Rush Fest: Criciúma quer superar o próprio recorde de ‘capital mundial do Rush’

Cerca de 2 mil fãs da banda canadense Rush são esperados em Criciúma para a sétima edição do Rush Fest, o maior encontro de "rushers" no mundo no final de semana

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Há três “instituições” em Criciúma que funcionam muito bem: o x-salada e a devoção ao lendário Metropol e à banda canadense Rush. Os fãs criciumenses se orgulham de dizer que a cidade é a capital do rush no mundo, ou “Rush City”.

O Rush em sua formação lendária: Neil Peart (esq), Geddy Lee e Alex Lefeson. Cinco décadas de glórias entre os criciumenses – Foto: DivulgaçãoO Rush em sua formação lendária: Neil Peart (esq), Geddy Lee e Alex Lefeson. Cinco décadas de glórias entre os criciumenses – Foto: Divulgação

Tanto que eles prometem reunir a maior malta de seguidores na história do planeta neste final de semana na cidade para a Rush Fest.

O encontro acontecerá nesta sexta e sábado, na Sociedade Recreativa Mampituba e que contará com bandas nacionais e internacionais em uma jornada de tributos ao grupo. Os ingressos estão à venda no site topedindoingressos.com.br.

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São esperados cerca de 2 mil participantes, de várias cidades catarinenses, outros estados e até de países vizinhos e do Canadá. Até o hotel parceiro do evento está com lotação máxima para o festival.

O Rush Fest está na sua sétima edição e também celebrará os 50 anos do lançamento do primeiro álbum do grupo, o seminal “Rush”.

Na verdade, como explica Maurício Carneiro, um dos organizadores do Rush Fest, esse já é o maior encontro do mundo desde 2022, quando foram reunidas 1.330 pessoas. Agora eles só tem o próprio recorde para baterem.

Entre os “headliners” do evento estão as bandas Moving Pictures (Escócia), H-Sur (Chile), o músico Mike Massé (EUA) e a banda criciumense Karol and Snow.

O ímpeto da organização é tão grande que pretende superar até o Rush Con, tradicional reunião que acontece no Canadá.

Em princípio era o Rush e aí tudo passou a fazer sentido

Rush surgiu no final de década de 1970 e manteve-se ativo como uma das bandas mais influentes da história do rock mundial até 2020, quando faleceu o mítico baterista Neil Peart.

Além de Peart (1952-2020), o trio era formado pelo baixista e vocalista Geddy Lee e pelo guitarrista Alex Lefeson — ambos vivos.

Eles fizeram um estrondo enorme a partir da década de 1970, ao condensar as influências do rock progressivo com o hard rock e do blues. Mas o acuro técnico dos seus integrantes sempre foi o ponto de destaque do trio.

Nestas mais de cinco décadas de carreira, a banda lançou duas dezenas de álbuns, muitos considerados referenciais até hoje — tendo alguns rivalizado em vendas e espaço em rádios com lançamentos de Beatles e Stones.

Como surgiu a “rushmania” em Criciúma?

Essa é uma pergunta que povoa a mente de muitos desavisados – inclusive, eu. O mais próximo que a banda chegou de Criciúma foi em 2002, no show que fez em Porto Alegre, a pouco mais de três horas e meia de carro.

Ou em 2010, quando o baterista Neil Peart fazia uma viagem de moto pelo Brasil, Argentina e Uruguai e, por um desvio de rota, foi parar em Itapiranga, no Extremo Oeste catarinense — a mais de 10 horas de estrada de Criciúma.

O que fez de Criciúma um centro da “rushmania” tem explicação na geração de jovens da cidade que há pelo menos quatro décadas introduziu o “rushnerismo” na cultura pop de Criciúma.

O roteirista e chargista Zé Dassilva, outro patrimônio da cidade junto com o pai, o seu “Ravengar”, há algum tempo havia me relatado que tudo teria começado lá no final dos anos 1970.

Tudo se consolidou nos anos 1980 com as Festas do Rush, encontros organizados por fãs da banda em uma boate da cidade para dançar os clássicos do trio e assistir a clipes e shows.

Um vídeo de 2019, produzido pela própria organização do Rush Fest, traz mais detalhes nos depoimentos dos “rushers” criciumenses (como os fãs se definem) e corroboram a história do Zé.

Jovens com bons contatos para adquirir discos naqueles tempos começaram a difundir os trabalhos da banda entre colegas de escola. O núcleo foi crescendo, bandas surgiram, veio a Festa do Rush e “contaminou” a cidade.

O momento também ajudou, com a banda em alta nas rádios do Brasil, grandes trabalhos lançados e servindo até de trilha para um telejornal regional que turbinava diariamente a introdução instrumental de “Spirit of Radio” (“Permanent Waves”, 1980).

Só que não parou mais, essa geração pioneira cresceu, teve filhos e netos e a adoração foi transmitida como legado.

São fãs ardorosos, que consomem tudo sobre o grupo, falam com propriedade, constituem até famílias, levam a banda estampada nas camisetas e no corpo e até adotam “Rush” como sobrenome.

O fantástico da cultura pop é isso. Não que o Rush não mereça, pelo contrário. É uma grande banda gigantesca, com uma obra maravilhosa.

Mas é dessas casualidades que nem precisa explicação, na verdade, basta vivê-las.

Claro que o Gilberto será muito bem-vindo para a Rush Fest, mas não precisa levar o alicate!

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