Dias atrás eu estava rememorando com o meu amigo e comunicador Diego Califa sobre o show da Amy Winehouse em Florianópolis, naquela noite doida de 8 de janeiro de 2011 em que a própria quase botou o camarim abaixo na base dos chutes e socos na mesa. Esta terça, 23 de julho, marca os 13 anos de partida da cantora inglesa.
Amy Winehouse (2011)A britânica Amy Winehouse esteve em Florianópolis em janeiro de 2011.Diegão cobria aquele acontecimento para uma rádio e eu para um jornal. Só que o meu camarada estava em um lugar ainda mais privilegiado e com acesso ao que acontecia dentro do camarim da cantora inglesa. Muitas histórias e o relato do Diegão traz mais nuances sobre a situação de Amy naquele momento e o que viria a acontecer meses depois, naquele fatídico 23 de julho de 2011, o dia da sua morte, aos 27 anos.
São 13 anos sem Amy Winehouse, vítima dos seus excessos e dos excessos que o mundo do showbizz jogou sobre os seus ombros. “Aquele foi o último show de verdade, completo, da Amy Winehouse”, lembrou o Diego e que eu também corroboro e já falei aqui também.
SeguirNo meio de toda aquela confusão, lá estava Diego quando a cantora chegou ao Stage Music Park, em Jurerê, vinda em um voo fretado do Rio de Janeiro, onde estava hospedada. “Ela chegou muito louca do Rio de Janeiro direto para o show. Ela passou no camarim e foi direto para o frigobar. Estava vazio. Aí virou para o agente dela e perguntou ‘What about my drinks?’ (‘e as minhas bebidas?’)’. O cara respondeu ‘no drinks, Amy’!”, conta Diego.
Amy fez bate e volta para o Rio de Janeiro e não ficou hospedada em Florianópolis
Amy Winehouse em foto de divulgação de sua cinebiografia – Foto: Divulgacão/Observatório do Cinema/NDAmy ficou possessa e afundou a porta do frigobar com um chute, e deu tapas na mesa de comidas. Até que o seu staff veio intervir e pedir para que ela se acalmasse. Amy foi levada para o palco, de onde só saiu ao final e levada direto para o carro blindado que a aguardava no backstage. De lá foi para Aeroporto Hercílio Luz onde o jato fretado que a trouxe a aguardava na pista para o retorno ao Rio de Janeiro, sua base.
Diegão chama a atenção para o estado debilitado da cantora: magra demais, muito suada, perdida, fragilizada, a boca exibia a falta de alguns dentes. Toda a logística foi planejada para que ela saísse do hotel onde estava hospedada no Bairro Santa Tereza, no Rio de Janeiro, e para lá retornasse após os shows, independente de onde fossem. Sequer pernoitar. Era uma determinação médica!
Abaixo eu reproduzo um relato das minhas impressões naquele show histórico (porém triste, eu confesso) de Amy Winehouse no Summer Soul Festival.
Amy buscou retorno aos palcos mundiais, mas longe dos tablóides
“E não dá para esquecer também que julho marcará os 13 anos da partida de Winehouse, que morreu em decorrência de uma overdose. Apenas seis meses após o show que a cantora fez em Florianópolis, abrindo a turnê que marcaria o seu esperado retorno aos palcos mundiais.
Foi um acontecimento. Por uma estratégia do staff da cantora, Florianópolis, uma Ilha ao Sul das Américas, seria o local ideal para o ponto de partida da retomada da carreira da inglesa, longe do assédio da grande mídia, especialmente dos tabloides ingleses e europeus.
Ela foi a estrela do Summer Soul Festival, numa noite quente de 8 de janeiro de 2011, no Stage Music Park, em Jurerê. Antes o público assistiu a dois shows incríveis da cantora Janelle Monáe (EUA) e o cantor Mayer Hawthorne (EUA).
Mesmo se Amy não tivesse aparecido para o seu show – o que não seria surpresa – Janelle e depois Mayer fizeram valer cada centavo do ingresso e da longa espera para entrar na arena.
Tudo estava um tanto quanto tenso, principalmente nos bastidores. A produção local vivia a “nóia” de uma possível desistência. Amy estava no Rio de Janeiro, de onde sairia para pegar o jato e vir direto a Florianópolis. Na plateia, houve até apostas valendo garrafas de champanhe e dinheiro tanto caso ela aparecesse ou não e quanto tempo duraria o show.
Mas Amy veio e, contrariando a expectativa geral, foi quase pontual, com poucos minutos de atraso. Não foi um show fácil de assistir, embora tenha sido o único em toda a conturbada turnê que se seguiu a partir dali com um começo, meio e fim.
Com seu emblemático penteado, o corpo frágil e esguio sustentado pelos sapatos de saltos, Amy subiu ao palco meio que atabalhoada, passou direto pelo microfone, e quando começou a cantar trocou o “mic” pela garrafa d’água que por muito tempo não largava (havia a suspeita de que não era água).
Eu estava lá e o que eu vi estava longe de ser a tão sonhada volta triunfal da inglesa após dois anos de tratamento para desintoxicação do álcool e das drogas. Amy parecia não saber onde estava – se era em Santa Tereza, no Rio de Janeiro, ou em sua Camden Town, em Londres.
Pouco importava, ela estava ali tentando, contando com o apoio do público e da sua atenciosa banda para emendar os hits, entrar nas letras (esqueceu até um trecho de “Rehab”), e conseguir voltar ao roteiro muitas vezes atravessados por ela. A certa altura ela se vira para a banda e pergunta: “Qual música vamos cantar agora?”.
Em outros ficou sentada à beira da plataforma da bateria assistindo a jam dos seus parceiros. Outra situação interessante: na primeira parte do show, Amy deixou o palco praticamente em quase todas as músicas. A cada saída pairava aquela apreensão e muitos da plateia brincavam: “Será que ela volta”.
Mas voltava, para delírio da multidão, que entendeu o jogo, as condições e procurou fazer o clima para que Amy pudesse, aos trancos e barrancos, mas sempre com um sorriso ao rosto e a seu peculiar “remelexo” levar o show até o fim, com pouco mais de uma hora e com direito a momentos bacanas, como na homenagem que fez à histórica banda inglesa de ska The Specials.
Ela praticamente passou a limpo todo o seu histórico repertório dos álbuns ‘Frank’ (2003) e especialmente ‘Back to Black’ (2006). Foi carinhosa por diversas vezes com o público e esboçou emoção em diversos momentos.
E ficou por isso. O que Amy tinha a entregar naquela que seria a sua grande retomada parece que foi deixado em Floripa. Para um recomeço até seria animador. Porém, a partir dali foi uma sucessão de shows frustrantes, alguns sequer chegaram à metade, cada vez mais debilitada até que a turnê foi abandonada.
Com Amy em recorrentes recaídas, o destino parecia estar selado e ele se confirmou naquele 23 de julho de 2011.”