A obra do tão esperado Contorno Viário da Grande Florianópolis, executada pela Arteris Litoral Sul, está como o trânsito na hora do rush na BR-101 na região: quase parando. A estrutura deveria ter sido entregue em 2012, mas segue um fluxo de incertezas. Faltando cerca de 13 meses para o término do atual prazo de entrega, a construção está apenas 55% executada, após dez anos de trabalho.
Como estão as obras do Contorno Viário da Grande Florianópolis a cerca de 1 ano da entrega – Foto: Divulgação/NDO Balanço Geral Florianópolis percorreu toda a obra para atualizar o andamento dos trabalhos. A primeira parada foi o trecho do contorno que passa por Biguaçu. Lá, máquinas e operários trabalham na construção da malha viária. É possível ver que ainda há muito o que avançar.
Biguaçu
Na região do loteamento Santa Catarina, a empreiteira ainda prepara o solo para colocação do asfalto. Um trecho até já recebeu pavimentação, mas ainda é pouco. Além disso, ainda faltam as obras de melhorias dos acessos, marginais e sinalização. A Fecam (Federação Catarinense de Municípios) vê com preocupação as constantes trocas de empresas e atrasos no cronograma dessa obra de logística viária.
Segundo a diretora executiva da Fecam, Sisi Blind, “nas obras públicas em geral e aconteceu também no Contorno Viário é a questão do não cumprimento das empresas do compromisso assumido no momento do leilão ou da aquisição do projeto de obras”.
Em Biguaçu, o projeto prevê a construção de três trevos de interseção. Um no entroncamento com a BR-101, outro com a Estrada Geral de Três Riachos e o último na interseção com a SC-407. Além da execução de um túnel entre Biguaçu e São José, pontes, viadutos e passagens superiores.
Depois de concluído o contorno vai absorver o fluxo pesado de veículos que circulam na região. Entidades como a Fecam destacam que o atraso na entrega dessa obra da Arteris Litoral Sul traz prejuízos para toda a sociedade.
“Um dos grandes impactos é a questão da economia, porque num lugar onde a mobilidade é tão difícil, tão complexa, dificilmente é atrativo para empresas, para a logística que depende de ir e vir, que depende de agilidade”, afirmou Sisi.
Obras do Contorno Viário da Grande Florianópolis – Foto: Arquivo/NDO Contorno Viário, depois de pronto, terá 50 km de extensão de pista dupla. A Arteris, que detém a concessão da BR-101 Norte em Santa Catarina, mantém o prazo prometido para conclusão da obra: dezembro de 2023. Mas o MPF-SC (Ministério Público Federal em Santa Catarina) não concorda.
Nos últimos anos, o prazo foi estendido diversas vezes com anuência da ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestres), que autorizou os atrasos e aditivos. O MPF, que tentou recentemente obter uma indenização de R$ 10 milhões da concessionária para o município de Palhoça por causa dos atrasos, já afirmou que novos adiamentos para a conclusão são injustificados e que a empresa não tem mais argumentos para pedir mais postergações para a entrega da obra.
São José
No trecho que fica na região de Forquilhas, em São José, é possível ver a obra em execução. A extensão de asfalto já instalado é maior, mais de 30 km de extensão. Para a cidade de São José, o projeto prevê um túnel, um trevo de ligação com a SC-281 e passagens inferiores.
O Crea-SC (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina) acompanha a execução das obras desde 2014. “O conselho fiscaliza todos os contratos de engenharia, especificamente das empresas que estão trabalhando aqui no Contorno Viário, para garantir para a sociedade que apenas profissionais e empresas legalmente habilitados e tecnicamente qualificados sejam os responsáveis por esses serviços técnicos aqui executados”, explicou o fiscal do conselho Juliano Nascimento.
A maior obra rodoviária em andamento no país promete desafogar o trânsito na região da BR-101 que dá acesso à Capital ao oferecer uma rota alternativa para o transporte de cargas que corta o litoral do Estado. O investimento total é de R$ 3,7 bilhões, custeado pela arrecadação dos pedágios.
