Elvis não morreu! Saiba quem é o cover manezinho do artista em Florianópolis

Admiração pelo rei do rock, talento e estilo inconfundível; confira a trajetória, dificuldades e desafios de quem procura manter o legado de Elvis Presley aceso

Foto de Bruno Benetti

Bruno Benetti Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

O “manezinho da Ilha, com especialização no Estreito”, em Florianópolis, Daniel Andrade do Herval, de 43 anos, vai completar 10 anos fazendo apresentações como cover de Elvis Presley, em 13 de julho de 2023. Chamado de Dani’Elvis, ele empolga as noites de Florianópolis.

Herval participa há mais de um ano como convidado do programa Manezinho Básico, da rádio Guarujá, em Florianópolis, todos os sábados das 10h30 ao meio-dia. “A proposta (no programa) é falar sobre o cotidiano regional predominando bastante o bom humor e irreverência”, conta.

Dani’Elvis na ponte Hercílio Luz – Foto: Leo Munhoz/NDDani’Elvis na ponte Hercílio Luz – Foto: Leo Munhoz/ND

Ele também trabalha eventualmente como motorista de aplicativo para complementar a renda, enquanto busca se recolocar no mercado de trabalho.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

História

Daniel Andrade do Herval é casado há 14 anos com a grande incentivadora Tárcia Tatiana Cechetto e tem um filho, Eduardo Boell Vaz do Herval, de 16 anos, com a ex-esposa. Ele mora atualmente em Barreiros, São José, com dois enteados, Pedro, 21 anos, e João, de 18.

Também tem uma irmã, Débora, de 53 anos, e um irmão Sandro, de 51 anos. Ele conta que o irmão foi um “grande vocalista de bandas de heavy metal em Florianópolis nos anos 80” e se inspirou nele.

Formado em Direito, profissão que optou por não exercer por não ter se identificado, Herval trabalhou por três anos vendendo máquinas de café e insumos. E também como diretor da biblioteca Barreiros Filho entre 2011 e 2013.

De lá, foi para a Secretaria Municipal do Continente, onde trabalhou no orçamentário/financeiro e depois no Pró-Cidadão até o final de 2014. Entre 2015 a 2017, Herval trabalhou na Câmara de Vereadores de Florianópolis, sendo sete anos como servidor público municipal.

Foi quando trabalhava na secretaria municipal que despertou a veia artística de Dani’Elvis .

Elvis Presley

Fã da banda inglesa Iron Maiden, o artista conta que escutou Elvis Presley pela primeira vez em 1996 com o amigo Marcelo Lobato, e começou a ouvir histórias sobre o artista.

Assim, Dani’Elvis passou a brincar com o karaokê em parceria com o amigo Cláudio Moreira, que disse a ele que seu timbre de voz era como do Elvis. Foi em uma festa à fantasia, onde foi com a esposa, que o talento de artista surgiu. “Fui subestimado pelo DJ na festa e ele colocou Suspicious Mind, do Elvis”.

Daniel e Cláudio Moreira cantando no karaokê no Bolha’s, bar tradicional de Florianópolis – Foto: Aquivo Pessoal/ Daniel do Herval/Divulgação/NDDaniel e Cláudio Moreira cantando no karaokê no Bolha’s, bar tradicional de Florianópolis – Foto: Aquivo Pessoal/ Daniel do Herval/Divulgação/ND

Ele revela que não era um “grande fã de Elvis” e foi “gostando do artista ao longo do processo”, mas sempre quis fazer parte de uma banda. “É a realização de um sonho”, pontua. “Era muito cru no início, mas valeu a pena”, avalia.

Ao vivo

As mais de 100 apresentações de Dani’Elvis até hoje têm bastante interação com o público, com distribuição de echarpes ao público e performances de todos os clássicos do roqueiro norte-americano em casamentos, bares e festas em geral.

Ele já se apresentou em tradicionais bares de Florianópolis, como Armazém Vieira, Divino Gastroclub, Brand Centro de Eventos, Liffey Pub e Liverpool, entre outros. Antes da pandemia era comum se apresentar em eventos da Afalesc (Associação dos Funcionários da Assembleia Legislativa Santa Catarina).

