Coordenador do Samba de Terreiro Florianópolis, Carlos Raulino, fala à coluna sobre o projeto que acaba de completar cinco anos e que faz o resgate do samba de quadra.
As rodas que aconteciam na Escadaria do Rosário – e que ainda estão sendo virtuais por conta da pandemia – terão nova edição nesta terça-feira (8).
Carlos Raulino, coordenador do projeto Samba de Terreiro Florianopolis – Foto: Divulgação/NDNo aniversário de cinco anos do projeto, como você vê o cenário do samba em Florianópolis?
Comecei no samba pesquisando e produzindo a história do samba para o Grupo Bom Partido. Vim do Morro da Caixa, ajudei na fundação de grupos de velhas guardas das escolas de samba de Florianópolis e outros projetos. Nesses 25 anos no meio do samba, nunca tinha visto um momento tão difícil para quem é músico, com poucos shows e cachês pequenos.
Para o showman mais conhecido até houve alguns poucos projetos governamentais nos últimos dois anos, mas aquele que é tocador de batuques e cordas, muitas vezes desconhecido pelo poder público ficou desassistido na pandemia.
Qual o grande mérito nesses cinco anos e o grande desafio do projeto?
O mérito é poder conseguir manter, quase todos os dias, em torno 50 pessoas conversando e mantendo vivo o projeto. São músicos, jornalistas, produtores e pesquisadores unidos pelo único intuito de divulgar o samba de quadra ou o que chamamos de samba de terreiro, que fez tanto sucesso nas comunidades urbanas e ajudou tanto esse ritmo a virar marca brasileira.
O primeiro samba de terreiro nasceu no Estácio, bairro do Rio. Depois com o surgimento do samba enredo, o samba de quadra ou de terreiro só abria o samba das escolas de samba nos ensaios – a partir de 1970, desapareceu o samba de terreiro ou de quadra das escolas.
A importância do grupo é justamente esse resgate e divulgação de um tipo de samba, lembrando que muitas das composições que do nosso repertório e são apresentadas nas nossas rodas da escadaria nem chegaram a ser gravadas. Estão na memória oral de pessoas ligadas ao samba.
Projeto em Florianópolis acaba de completar cinco anos – Foto: Divulgação/ND“Não deixe o samba morrer” fala a música de Edson Conceição e Aloísio Silva. O Samba de Terreiro Florianópolis é referência nacional e significa memória e resistência?
O projeto traz para a atualidade uma parte da nossa cultura, da história do passado das comunidades urbanas, as favelas, os morros. Músicas do cotidiano das comunidades urbanas do Brasil que escolheram o samba para representá-las.
O grupo tem feito pesquisas que servem de referência para o país. Canta desde os primeiros sambas feito para uma escola de samba, final dos anos 1920 no Velho Estácio de Sá, até sambas que representaram comunidades de Florianópolis.