Em 21 de abril deste ano, os ex-integrantes dos Engenheiros do Hawaii Augusto Licks (guitarra) e Carlos Maltz (bateria) voltaram a tocar juntos e ao vivo depois de 30 anos. O esperado reencontro ocorreu em Porto Alegre, terra natal dos músicos.
A emoção do momento — tanto dos envolvidos quando do público — serviu de inspiração para a turnê nacional “Licks & Maltz com Engenheiros Sem Crea” que começa aqui em Florianópolis no dia 9 de agosto, no John Bull, na Lagoa da Conceição – ingressos à venda neste link.
Augusto Licks e Carlos Maltz conversavam desde antes da Pandemia sobre a possibilidade de voltar a tocar as canções clássicas dos Engenheiros do Hawaii. Ideia que se concretizou neste ano e que no dia 9 de agosto, no John Bull, dará início à turnê nacional de “Licks & Maltz com Engenheiros Sem Crea” – Foto: GLAUCO MALTA/DIVULGAÇÃO“Tenho muita saudade de Florianópolis, faz mais de três décadas desde última vez em que me apresentei na cidade. De lá para cá, ao longo dos anos, muitos amigos se mudaram para residir nesse local abençoado pela natureza”, afirma Licks sobre a futura passagem pela Ilha de Santa Catarina.
SeguirA apresentação, nominada “Licks & Maltz com Engenheiros Sem CREA”, conta ainda com Sandro Trindade (baixo e voz) e Jeff Gomes (guitarra e violão) — ambos do tributo Engenheiros Sem CREA. O repertório é composto de clássicos da banda gaúcha, como ‘Toda Forma de Poder’, ‘Somos Quem Podemos Ser’, ‘Terra de Gigantes’, ‘Refrão de Bolero’, ‘O Papa é Pop’ e ‘Infinita Highway’.
Licks e Maltz gentilmente responderam algumas perguntas enviadas por e-mail pelo blog sobre onde falam sobre a natureza de tributo à obra dos Engenheiros que o projeto traz, a expectativa da turnê, o reencontro com o público de Floripa e, sim, as possibilidades de reunir novamente a formação histórica e clássica com eles e Humberto Gessinger.
“De nossa parte não tem nada. Nós já estamos curando as nossas feridas e já estamos convidando ele para vir também. De nossa parte estamos de boa, esperando ele vir, depende da vontade dele”, adiantou Maltz, que é quem vem se dedicando há algum tempo nesta frente de reunir todos os Engenheiros.
Confira mais com na entrevista com os “engenheiros” Maltz, Licks e também com Sandro Trindade.
Gustavo Licks e Carlos Maltz com os integrantes do tributo Engenheiros Sem Crea – Foto: GLAUCO MALTA/NDPor que da escolha de Florianópolis para iniciar essa turnê do projeto?
Carlos Maltz — Bom, a gente começou por Porto Alegre, né? Então, a sequência natural é em Floripa. Na verdade, isso aconteceu porque tinha de acontecer. Os calendários, o negócio de show, as coisas foram se alinhando para ser assim. Foi uma coincidência interessante, né? A gente fez Porto Alegre, vamos fazer Florianópolis e, na sequência, Curitiba. Não foi uma coisa planejada assim, mas estamos achando bem legal começar pelo sul, que é nossa casa.
Augusto Licks — Foi a escolha natural. Nossa história começou em Porto Alegre, e o caminho pra levar o L&M ao resto do país teria que começar por nossos vizinhos catarinenses, até pela atual logística. Florianópolis tem sido um verdadeiro porto seguro para quem viaja do RS e para o RS diante das dificuldades causadas pelo dilúvio recente, que entre outras consequências destruiu o aeroporto de Porto Alegre.
O que o público catarinense pode esperar deste show e o que vocês pretendem trazer no repertório?
Carlos Maltz — O que estamos entregando é um show do Engenheiro do Hawaii clássico. Procuramos fazer o som, o show, como ele era nos anos 1980 e 1990. Claro que a gente, nesse tempo todo, estamos nos readaptando com as composições. Então, têm algumas mudanças, coisas que a gente faz melhor do que a gente fazia antes. Mas é aquele som, aquela energia, que as pessoas podem sentir um pouco do que eram aqueles arranjos de um show dos Engenheiros do Havaí nos anos 1980 e 1990.