Dani’Elvis é a realização do sonho de artista de Herval – Vídeo: Arquivo pessoal/Divulgação/ND

“Ao final das minhas apresentações vou de mesa em mesa para tirar fotos, teve uma vez que ‘me dei mal’, pois a festa da Afalesc (Associação dos Funcionários da Assembleia Legislativa Santa Catarina)  tinha 1,1 mil pessoas, no salão de festas principal da ACM (Associação Catarinense de Medicina), e demorei duas horas para terminar os cumprimentos”, se diverte.

Dificuldades e inspirações

Dani’Elvis lembra também do voluntariado que fez no Cepon (Centro de Pesquisas Oncológicas), trajado como o cantor norte-americano em datas importantes como Dia das Mães, dos Pais e das Crianças e também de como conseguia instrumentos para as performances.

Dani’Elvis se apresentando no Cepon – Foto: Arquivo Pessoal/ Daniel do HervalDani’Elvis se apresentando no Cepon – Foto: Arquivo Pessoal/ Daniel do Herval

“Conheci pessoas maravilhosas. Eles cediam a caixa e foi fundamental para meu início, hoje tenho microfone sem fio, mesa de som, caixa ativa, pedestal”.

O artista conta que começou a fazer shows solo em 2013 e sempre dependeu dos outros. Ele aponta a questão financeira como uma dificuldade para se equiparar a outros covers.

“A cada apresentação investia em algum item, seja na indumentária, ou mesmo em equipamentos, por isso consigo levar toda a estrutura para fazer show na casa das pessoas”.

Outra pessoa que serviu de inspiração para o artista foi o amigo Carlos Moacir Daussen, fã de Elvis, que o abasteceu com muito material do rei do Rock’n’Roll. “O público do Elvis é muito comprometido”, diz.

Dani’Elvis se apresentou no aniversário de 70 anos de seu pai Laurici, que participou do coral da igreja Nossa Senhora de Fátima com a mãe Rosenir, outras grandes inspirações para ele.

O manezinho também tocou em bares de Coqueiros para atrair público e chegou a fazer aula de canto para se aprimorar e  incorporar o personagem. “Elvis me cativou. Procuro algo próximo da fase teatral dele”, pontua.

Dani’Elvis com o echarpe que costuma presentear os fãs – Foto: Leo Munhoz/NDDani’Elvis com o echarpe que costuma presentear os fãs – Foto: Leo Munhoz/ND

Apesar de não tocar nenhum instrumento, o artista sempre leva o violão nas apresentações, como Elvis fazia quando se apresentava. “Eu entro com a alma, é o meu diferencial”.

Com as costeletas permanentes, Dani’Elvis conta que é necessário muita perseverança para ser reconhecido no meio musical, em Florianópolis. Ele procura fazer as apresentações como cover de Elvis Presley “de coração” e quer “continuar evoluindo”.

Como é ser reconhecido como Elvis?

Dani’Elvis conta que “vibra muito” quando é reconhecido e as costeletas  contribuem para isso. “Não é por mim, mas sempre para exaltar o Elvis Presley, o ser humano e seu legado como artista, o melhor de todos os tempos. Por essa razão, digo que canto com a alma”.

Dani’Elvis interage com o público na Praça da Luz, em Florianópolis – Foto: Leo Munhoz/NDDani’Elvis interage com o público na Praça da Luz, em Florianópolis – Foto: Leo Munhoz/ND

O artista se diz “muito orgulhoso, lisonjeado e agradecido, pois todos têm algum tipo de referência do rei, seja uma memória afetiva, lembrança de um momento da vida, um ente querido, os filmes, a época rockabilly ou a fase mais teatral e cênica dos anos 70”.

“Sou muito mais feliz em perceber que as pessoas se sentem melhores com meu trabalho, no passado dizia que minha missão na Terra era fazer os outros rirem, hoje é emocionar”.