Zininho, o gentleman do samba, é o homenageado do novo episódio da série Som da Ilha

Segundo capítulo da série da NDTV retrata o gênio que deixou legado inestimável para a cultura e o desenvolvimento da cidade, o compositor do “Rancho de Amor à Ilha”, o hino oficial de Florianópolis

Foto de Marcos Espíndola

Marcos Espíndola Florianópolis

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Se “no princípio era o verbo”, então está gravado por Zininho, o compositor, poeta, operador, técnico de som, editor, roteirista de programas e radionovelas, mestre do rádio e um memorialista intuitivo, porém nato. No imensurável acervo legado por Cláudio Alvim Barbosa (1929-1998), a filha e pesquisadora Cláudia Barbosa, e o cineasta Zeca Pires lapidaram o enredo da série “O Som da Ilha – Era de Ouro”.

As várias fases de Zininho, o poeta e roteirista de rádio que inovou ao criar um programa que se passava em um bar imaginário – Foto: Arquivo pessoal/Cláudia Barbosa/NDAs várias fases de Zininho, o poeta e roteirista de rádio que inovou ao criar um programa que se passava em um bar imaginário – Foto: Arquivo pessoal/Cláudia Barbosa/ND

Esse “gênio”, na definição de Zeca Pires, é o personagem do segundo episódio da série, “Zininho, um gentleman do samba”, que irá ao ar neste sábado, às 13h30, pela NDTV. “A nossa ideia (da série) é privilegiar a música e a interpretação. No caso do Zininho, você tem um acervo espetacular sobre a cidade. Ele foi um compositor genial, mas também muito preocupado com a memória de Florianópolis e também crítico das questões sociais e do crescimento desordenado”, reflete Zeca, que, além da direção geral da série, também dirige o episódio.

Cláudio Alvim Barbosa, o célebre “Zininho”, era o “Ziza” nos círculos familiares e mais próximos. Cláudia Barbosa foi testemunha umbilical da multifacetada personalidade do pai. “Era uma loucura lá em casa. O pai gravava tudo, até a secretária eletrônica. Então ele deixou esse acervo incrível, com muita coisa, obras inéditas como músicas, gravações de Luiz Henrique Rosa e todo aquele ambiente da rádio, do auditório, das conversas”, explica Cláudia.

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95 anos de Zininho

Este 2024 marca também os 95 anos de Zininho, que, no campo da música, deixou cerca de 100 composições, clássicos como o “Rancho de amor à ilha” – hino oficial de Florianópolis – marchinhas e sambas, como “Quem é que não chora”, sucesso nos carnavais, e a visceral “Preconceito racial”. No campo da produção, gravou um dos primeiros registros de Elis Regina, a então ascendente cantora gaúcha de apenas 17 anos. A canção era “Se o amor é isso”, do catarinense Luiz Henrique Rosa.

“Ele transformou em música um ofício para o prefeito da cidade, apelando para a preservação do Miramar, quando o aterro da baía Sul foi construído. Ele tinha essa visão crítica sobre a transformação desordenada da cidade. É essa genialidade que a gente quer mostrar nesse episódio e fazer chegar até as pessoas”, sugere o diretor.

Programe-se: “O Som da Ilha – Época de Ouro”

Dia 23/11 Episódio 1 – “Neide Mariarrosa, A Voz de Mormaço” (dir. Maria Emília Oliveira de Azevedo)

Familiares e pesquisadores falam sobre a trajetória da cantora Neide Mariarrosa, nascida em Florianópolis e que cantou e encantou com a sua voz de mormaço. Cantou em sua cidade natal e no Rio de Janeiro e interpretou canções da geração de jovens que trazia novos estilos musicais: a bossa nova e a tropicália.

Dia 30/11 Episódio 2 – “Zininho, um gentleman do samba” (dir. Zeca Nunes Pires)

O episódio “Zininho, um gentleman do samba” é um recorte na vida e obra de Zininho, privilegiando o trabalho do autor de “Rancho de Amor à Ilha”, hino de Florianópolis, alguns detalhes de sua vida e uma contribuição pouco conhecida do genial compositor Cláudio Alvim Barbosa: o legado de um dos mais importantes acervos de documentos sobre a cidade de Florianópolis.

Dia 7/12 Episódio 3 – “Abelardo Souza, O Músico Cronista” (dir. Lelette Coutto)

O episódio “Abelardo Souza” é um mergulho no baú de memórias da família Souza, formada por músicos e na qual a música voa de geração em geração. As histórias e melodias que permeiam essa linhagem revelam não apenas o talento individual de cada membro, mas também a união e a tradição que a música representa para todos eles.

Dia 14/12 Episódio 4 – “Luiz Henrique, Um Visionário da Bossa Nova” (dir. Isabela Hoffmann)

O quarto episódio da série “O Som da Ilha” vai retratar a trajetória de Luiz Henrique Rosa, começando pela era de ouro da Rádio Diário da Manhã, onde ele tinha o programa chamado “Gente Nossa”, no final da década de 1950, passando pelo Beco das Garrafas, no Rio de Janeiro, e chegando aos Estados Unidos, onde Luiz Henrique passou oito anos de sua caminhada profissional.

Dia 21/12 Episódio 5 – “Gentil do Orocongo, O Cancioneiro da Ilha” (dir. Iur Gomez)

Gentil conheceu o exótico orocongo ainda criança. Aprendeu a confeccionar e a tocar o monocórdio instrumento africano, inserindo-o nas principais manifestações culturais de gênese açoriana da Ilha de Santa Catarina e arredores.

Dia 28/12 Episódio 6 – “Legados do Mestre Zequinha” (dir. Alissa Azambuja e Marilha Naccari)

Um artista que transcende o tempo. Instrumentista e compositor ímpar. Educador nato, criou um método próprio para ensinar e encanta com sua versatilidade, transitando entre valsa, bolero, samba, rancho e o vibrante carnaval, com um repertório autoral de riqueza e variedade rítmica.

Sempre aos sábados, às 13h30, na NDTV