A primeira previsão de entrega total da obra era em 2012. Foram atrasos no cronograma, troca de empresas e até paralisação por parte dos trabalhadores contratados por empreiteiras. O Crea já fiscalizou mais de 400 contratos. Alguns, inclusive, precisaram de readequação nos projetos.
Conforme Nascimento, “é uma obra muito complexa. Então, ela muitas vezes requer uma atuação multidisciplinar de profissionais formados em outras áreas, em outros ramos, e precisam atuar juntos. A obra possui 13 programas ambientais. Então, é muito complexo a execução de uma obra desse porte”.
Palhoça
O último trecho visitado pelo BG Floripa fica em Palhoça. Na cidade, o contorno vai fazer ligação com a BR-101. Porém, o que chama a atenção dos moradores da cidade é que por mais de 60 dias não viram os trabalhos avançando neste trecho.
A Arteris informou que a construtora que assumiu o trecho em outubro está em fase de mobilização de maquinários e trabalhadores. O membro do grupo gestor do Comdes (Conselho Metropolitano para o Desenvolvimento da Grande Florianópolis) Roberto de Oliveira ressaltou que o andamento das obras em Palhoça é fundamental para garantir a entrega em 2023.
A Prefeitura de Palhoça ajuizou uma ação para cobrar judicialmente medidas de reparação da Autopista Litoral Sul. De acordo com a administração municipal, o trecho da obra que corta o território palhocense sofreu diversos danos provocados pelas empresas que estão construindo o contorno e pediu multa de R$ 1 milhão por dia caso a concessionária não cumpra com as reivindicações.
No trecho da obra que fica no bairro Alto Aririú, a população sofre com a poeira e o tráfego pesado de máquinas. O entra e sai de caminhões tem afetado o sistema viário e danificado a pavimentação. Segundo o prefeito de Palhoça, Eduardo Freccia, a obra tem impactado a mobilidade de cinco bairros.
A Arteris Litoral Sul informou que tem mantido contato com a prefeitura e moradores da região sobre os impactos das obras do Contorno Viário. A companhia disse ainda que vai discutir na Justiça os termos da ação impetrada pela Prefeitura, mas se mantém aberta ao diálogo e atuando conforme projeto aprovado pelos órgãos competentes para a conclusão deste importante empreendimento.
Para a cidade de Palhoça o projeto do contorno prevê três túneis, um trevo de ligação com a BR-101, outro trevo passando pela BR-282, pontes e passagens em desnível. A Acip (Associação Empresarial de Palhoça) acompanha de perto o andamento dos trabalhos. Segundo a associação, a sociedade não pode ser surpreendida com mais uma paralisação do contorno.
Os parlamentares da região metropolitana acreditam que o prazo de entrega previsto para 31 de dezembro de 2023 não será mais cumprido. Os vereadores da Grande Florianópolis chegaram a criar uma frente parlamentar pela conclusão das obras do Contorno Viário. A sociedade civil também tem cobrado dos políticos catarinenses por conta do prejuízo com os adiamentos no prazo de entrega.
A Arteris Litoral Sul reiterou o compromisso com o Contorno Viário da Grande Florianópolis e afirmou que está trabalhando para finalizar as obras dentro do prazo acordado com a ANTT. Atualmente, o Contorno Viário de Florianópolis conta com mais de 1.600 trabalhadores e as atividades estão sendo realizadas nos 50 km da futura rodovia.
Já a ANTT afirmou que as obras do contorno seguem evoluindo, porém, eventuais atrasos em algumas frentes podem ocorrer, mas até o momento não afetaram o cronograma final de entrega. A agência também reiterou o compromisso assumido e disse que acompanha de perto a evolução das intervenções que estão sendo feitas pela Autopista Litoral Sul. A ANTT ressaltou ainda que até o momento, não ocorreu necessidade de ampliação de prazos.
Confira a segunda parte da reportagem no vídeo:
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