas em grandes lixões em países subdesenvolvidos”, explica Gabriela de Marco, administradora e especialista  em Comunicação Estratégica e Branding.

Gabriela de Marco, administradora e especialista em Comunicação Estratégica e Branding – Foto: DivulgaçãoGabriela de Marco, administradora e especialista em Comunicação Estratégica e Branding – Foto: Divulgação

Reação dos consumidores

Em seu trabalho de conclusão de curso (TCC), Gabriela estudou sobre os impactos do mercado da moda e quais são as motivações para o consumo de peças de segunda mão, ou seja, já usadas.

A grande quantidade de produção e descarte destas peças se tornou um problema global, mas que tem solução, afirma a especialista. “Repensando na hora da compra e na hora do desapego.”

Gabriela verificou durante o trabalho que, justamente a questão ambiental, era uma das que mais levava as pessoas a consumirem peças de brechós ou upcycle.

Por meio das respostas dos questionários, a maioria das pessoas revelaram que sua motivação era comprar de segunda mão para ajudar a combater o desperdício. Em seguida, veio a questão econômica, já que as pessoas responderam que pelo mesmo valor pode-se comprar mais peças de segunda mão do que novas.

“Está pesquisa foi realizada em 2019, acredito que de lá pra cá o mercado está ainda maior e mais consciente”, diz Gabriela.

Para Isadora, além da consciência de consumo, a ideia do upcycle também tem se espalhado pela exclusividade.

“As pessoas ficam muito fascinadas com a ideia de que aquela roupa era uma outra coisa antes. Poder contar a história da roupa que está usando é algo que os clientes curtem muito. Por não conseguir escolher os mesmos materiais para desenvolver as peças, as roupas de upcycle acabam tendo uma estética mais marcante, então tem muita gente que gosta das peças por conta da exclusividade, ninguém mais vai ter a mesma combinação de tecidos que você”, conta.

Uma das peças criadas por Isadora, um top dupla face, ou seja, com duas estampas – Foto: Dorgas/DivulgaçãoUma das peças criadas por Isadora, um top dupla face, ou seja, com duas estampas – Foto: Dorgas/Divulgação
Modelos criados por Isadora – Foto: Dorgas/DivulgaçãoModelos criados por Isadora – Foto: Dorgas/Divulgação

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