Após alerta nacional, Dive diz que cobertura vacinal contra polio é de 78% na Capital

Diretoria de Vigilância Epidemiológica afirma que doenças como poliomielite e sarampo podem voltar se as pessoas não se imunizarem

Andréa da Luz Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

Uma nota divulgada pelo Ministério da Saúde indicando que 312 cidades do Brasil estão com o índice de vacinação contra a poliomelite abaixo de 50%, quando a meta é de 95%, deixou os municípios em estado de alerta. Florianópolis é uma das oito cidades catarinenses citadas no relatório. Porém, segundo a gerente da Dive (Diretoria de Vigilância Epidemiológica) da Secretaria de Saúde da Capital, Ana Cristina Vidor, o dado está incorreto. “Florianópolis fechou o ano de 2017 com 78% de cobertura vacinal contra a polio. Ainda assim, estamos preocupados porque essa não é a meta”, diz.

Filho de Matheus Bertuzzo recebeu ontem a dose oral contra rotavírus, no posto de saúda da Trindade - Marco Santiago/ND
Filho de Matheus Bertuzzo recebeu ontem a dose oral contra rotavírus, no posto de saúda da Trindade – Marco Santiago/ND

A gerente conta que os índices de vacinação vêm caindo nos últimos dez anos, por motivos como aumento da recusa e baixa procura da população. “Muitas pessoas que seguem um estilo de vida mais natural associam as vacinas à medicação e preferem adotar práticas alternativas de saúde, optando por não se proteger dessa forma”, avalia Ana Cristina. Ela afirma que isso acontece principalmente no Sul e no Leste da Ilha, onde as coberturas vacinais são mais baixas.

Outro motivo apontado pela gerente da Dive seria o aumento das fake news que circulam nas redes sociais. “Há boatos dizendo que a vacina provoca doenças ou que têm grande concentração de mercúrio, coisas desse tipo. Algumas pessoas se sentem inseguras e acabam não vacinando”, afirma.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Para tentar reverter o quadro, a Dive adota algumas ações. As principais envolvem a conscientização das pessoas por meio da mídia e das equipes de Saúde da Familia. Essas últimas trabalham na tentativa de identificar crianças não imunizadas e fazer com que as famílias partipem das campanhas. “Aproveitamos campanhas como a da Influenza para estimular as pessoas a tomar a tríplice viral, por exemplo, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba e outras campanhas para colocar em dia o calendário vacinal”, explica Ana Cristina.

Ela lembra que também é importante a parceria com escolas, principalmente as de educação infantil. “A vacinação continua acontecendo em algumas creches, a gente costuma fazer a da

polio nas escolas porque na forma de gota é facil de vacinar. As injetaveis já precisam de um ambiente específico, mas contamos com a parceria das escolas e aconselhamos a exigir a caderneta de vacinação no ato de matrícula para ajudar na identificação dos não imunizados”, diz.

Além da Capital, outras sete cidades catarinenses foram citadas no relatório do Ministério da Saúde: Palhoça, Anitápolis, Pedras Grandes, Pomerode, Major Gercino, Palmeira e Cunhataí. De acordo com dados divulgados pelo órgão, em todo o Brasil são 312 cidades onde o índice ficou abaixo dos 50%.

Doença erradicada

Mesmo com 78% de alcance, os dados de Florianópolis também são preocupantes. Embora a poliomelite esteja erradicada no Brasil desde 1990 e o país seja considerado área livre do poliovírus selvagem – que causa a doença -, desde 1994, o Ministério da Saúde adverte que é necessário manter a cobertura acima de 95%. A polio, assim como o sarampo, é transmissível de um indivíduo para outro, daí a importância de se imunizar.

A vacina contra a polio é feita ao longo da vida. São três doses antes do primeiro ano e mais as campanhas anuais para crianças menores de cinco anos de idade. Adultos não tomam essa vacina, a não ser em casos muito específicos, segundo a Ana Cristina Vidor.

A imunização é feita de forma injetável no primeiro ano de vida e pela gotinha, nas campanhas anuais. “A forma injetável protege apenas a criança, mas a gotinha protege a família inteira, por isso é importante a campanha anual”, reforça a gerente da Dive.

Matheus Bertuzzo, 28 anos, levou seu bebê de dois meses para vacinar no posto de saúde da Trindade. Ele é contra deixar de imunizar as crianças. “Sempre fui vacinado e nunca me aconteceu nada de grave, então não tem porque não dar a vacina. Não dá para deixar o pior acontecer. Vejo muito mais benefícios do que custo em vacinar”, finaliza. O bebê recebeu a dose oral contra rotavírus e três doses injetáveis: a Pneumo 10 contra pneumonia, a VIP (Vacina Inativada Poliomielite) contra paralisia infantil e a pentavalente (que protege contra difteria, coqueluche, tétano, meningite tipo B e hepatite B).

Matheus Peruzzo, 28 anos, com bebê de dois meses, diz que não vê motivos para não vacinar as crianças - Daniel Queiroz/ND
Matheus Bertuzzo , 28 anos, com bebê de dois meses, diz que não vê motivos para não vacinar as crianças – Daniel Queiroz/ND

Preocupação com o sarampo

Segundo a gerente Ana Cristina Vidor, apesar da preocupação com a polio, os riscos são ainda maiores em relação ao sarampo. “Somente no ano passado foram registrados 8.000 casos de sarampo na Europa, e há um surto da doença no Japão. Na Rússia, também não está erradicada”, afirma.

Com a grande circulação de pessoas pelo mundo, não é preciso muito para criar um alerta. “Estamos falando disso há um bom tempo, mas as pessoas não dão importância. Porém, o quadro está mudando com os casos recentes na Venezuela e a entrada da doença com a chegada de venezuelanos no Norte do Brasil”, aponta.

Manaus e Roraima já registraram casos da doença. “Com a entrada dos imigrantes pelo Norte do país, o vírus veio junto. Se alguém vier de lá para Florianópolis corre o risco de o vírus se propagar aqui também, entre a populaçao não vacinada”, explica. Além do Norte, o Estado do Rio de Janeiro analisa um possível caso de sarampo e o Rio Grande do Sul já teria um caso confirmado, segundo Ana Cristina.

A Dive está emitindo o terceiro alerta este ano contra o sarampo, principalmente com foco nos profissionais de saúde, para orientá-los na identificação dos sintomas. As informações são disponibilizadas no site da secretaria municipal de Saúde.

Ana Cristina lembra que a próxima campanha nacional de vacinação contra a poliomelite vai de 6 a 31 de agosto e o município deve aproveitá-la para oferecer reforço contra o sarampo. A vacinação contra o sarampo inclui uma dose com um ano de idade (na tríplice viral) e outra aos 15 meses (pentavalente). Adultos também podem ser vacinados.

Tópicos relacionados