Augusto Licks — O Carlos e eu somos Engenheiros do Hawaii, ele fundador da banda, então vai ser um show como fazíamos naquela época: muita energia, sem refresco. Estivemos juntos na estrada ao longo de sete anos, com um álbum a cada ano. Então, obviamente, teríamos muitas músicas pra tocar, bem mais do que caberia em um show. Selecionamos aquelas que consideramos mais significativas, nossos fãs não vão se decepcionar.
A largada foi em Porto Alegre, junto ao público que viu a banda nascer e se tornar grande. Gostaria que vocês falassem um pouco sobre a expectativa quanto à receptividade deste primeiro show na capital gaúcha e as impressões ao final?
Carlos Maltz — O show em Porto Alegre foi uma surpresa em muitos sentidos para nós. Isso porque a coisa aconteceu assim, não foi um negócio planejado. Tudo se desenvolveu muito pela ação do Sandro Trindade, que é o engenheiro da ponte, o cara que fez a ligação entre eu e o Augusto novamente. Na verdade, era para ser uma participação nossa num show dos Engenheiros Sem CREA, mas acabou virando um acontecimento em que veio gente do Brasil inteiro. Não tínhamos ideia do tamanho que ia ser, tanto que a gente estava há 30 anos sem tocar e fizemos três ensaios — praticamente nos encontramos no palco, depois de três décadas sem se falar. Foi impressionante! O espírito dos Engenheiros do Hawaii baixou e tomou conta. Então, foi uma surpresa para nós em muitos sentidos esse show de Porto Alegre.
Augusto Licks — Não tínhamos ideia do que poderia acontecer em Porto Alegre no show de 21 de abril. Era pra ser um show só, uma reunião GLM costurada pelo Sandro Trindade com a produtora Abstratti, e o Carlos e eu aceitamos o convite. Não sabíamos a repercussão que teria, motivando fãs a se deslocarem de todas as regiões do país (Macapá, Manaus, Belém, cidades do Nordeste, Minas, São Paulo, Rio, sul do país). Acabou sendo uma grande celebração, um grande reencontro, nosso e de uma imensa legião de pessoas que estavam saudosas de nos ouvir. Foi uma noite memorável, para guardarmos nas nossas melhores lembranças.
É impressionante como a obra dos Engenheiros não se esvai. Ainda está muito presente no imaginário do público, seja na base de fãs que surgiram com vocês lá atrás e entre as novas gerações. Vocês pensam em produzir algo novo com Engenheiros Sem CREA?
Carlos Maltz — Não temos essa ideia produzir algo novo, pelo menos neste momento. Mas sei lá, vai depender de como tudo vai acontecer. Se a gente começar a fazer um monte de show por aí, viajar, ensaiar, daqui a pouco podemos estar fazendo coisa nova, é meio inevitável. Os Engenheiros sempre foram uma banda supercriativa, então a gente não faz dois ensaios iguais, não faz dois shows iguais. É inevitável que a gente comece a fazer coisa nova aí também, mas por enquanto não é o objetivo. No momento, queremos entregar para as pessoas um show clássico dos Engenheiros do Hawaii, com a sonoridade, com os arranjos, como a gente fazia antigamente. Tudo dentro do espírito da coisa, pelo menos. Não temos a intenção de fazer um cover de nós mesmos, mas sim de fazer as pessoas sentirem um pouco da energia.
Augusto Licks — É importante salientar que essa reunião é algo grandioso, tanto no significado como no esforço que se fez necessário pra que acontecesse. Pessoalmente, precisei dedicar um estudo aprofundado das tecnologias atuais, para conseguir traduzir a mesma sonoridade que a banda oferecia nos anos 1980 e 1990, quando o contexto era completamente diferente de hoje, quando condições técnicas e logísticas eram outras. Mas, acima disso, é o significado que tem para nosso público, estarmos juntos tocando novamente as canções que formaram a trilha sonora para a vida de tantas pessoas. Estamos, de certa forma, devolvendo aos nossos fãs algo de que eles e elas sentiam falta. Então esse é o momento, essa é a nossa missão. O que vai acontecer depois, não dá pra saber.
