Após dois meses de desassossego, os moradores do Edifício Nove de Março, localizado na rua de mesmo nome, no Centro de Joinville, podem voltar para casa. Uma comissão formada por diversos órgãos municipais analisou, nesta quarta-feira (16), o laudo emitido pela empresa que fez a reforma na estrutura, e autorizou a volta dos moradores.
No dia 14 de setembro o prédio havia sido interditado após a Defesa Civil constatar a ruptura do pilar central do edifício. Preventivamente, os moradores tiveram que sair de seus apartamentos até que a correção da estrutura fosse feita. “O objeto da interdição foi a ruptura de um pilar que realmente oferecia risco de colapso. Esse risco de desabamento não existe mais, já que foi feito um novo pilar com capacidade de carga de cinco a sete vezes maior que o que existia”, destaca Bladimir Gonçalves Batista, engenheiro responsável pela obra. “Nesse momento o prédio não tem risco nenhum de desabamento”, completa.
Embora não haja mais risco de colapso, o engenheiro orienta que o condomínio verifique outras manutenções necessárias no prédio. “Nós solicitamos que o condomínio elabore um novo laudo em 30 dias, elencando todas as anomalias existentes e que entregue um cronograma para dar continuidade às demais ações necessárias”, conta Batista.
SeguirO trânsito no local estava bloqueado para veículos e pedestres e, com a liberação do prédio, deve retomar a normalidade em 48 horas na região
Alívio na volta ao lar
Aos poucos, os moradores têm voltado aos seus apartamentos depois de dois meses longe do lar. Na última noite, alguns deles aproveitaram para começar a mudança, enquanto outros devem voltar até semana que vem. O síndico do prédio, Jonathan Uttida, vive com a mulher e os dois filhos no edifício e durante os dois meses longe de casa morou de aluguel em uma quitinete. “Todo mundo está bem feliz, foi um incômodo ficar na casa dos outros, a gente não se sente à vontade”, conta. Outra dificuldade vivida pelos moradores, além da busca por outro lugar para morar temporariamente, foram as chacotas a que foram expostos nas redes sociais. Na internet, boatos sobre a construção do edifício em cima do rio Cachoeira e pedidos de demolição também abalaram os moradores. “Eu tentei me afastar das redes sociais”, fala Uttida. Até mesmo as crianças sofreram. Uma delas recebeu um desenho do prédio caindo, conforme contou uma moradora.