Moradores do Jardim Morumbi, no Morro da Cruz, se mobilizam contra falta de água

Abaixo assinado está sendo elaborado para exigir a troca ou melhorias na rede de distribuição da Casan

Cristiano Rigo Dalcin Florianópolis

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Loteamento Jardim Morumbi sofre com falta de água. Foto: Cristiano Rigo Dalcin/NDLoteamento Jardim Morumbi sofre com falta de água. Foto: Cristiano Rigo Dalcin/ND

Cansados dos frequentes cortes no fornecimento de água, os moradores do Jardim Morumbi, loteamento encravado no Morro da Cruz, em Florianópolis, estão mobilizados para elaborar um abaixo-assinado.  O documento deverá ser entregue na próxima semana para a Casan com objetivo de solicitar melhorias na rede de distribuição de água.

O crescimento do loteamento combinado com a falta de investimentos na rede de distribuição de água é apontado como o principal problema para ocorrência dos cortes no fornecimento de água.  Moradora nova do loteamento, Rochelle Gesland, conta que já registrou cerca de 15 reclamações na Casan. “Sei que é um problema antigo, pois o antigo morador já ficou sem água na época do Natal e Ano Novo”, relata Rochelle, que tem uma cisterna para armazenar água da chuva para amenizar o problema.

A instalação de uma segunda caixa d’ água com dois mil litros também foi a solução encontrada pela moradora Maria Cristina Luz da Conceição para driblar a falta de água momentânea em uma casa ocupada por quatro adultos e duas crianças. “É um absurdo, em pleno século XXI. Já tem 18 protocolos registrados, mas eles dizem não ter informação, nem reclamação. É um descaso total”, desabafa Maria Cristina.  Moradora há 10 anos do loteamento, ela relata que o problema sempre existiu, mas ficou mais frequente a partir do último mês de agosto.

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Ricardo mostra os boletos com anotações de protocolos registrados. Foto: Cristiano Rigo Dalcin/NDRicardo mostra os boletos com anotações de protocolos registrados. Foto: Cristiano Rigo Dalcin/ND

O representante comercial Ricardo Roslindo Ribeiro Homem também já cansou de registrar reclamações, todas com os números de protocolo devidamente anotados nos boletos das contas.  “O problema é que a rede é antiga e aumentou muito a população. Não investiram na ampliação da rede”, afirma.  Ao ligar para falar do problema, Ricardo afirma que os atendentes relatam não haver nenhuma outra reclamação.  “É no mínimo estranho, pois conheço vários vizinhos que já ligaram e reclamaram”, afirma.

De tanto reclamar, o policial federal Cesar Augusto de Freitas Lima decidiu acompanhar o trabalho da equipe da Casan que esteve no loteamento na última semana. Durante a quinta, sexta e sábado, Cesar conta que viu os trabalhadores abrindo buracos para encontrar a rede até encontrar um vazamento que foi sanado de forma improvisada com a ligação de uma mangueira junto a uma residência. “Até o pessoal do campo está vendido e cansado de procurar os problemas aqui. Moro há 12 anos aqui, mas nos últimos três anos a situação piorou”, avalia.

Cesar conta que já ficou oito dias sem água e teve que recorrer a amigos no bairro João Paulo para tomar banho, enquanto usava a água da piscina para o banheiro e cozinha. Nesta segunda-feira pela manhã, o policial recebeu uma ligação de um representante da ARESC (Agência Reguladora dos Serviços Públicos de Santa Catarina), autarquia especial que fiscaliza e orienta a prestação de serviços como a distribuição de água, que tem a Casan como concessionária.  “Ele me perguntou qual o problema e falei que era preciso trocar a rede, porque às vezes falta água em uma casa, mas outras 10 tem, ou ao contrário. A gente nunca sabe, nem eles”, relata.

Policial federal Cesar Freitas acompanhou trabalhos da Casan na última semana. Foto Cristiano Rigo Dalcin/NDPolicial federal Cesar Freitas acompanhou trabalhos da Casan na última semana. Foto Cristiano Rigo Dalcin/ND

Proprietária da terceira casa do loteamento, a aposentada Marisa Ortiga lembra que durante a instalação do loteamento, na década de 1980, os moradores já haviam se mobilizado através de uma associação para reivindicar melhorias porque a água era “cara”, mas não faltava. Com uma caixa d’água suficiente para o abastecimento da casa, Marisa só sente falta da água quando é preciso lavar roupas, pois a água da lavandeira vem direto da rua. “Apesar disso, eu vejo que os vizinhos enfrentam esse problema e tem que haver uma solução. Nosso bairro é muito bom, mas parece que está abandonado”, afirma, relatando a existência de uma árvore que ameaça cair sobre uma casa desde o mais recente temporal com vento que derrubou outras árvores na região.

De acordo com a assessoria de imprensa da Casan, ainda em 2019 será implantada cerca de dois mil metros de rede nova no local, pois a antiga, da construtora (Dalby), não tinha mapa de cadastro, dificultando consertos e localizações de vazamentos ocultos. “A região cresceu muito nos últimos anos e tem consumo per capita alto de água. Estamos conseguindo abastecer satisfatoriamente – veja-se o caso deste Carnaval, o segundo pico do ano – mas as ocorrências no ano passado mostraram que será preciso fazer melhorias na região”, completa a nota.

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