Para comemorar o centenário do serviço aeropostal francês, que operou em Florianópolis de 1927 a 1931, o presidente do Raid Latécoère-Aéropostale, Hervé Berardi, estará nesta sexta-feira (11) no casarão do Campeche, na avenida Pequeno Príncipe, às 14h30, onde assinará um termo de cooperação para a criação de um memorial. O termo será assinado pela superintendente da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes, Roseli Pereira, e pela presidente da Amab (Associação Memória da Aéropostale no Brasil), Mônica Cristina Corrêa. O prédio tombado pelo patrimônio histórico, que servia como acomodação para pilotos e local de integração com os moradores da região, foi higienizado e pintado para receber os visitantes.

A partir da década de 1920, a companhia francesa de correio aéreo implantou 11 escalas somente no Brasil, de Natal (RN) até Pelotas (RS). “Nosso objetivo é criar um memorial que resgate a história da convivência entre os ilhéus e os pilotos da Aéropostale, que deixou marcas na cultura local. Temos muitos documentos e objetos dessa relação, porque essa parte da história precisa ser disseminada entre os moradores da cidade”, informou Mônica. A Aéropostale foi fundada pelo industrial Pierre Georges Latécoère em 1918, em Toulouse, no Sul da França.
O presidente do Raid Latécoère veio acompanhado de dois jornalistas da TV franco-alemã Arte, que produzem um documentário sobre os vestígios da Aéropostale no Brasil. Um dos mais notáveis pilotos da companhia foi Antoine de Saint-Exupéry que, além de aviador, era escritor e tornou-se mundialmente famoso por sua obra-prima, “O Pequeno Príncipe”, de 1943.
SeguirRoseli, que participou do evento, em 2011, e incluiu Florianópolis como uma das 26 cidades irmãs, da Europa até a América Latina, do serviço aeropostal francês, destaca a importância do resgate cultural. “Tem muita gente que vive no Campeche e não sabe o porquê de a principal avenida se chamar Pequeno Príncipe. Vamos trabalhar para abrir o espaço cultural do Sul da Ilha”, afirmou a superintendente da Fundação Cultural.
Casarão, que continua ocupado, ainda não tem data para ser restaurado
Um dos principais objetivos do termo de cooperação é a restauração do casarão do Campeche, que servia como sede e abrigo dos pilotos franceses. O local também era o espaço de convivência entre os europeus e os manezinhos da Ilha. Nos últimos anos, o prédio tombado sediou a intendência do bairro e, depois da transferência do órgão, ficou esquecido pelo poder público. A presidente da Amab, Mônica Cristina Corrêa, busca junto à Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) uma parceria para conseguir recursos da Lei Rouanet.

“Temos um projeto de revitalização e restauração do casarão, que por muitos anos abrigou a intendência do Campeche. Como parte do espaço é ocupado por uma família, e o caso é de responsabilidade da Procuradoria-Geral do Município, ainda estamos trabalhando na captação de recursos”, contou a superintendente Roseli Pereira. Após a assinatura do termo de cooperação, acontece a abertura da exposição “Entre Estrelas”, no Multi Open Shopping, que retrata a obra de Antoine de Saint-Exupéry, por meio do seu percurso como piloto.