O violonista catarinense Luiz Meira dividiu por 19 anos os palcos com a cantora Gal Costa, que morreu nesta quarta-feira (9) aos 77 anos. A dupla formou um dos mais prestigiados e aclamados concertos de voz e violão do Brasil com clássicos da MPB, bossa nova e samba.
Luiz Meira e Gal Costa formaram parceria que durou quase 20 anos – Foto: Reprodução/Instagram/@luizmeiraoficial/NDEm entrevista ao ND+, ele relembra momentos ao lado da parceira musical de longa data e amiga. O músico recebeu um telefonema da filha informando sobre a morte de Gal Costa, nesta manhã.
“Recebi a notícia com muita tristeza. Tínhamos uma relação de amizade, independente do trabalho. Gal foi muito importante na minha carreira. Ela me abriu portas. É uma perda inestimável para a música brasileira. Ela segue influenciando gerações até hoje”, afirma Meira
SeguirO violonista conta que conversou com Gal Costa pela última vez há cerca de três semanas, por telefone. Meira lamentou a morte da cantora e prestou homenagem a ela em uma postagem nas redes sociais.
“Obrigada por tudo, Gal. Fosse importante demais na minha vida e um dos protagonistas da minha história. Sentado agora no sofá da sala, sinto meu coração doído pela tua partida. A música agradece a tua existência. Vai em paz. Leva contigo a paz que penetrava nossas almas quando ouvíamos a tua voz”, escreveu o músico.
Parceria que rodou o mundo
A parceria de Luiz Meira e Gal Costa surgiu em 1997 e circulou por palcos de quase todas as capitais brasileiras e fora do país, sendo apresentada em países da Europa, Estados Unidos, Ásia e África.
No repertório, estiveram canções como “Eu Vim da Bahia”, “Azul”, “Meu Bem Meu Mal”, “Força Estranha”, “Chuva de Prata”, “Baby” e “Você Não Entende Nada”.
O violonista, que é natural de Florianópolis, relembra o início da parceria musical. “Fiz três ensaios com a Gal em maio de 1997, numa segunda, terça e quarta-feira. Não a conhecia pessoalmente. Na quinta-feira viajamos para São Paulo. Sexta e sábado daquela semana iniciamos o projeto de voz e violão e a partir disso foram 19 anos tocando juntos”, revela.
Segundo Meira, Gal Costa era uma pessoa tranquila, calma e educada. “Trabalhar com ela foi um privilégio grande na minha vida. Tínhamos uma relação comum, sem estresse, tudo na maior tranquilidade”, diz.
Momentos que ficarão na memória
O violonista catarinense relata que a cumplicidade com a artista era tanta que mesmo em situações adversas, a parceria fluía bem.
“Uma vez chegamos em Buenos Aires para um show de voz e violão no maior teatro da Argentina. Chegando lá, a produção tinha anunciado que seria um show só com músicas do Tom Jobim e não era pra ser. Durante a passagem de som, na tarde do dia da apresentação, colocamos nove músicas do Tom Jobim no repertório, sendo que quatro delas nunca tínhamos tocado antes e deu tudo certo”, revela Meira.
O músico destaca outro momento marcante da dupla que ficará em sua memória. “Um show que nunca esqueço com a Gal Costa foi o que eu fiz com ela em maio de 2011, no Carnegie Hall, em Nova York. Sou um dos poucos instrumentistas do Brasil que teve o privilégio de tocar lá e ao lado de Gal Costa”, aponta.