A Metalúrgica Wetzel será uma das poucas empresas do Brasil que vai se sair muito bem com a recuperação judicial. A previsão é do presidente do sindicato dos Metalúrgicos de Joinville, Rodolfo de Ramos, 36 anos, 12 dos quais na Tupy, ao fazer uma análise sobre as principais empresas fornecedoras da indústria automotiva de Joinville. Quando ajuizou a ação de recuperação judicial em fevereiro do ano passado, a indústria revelou dívidas de R$ 101 milhões e dias antes havia demitido 170 funcionários. “Hoje a situação está diferente: a unidade de alumínio, que tem cerca de 400 trabalhadores, vem contratando e as outras unidades (Ferro e Eletrotécnica) estão estáveis”, observou o Ramos.
Com aproximadamente 1000 funcionários, as unidades da Wetzel estão separadas. A fundição continua na rua Rui Barbosa com cerca de 350 funcionários, enquanto que as de alumínio e eletrotécnica estão desde 2006 no Condomínio Industrial Perini. Logo após o pedido de recuperação judicial, a empresa recebeu cerca de R$ 15 milhões de uma empresa estatal referente a uma ação judicial antiga. O valor foi utilizado, também, para pagar todas as dívidas trabalhistas. “Hoje a Wetzel não tem nenhum credor trabalhista”, garante o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos.
Alumínio
SeguirEsta unidade é a que está em melhor condição. A retomada da produção de veículos comerciais (ônibus e caminhões) favoreceu a empresa. Ela fornece peças de média e alta complexidade (com liga de alumínio) para Mercedes-Benz, Scania, Volvo e outras montadoras. “Em 2018 teremos, certamente, mais emprego e mais produção”, avalia Rodolfo de Ramos.
Eletrotécnica
A aposta da unidade de eletrotécnica Wetzel é o lançamento de um novo produto voltado à iluminação industrial e residencial com tecnologia LED. A parte eletrônica será importada da China, mas as demais peças serão produzidas em Joinville. A principal delas será feita com liga de alumínio. Esta unidade tem cerca de 350 empregos diretos.
Tupy
Trabalhando em três turnos, a Tupy vem aumentando seu faturamento a cada trimestre em relação ao mesmo período de 2016, graças às exportações. Fornecedora de blocos e cabeçotes para veículos comerciais, a empresa deve anunciar uma boa notícia aos seus 8.500 funcionários de Joinville. Na próxima terça-feira (28), haverá uma reunião com o sindicato laborar para definir o percentual da participação dos empregados nos lucros da empresa no exercício. “Acho que deverá ser 1,5% (um salário e meio) para cada um, o maior (percentual) dos últimos anos”, afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos.
GM
O maior crescimento na geração de empregos deverá ocorrer na fábrica de motores da GM de Joinville. A fábrica ai aumentar em cinco vezes nos próximos anos. A decisão de concentrar em Joinville a produção de motores para veículos médios, como o Onix, já foi tomada. Em São José dos Campos (SP) permaneceriam só os motores de grande porte. O Sindicato dos Metalúrgicos calcula que até o final de 2018 a GM terá mais de 400 funcionários em Joinville. Hoje são 270.
Schultz
A unidade automotiva da Metalúrgica Schulz recuperou este ano os 500 postos de trabalho que havia perdido desde 2013 com a crise econômica, afirma o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Joinville. Fornecedora mundial da indústria automotiva com produtos fundidos, usinados e montagem de subsistemas, a unidade automotiva vem aumentando sua produção este ano. Já a divisão de compressores fornece produtos para o mercado interno e exporta para vários países. A Schulz tem filial em Atlanta (EUA) e escritório de representação na China.
Fremax
Outra fornecedora do setor automotivo que está em franco crescimento é Jofund, fabricante do sistema de freio Fremax. Seus produtos integram as peças originais de montadoras como a Renault e Suzuki e Mitsubishi. Em breve, a Jofund vai agregar valor ao seu produto ao fornecer, também, suas pastilhas. “Em razão disso, um novo setor está sendo criando”, acrescenta o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos.