Uma instituição sempre com as portas abertas à espera de depósitos. Trata-se do Banco de Olhos de Joinville, que nesta quinta-feira (29) comemorou 38 anos de dedicação à captação de córneas e encaminhamento de pacientes para o transplante que pode significar o resgate da visão.
“Desde fevereiro deste ano, o Banco de Olhos também atende na área de oftalmologia. Entre consultas e exames, já passamos de 6 mil atendimentos, a maioria na realização de cirurgias de catarata”, informa o gestor administrativo-financeiro da instituição, Júlio César Vieira. Este atendimento é prestado via Secretaria da Saúde, como explica o gestor: “As pessoas precisam estar na fila para que cheguem até nós. Se tem alguém com problema de visão, mas não consultou especialista ainda, precisa passar no posto de saúde do seu bairro para que depois seja encaminhado para um oftalmologista”.
SeguirUma das metas da atual diretoria é a construção de sede própria e do hospital do Banco de Olhos. “Já somos referência no Estado, mas queremos ampliar a atuação a toda a região, e para isso se tornar realidade, um hospital é importante”, reforça a empresária Ieda Aparecida Matos, presidente do banco desde o ano passado.
Comemorando os bons números na captação, Ieda também coloca como objetivo em curto prazo zerar a fila de espera por cirurgia de catarata. “Mas é vital – acentua – que as pessoas procurem os serviços de saúde e se informem. E também estamos sempre aceitando voluntários para nos ajudar.”
Uma história de pioneirismo
Primeiro do Estado, o Banco de Olhos de Joinville foi fundado em 1978. Curiosamente, a ideia nasceu durante uma pelada de futebol entre amigos. O empresário Wilmar Hansen contava, em reportagem feita há cinco anos: “O oftalmologista Newton Salerno conversava comigo sobre a dificuldade que havia na cidade para conseguir córneas para transplante. Muita gente deixava de voltar a enxergar por falta de doadores e, principalmente, pela inexistência de um banco de olhos.” Wilmar Hansen, então presidente do Rotary Club, encampou a ideia. Tirando do bolso o pagamento das primeiras despesas, buscou apoiadores e convenceu a classe médica da viabilidade do banco de olhos.
No dia 29 de setembro de 1978, a secretária Marlene Silveira redigia a ata de fundação do Banco de Olhos de Joinville, com Wilmar Hansen na presidência, Newton Salerno como diretor médico e Fernando Luiz Freitas na tesouraria. Em abril de 1982 os oftalmologistas Emir Amin Ghanem e Newton Salerno realizaram os dois primeiros transplantes utilizando córneas do Banco de Olhos, no Hospital Dona Helena.
Com sede numa sala do Hospital Municipal São José, o Banco de Olhos tem uma equipe de cinco funcionários fixos e duas dezenas de voluntários para executar o trabalho de captação de córneas. Nestes 38 anos, o número de cirurgias ultrapassa os 3 mil.
Informações
Para conhecer o Banco de Olhos ou ser voluntário, basta ir até a sede, no Hospital São José, ligar 3433-4854 ou acessar www.bancodeolhosdejoinville.com.br.
Para ser doador
Não basta querer ser doador, é preciso avisar a família. Como a doação é feita pós-óbito, é importante expressar este desejo falando para os familiares de primeiro e segundo graus, pois são eles que irão decidir se farão ou não a doação.