Kelly Borges e Nícolas Horácio, Florianópolis
O Mercado Público de Florianópolis, parada cativa dos turistas da Capital e também nativos da Ilha e região, continua preocupando seus frequentadores e trabalhadores. Na manhã desta terça-feira (11), o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) fez nova vistoria no local, a fim de verificar o cumprimento de recomendações antigas, entre elas a acessibilidade, segurança e a regularização do sistema preventivo contra incêndio. O alvará provisório de funcionamento emitido pelo Corpo de Bombeiros já expirou.
Mercado Público de Florianópolis tem novo prazo para adequações, sob o risco de interdição – Foto: Leo Munhoz/NDConforme a Prefeitura de Florianópolis, que administra o Mercado Público por meio da Secretaria Municipal de Turismo, o novo prazo para conclusão da obra de melhoria no sistema de combate a incêndio é 4 de novembro.
“Deliberamos que este é o prazo capital. Se não encontrarmos as questões resolvidas, não só referentes à prevenção contra incêndio, mas de todo o Mercado, pediremos administrativa, ou judicialmente, a interdição de todo complexo”, pondera o promotor de Justiça Daniel Paladino.
Água acumulada
Nos últimos dias, após chuva intensa na Capital, o Mercado sofreu com goteiras que atingiram a fiação. Na central técnica, há muita água acumulada. Nas mesas do vão central, idem. São outros problemas que devem ser corrigidos. Isso sem falar na infiltração e no alagamento causados pelo teto retrátil. Em algumas lojas, baldes e potes para armazenar comida estão sendo utilizados para aparar água. Eles estão espalhados no chão e em cima de prateleiras.
“Sobre o teto retrátil, fizemos uma grande intervenção. Obviamente, quando cai uma chuva muito grande, a possibilidade de surgir uma ou outra goteira, um ou outro vazamento, pode ocorrer. Acionei minha equipe para detectarmos esses pontos e trabalharmos na manutenção”, explicou o secretário municipal de Turismo, Juliano Richter Pires.
Alterações precisam respeitar limitações do prédio histórico
Desde dezembro de 2020, o MPSC cobra melhorias em relação a esses problemas. A prefeitura alega que, desde que assumiu o Mercado, faz manutenções preventivas diárias, mas os problemas continuam. Ontem de manhã, o promotor de Justiça Daniel Paladino se reuniu com representantes dos bombeiros, da prefeitura, administração e associação de comerciantes para verificar o cumprimento das recomendações. A prioridade é a regularização do sistema preventivo de combate a incêndio.
“Foi dividido em duas grandes fases. A primeira de ataque direto a uma possível causa de incêndio, e isso foi resolvido dentro de um prazo razoável. Agora, num segundo momento, estamos pressurizando a rede hidráulica do Mercado”, declarou Juliano Pires.
As coifas instaladas nos comércios deveriam ser limpas semanalmente. Pelo telhado, é possível perceber algumas danificadas. A preocupação é com a integridade de trabalhadores e visitantes, caso um incêndio aconteça. Segundo os bombeiros, todos os laudos apresentados pelo engenheiro responsável pela obra estão dentro dos critérios exigidos.
“O projeto preventivo foi dado entrada para alteração da rede hidráulica, que era subterrânea e passará a ser aérea. E é um prédio histórico, então, às vezes, a execução não é tão simples quanto parece. Por isso, eles solicitaram mais prazo para executar esse sistema que hoje está despressurizado, porque está em manutenção”, disse o cabo Flávio Antunes, dos bombeiros. No dia que termina o novo prazo que a prefeitura pediu para concretizar os ajustes no equipamento público, o MPSC fará nova vistoria no local. Caso as irregularidades permaneçam, o MPSC vai encaminhar o pedido de interdição do Mercado Público à Justiça.