Com mais de 550 mil seguidores no Instagram e mais de oito milhões de visualizações no YouTube, há oito anos a cantora Ana Victória Monforte, 35 anos, se apresenta com o nome artístico de MC Trans. Ela esteve em Blumenau, no Vale do Itajaí, na última semana para finalizar procedimentos estéticos na clínica Transgender Center Brazil, que é referência em cirurgias transgêneros.
MC Trans esteve em Blumenau e participou do programa Ver Mais, da NDTV. – Foto: Arquivo pessoal/NDNa oportunidade, a cantora participou do programa Ver Mais, da NDTV, e contou sobre o início da carreira, sua vivência como pessoa trans e as amizades que fez em Blumenau.
Violência
De acordo com o dossiê “Assassinatos e violências contra travestis e transexuais brasileiras em 2021″, produzido pela Antra (Associação Nacional de Travestis e Transsexuais), 140 pessoas trans foram mortas no Brasil em 2021.
SeguirEsse dado coloca o Brasil, pelo 13° ano consecutivo, como país que mais mata pessoas trans no mundo. Essa realidade assustadora faz parte da vida da cantora, que já passou por diversas violências.
“O Brasil é o país que mais nos mata, ele bate o recorde em ser o país que mais mata mulheres trans no mundo e isso não quer dizer que sejam mulheres trans que estejam apenas em vulnerabilidade social. Mesmo mulheres trans que estão estudando, trabalhando sem ser na prostituição são assassinadas apelas pela sua existência”, ressalta.
Ela diz que não gosta de falar do assunto pois não quer ser lembrada apenas pelos ataques que sofre, mas afirma que a realidade ainda não mudou mesmo com a fama.
“Eu vivo essa realidade de ódio todos os dias, mas eu não gosto de passar a impressão de tristeza, de ser atacada todos os dias pela minha existência e falar sobre isso toda hora. É triste e cansativo para mim. Eu adoraria falar que melhorou muito, mas, infelizmente, não é a realidade. Eu já fui agredida, eu inclusive vim a Blumenau há dois meses para consertar meu rosto porque há alguns anos eu fui agredida. Eu perco trabalhos, às vezes eu passo situações muito pesadas apenas pela minha existência. Eu saio de casa sem saber se eu vou voltar”, relata a cantora.
Cantora MC Trans. – Foto: Karina Veiga/redes sociais/NDInício da carreira
A cantora iniciou a carreira por volta de 2013, como cover na cantora Anitta, que naquela época, antes do “boom” da música Show das Poderosas, era conhecida apenas no Rio de Janeiro.
“Eu era muito parecida com ela. A Anitta não tinha plástica e eu também não. E aí ela me oficializou, me dando a primeira oportunidade de emprego como cover oficial numa época em que não falava-se de militância, sobre corpos trans, sobre pessoas trans”, conta.
A cantora destaca a importância do gesto de Anitta. “Naquela época, quando a Anitta coloca uma mulher trans para fazer cover do seu trabalho, com a oficialização dela, da empresária da época, com todo o apoio que eu precisava, ela quebra um paradigma”, recorda.
Além disso, a cantora afirma que a música foi um caminho de salvação. “A música me salvou. Eu completo 35 anos de vida porque a música me tirou da vulnerabilidade social, a arte me tirou da marginalização social. A música me trouxe um caminho que eu não esperava. Eu tinha duas possibilidades: ou eu me segurava nela, aprendia com ela e seguia com ela ou eu iria para uma esquina, que não era o que eu queria para a minha vida”, destaca.
Blumenau
A cantora já veio algumas vezes a Blumenau, já que na cidade está localizada a clínica Transgender Center Brazil, que é referência em cirurgias transgênero.
“O Dr. Martins é o único do país que faz a redesignação sexual, que é a mudança de gênero. Eu fiz a minha transição de maneira muito errada, então eu vim para consertar. Tanto agressões que eu tive, agressões que eu sofri, tive que vir para consertar o rosto. Agora vim para fazer os seios, porque eu já coloquei quatro silicones, em quatro médicos diferentes, eu paguei caríssimo e nunca me respeitaram nem como paciente”, relata.
Cantora veio a Blumenau terminar procedimentos estéticos. – Foto: Redes sociais/NDA cantora ainda contou quais foram suas impressões da cidade “Eu achei que Blumenau era um local em que eu iria chegar, faria as cirurgias e ia querer ir embora correndo. Só que Blumenau me trouxe as amizades mais incríveis e verdadeiras que eu poderia ter. Eu tenho até quarto aqui já, eu moro em Blumenau também”, emociona-se.