Uma iniciativa inédita vai fazer um raio-x da Lagoa da Conceição, em Florianópolis. O cartão postal da cidade vai ser analisado nos mais diversos aspectos, mas com um único objetivo: preservar um dos locais mais bonitos da Capital.
Iniciativa inédita busca preservação da Lagoa da Conceição em Florianópolis – Foto: Jacson Botelho/NDNo laboratório da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), pesquisadores estão começando as primeiras análises. Eles vão avaliar várias amostras da água da Lagoa da Conceição e da lagoa de evapoinfiltração da Casan, aquela que rompeu em janeiro de 2021. Também serão analisadas amostras de peixes e moluscos que vivem naquele ambiente.
“Nós vamos avaliar a presença de contaminantes químicos, a princípio mais voltados para a área de medicamentos, contaminantes mais emergentes nessa água. E também analisar o pescado, algumas espécies de peixe ou a presença de alguns moluscos ali na lagoa para avaliar se esses contaminantes estão migrando para eles”, explicou a pesquisadora da UFSC Silvani Verruck.
A ideia da pesquisa, que deve durar até dois anos, é ter informações reais sobre as condições do local. Dessa forma, dando uma resposta eficiente para a comunidade sobre o ambiente onde vive e possibilitando pensar em estratégias para melhorar e preservar a lagoa.
Segundo Silvani, a pesquisa trará “vários dados para, principalmente, pensar em estratégias de descontaminação, que é a nossa grande questão aqui nesse projeto. Não só monitorar, mas também propor uma estratégia para remover esses contaminantes dali”.
Conseguir realizar a descontaminação também faz parte da pesquisa. Por isso, um protótipo para tentar melhorar a qualidade da água será testado ao longo do processo.
“É um protótipo que não precisa ligar em rede elétrica, não tem painel de controle, não tem nada. É um sistema que usa a energia solar para fazer a destilação da água. Nesse processo de destilação, o contaminante não destila junto com a água. A água sai purificada e o contaminante fica retido na base do equipamento”, afirmou o auditor fiscal do Ministério da Agricultura, Rodrigo Hoff.
O protótipo que será usado já foi utilizado em experiências anteriores e mostrou bons resultados. Segundo Hoff, “o objetivo sempre foi chegar em um protótipo, um sistema que diga: esse modelo é adequado, é bom, é de baixo custo, pode partir para a implementação. É chegar numa tecnologia social, que a pessoa possa colocar na sua própria casa ou em grande escala, numa estação de tratamento”.
A ação inédita reúne Casan, UFSC e Fapesc (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina) com investimentos de mais de R$ 3 milhões.
“A ideia é que pesquisadores possam mostrar o que existe hoje na Lagoa da Conceição e também já dando ideias de pesquisa para poder aplicar e melhorar o ambiente da lagoa. Então, a Casan lançou um edital junto a UFSC, são 38 projetos, com 38 pesquisadores, que vão apresentar tanto o que tem na Lagoa da Conceição hoje, já com ideias também de melhorias para ter essa sustentabilidade da lagoa”, disse a presidente da Casan, Roberta Maas dos Anjos.
A Lagoa da Conceição constitui um dos sistemas lagunares mais importantes do Brasil e vem sofrendo muito nos últimos anos, seja com o aumento populacional ou com situações como o rompimento da lagoa de evapoinfiltração. Pensar de forma coletiva nesse meio ambiente, envolvendo diferentes profissionais, deve trazer bons resultados, imediatos e para o futuro da lagoa.
Conforme o superintendente de Propesq (Projetos da Pró-reitoria de Pesquisa e Inovação) UFSC, William Gerson Matias, “nunca houve uma ação conjunta nesse contexto. Sempre, nós tivemos pesquisas separadas, mas uma ação conjunta onde diversos departamentos, diversos pesquisadores, cursos envolvidos propõem dentro das suas áreas de conhecimento a resolver problemas ligados com esse sistema frágil que é a Lagoa da Conceição é inédito”.
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.