Com quase 5 km de extensão, a praia dos Ingleses é uma das mais cobiçadas de Florianópolis. Tem muitas ondas na parte Norte, poucas no canto Sul, um mar quentinho que ainda tem uma faixa de dunas preservada.
Obra na praia dos Ingleses levanta questionamento sobre sítio arqueológico em Florianópolis – Foto: Leonardo de Sousa/Divulgação/NDÉ nessa praia que no século 17 um navio espanhol naufragou após ter sido roubado por piratas. No fundo do mar ainda está 70% dessa embarcação. Apenas 30% foi retirado da água e hoje está em exposição no Museu do Naufrágio.
Segundo o curador do museu, Daniel Ribeiro da Costa, “é um barco de 1687 que parou aqui no Norte da Ilha nessa época e foi capturado pelo fundador da cidade, o Francisco Dias Velho. Ele prendeu esses piratas e essa embarcação ficou ali encalhada, se deteriorando. Com o tempo, ela foi se enterrando e foi achado só alguns vestígios depois de uma ressaca que aconteceu em 1989”.
Esse passado que ainda permanece no fundo no mar voltou a ser lembrado com a notícia do alargamento da faixa de areia da praia. Ao todo, 3,5 km da orla serão ampliados passando a ter até 40 metros. Uma obra que vai começar no canto Norte e terminar antes das dunas.
O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) acompanha o projeto que requer licenças de liberação para acontecer. A superintendente do órgão em Santa Catarina, Regina Santiago, explicou que neste momento a análise acontece em Brasília. Provavelmente, um estudo deverá ser solicitado para avaliar os impactos desse alargamento para o sítio arqueológico dos Ingleses.
“Serão necessários estudos prévios, antes da obra iniciar. Uma vez concluídos esses estudos, o Iphan autoriza. Essa licença ambiental ainda não foi emitida. Não somos nós que emitimos, mas nós fazemos essa manifestação que a gente chama de anuência, uma concordância com que a licença possa ser emitida, por que daí não há mais riscos ao patrimônio arqueológico cultural em geral”, disse Regina. O resultado da análise do Iphan deve chegar na próxima semana.
Quem participou do processo de retirada das peças da embarcação, estudou toda a orla dos Ingleses e luta para ter este patrimônio da história preservado. É o caso do geógrafo Maurício Marino, que acredita que a obra de alargamento seria o momento ideal para retirar os 70% do navio que ainda estão no fundo do mar.
“Por que não se faz concomitantemente à obra o resgate desse sítio arqueológico? Pelo estudo que eu fiz, todo esse material que vai ser depositado, essas milhões de toneladas de sedimentos que vão ser depositadas ao longo da praia, vai ser carreado para a parte Sul, onde está localizado o sítio arqueológico. Vai se perder tudo”, disse Marino.
A importância da obra para a praia, para a vida do bairro é inquestionável. Deve mexer com a economia e melhorar a infraestrutura de atendimento aos turistas e moradores. Inclusive Marino ressaltou que vai ajudar no problema da erosão que existe naquele local.
O geógrafo disse que não é “contra o alargamento da praia. Eu sou a favor. Eu sou morador dos Ingleses também. Eu acredito que isso vai trazer muitos benefícios para os moradores que sofrem com a erosão marinha costeira daquela região, vai beneficiar os turistas porque a praia fica muito reduzida, vai beneficiar os comerciantes locais”.
O projeto de alargamento dos Ingleses deixa de fora o canto Sul justamente para preservar a embarcação naufragada. A draga será posicionada fora do perímetro que compreende o sítio arqueológico.
“Obviamente, tem uma série de encaminhamentos que a gente tem que fazer. Na parte ambiental, o IMA (Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina) também deu a licença ambiental prévia, deu a licença ambiental de instalação, que é para começar as obras propriamente dito. Aquela parte do sítio arqueológico está sendo cuidada. Por isso, nós não vamos chegar lá. Vamos parar antes das dunas”, afirmou o secretário de Infraestrutura de Florianópolis, Valter Gallina.
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