E com os Engenheiros do Hawaii? Não bateu aquela vontade de reunir o grupo?
Carlos Maltz — Com certeza há essa vontade. Claro, eu inclusive já estou fazendo esse movimento aí há alguns anos, mas ainda não foi possível. Juntar os três ainda não deu, mas já estamos reunindo dois. Já estamos avançando aí, quem sabe isso pode ser um primeiro passo para uma possível reunião ano que vem, que é a comemoração dos 40 anos da banda. Quem sabe, né? Então, a esperança é a última que morre, amigo. Eu continuo querendo isso e torcendo para que aconteça. Seria muito bom para todos, tenho certeza.
Augusto Licks — O Carlos tem se empenhado para isso há já muito tempo, antes até da pandemia ele me telefonou propondo isso. Enquanto todos estiverem vivos, a possibilidade sempre existirá.
Como está a relação com o Humberto Gessinger? Será que todo esse tempo não seria suficiente para curar as feridas e reaproximar vocês?
Carlos Maltz — Nós chamamos ele para tocar com a gente também nessa reunião, mas ele não quis vir. Ele está lá tocando o projeto dele, que é uma coisa que a gente também entende. De nossa parte não tem nada. Nós já estamos curando as nossas feridas e já estamos convidando ele para vir também. De nossa parte estamos de boa, esperando ele vir, depende da vontade dele.
Augusto Licks — Eu e o Carlos não temos nenhuma ferida, resolvemos facilmente nossas encrencas do passado, e estamos aí para tocar juntos de novo e trazer felicidade geral. Talvez em algum momento o Humberto mude de ideia e queira também fazer parte, as portas continuam abertas.
A formação histórica dos Engenheiros do Hawaii, no auge da banda: Humberto Gessinger (de pé), Carmos Matz e Augusto Licks. – Foto: ReproduçãoO Humberto anunciou recentemente que vai fazer alguns shows tocando Engenheiros do Hawaii. O que acharam? Ambas as partes têm direito a tocar as composições dos Engenheiros?
Carlos Maltz — O Humberto vai fazer shows também, por que não? As músicas são dele, algumas são do Augusto também. Ele pode tocar, claro! A gente está tocando material mais antigo, e ele algumas composições mais recentes. Acho bom, né? Creio que é uma coisa boa ver que as pessoas estão interessadas. Não temos nada contra, pelo contrário, estou achando bom.
Augusto Licks — Cada um tem direito de fazer o que quiser. Em relação às composições, as do Humberto e as que têm letra dele e música minha, como ‘Pra Ser Sincero’, ‘Muros e Grades’, ‘Exército de Um Homem Só’, ‘Parabólica’ e outras, além de composições de terceiros como ‘Era Um Garoto Que Como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones’ e ‘Herdeiro da Pampa Pobre’, isso tudo é resolvido automaticamente pelo ECAD, que arrecada percentual da bilheteria de cada show e distribui aos autores. Para regravar uma música é que é necessário pedir autorização expressa do autor ou autores.
Sobre o nome Engenheiros Sem CREA? De quem foi a ideia?
Augusto Licks — O nome é muito bom, né. Com a palavra, Sandro Trindade …
Sandro Trindade — O nome Engenheiros sem CREA foi dado pelo simples fato de eu não ser um Engenheiro do Hawaii e, tampouco, te registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) — sou músico e instrutor teórico de trânsito. (risos). Além disso, passa uma ideia dúbia: não sou doHawaii e nem tenho certificação do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia. Kkkkk. Porém, agora estou na companhia dos verdadeiros engenheiros que me interessam.
Como está tributo atualmente, agora que dois integrantes estão envolvidos com dois integrantes dos Engenheiros do Hawaii?
Sandro Trindade — Tudo aconteceu muito naturalmente, nunca planejei isso. Contudo, sempre levei a sério os shows em tributo aos Engenheiros do Hawaii pelo fato de que é algo muito nobre para mim, e considero que a obra deles precisa ser respeitada a cada acorde tocado e letra cantada. Mesmo antes de estar com Licks e Maltz, cada show era especial, meio final da Copa do mundo. Isso que nem sabia o que estava por vir pela frente. Agora é a mesma coisa, pois tenho sempre a mesma responsabilidade e o objetivo é não deixar a peteca cair.