A ventania que passou dos 60 km/h na última semana em Florianópolis trouxe prejuízo para muitas pessoas. Famílias tiveram as casas atingidas por árvores, danificando telhados, e veículos também foram atingidos pela queda de árvores em vários bairros da Capital. A situação expõe a saúde dessas plantas, principalmente, em espaços públicos da cidade.
Plano Diretor deve mapear situação das árvores em Florianópolis para preservá-las – Foto: Luis Debiasi/NDO vice-presidente da Associação FloripAmanhã, Salomão Mattos Sobrinho, disse que essa questão da arborização é tema frequente no grupo de revitalização de espaços públicos e meio ambiente.
“Nós temos inúmeras árvores grandes dentro da cidade que precisam de uma avaliação constante para evitar que quedas danifiquem o patrimônio das pessoas, o patrimônio público ou até [machuque] pessoas”, contou Mattos.
Elas dão vida às praças e embelezam ruas e avenidas. Mas, cuidar da saúde das árvores faz toda a diferença na preservação das espécies. O objetivo da associação FloripaAmanhã é criar uma política de Plano Diretor de arborização urbana na cidade.
“Dentro desse Plano Diretor vai estar toda a política de arborização, vai tá um diagnóstico da situação existente hoje, quantas árvores urbanas nós temos hoje, a situação delas e o que a gente pode fazer para cuidar melhor delas e o que precisa ser plantado daqui para frente”, afirmou o vice-presidente da FloripAmanhã.
A Arboran, que é uma startup voluntária ligada a FloripaAmanhã, fez um levantamento de quantas árvores a Capital tem em áreas públicas. Os dados apontam que são sete mil árvores. Para isso, foi utilizada a tecnologia.
O levantamento está na palma da mão, de forma digital, mas todo o trabalho é feito em campo. Na praça Olívio Amorim, no Centro de Florianópolis, o engenheiro florestal Charles Costa Coelho explicou que uma árvore está morrendo. A planta é vítima de um fungo que aparece quando a madeira está em processo de apodrecimento.
“A ideia, realmente, é como se a gente fosse no médico. Então, a gente chega na árvore, tira a coordenada geográfica e avalia. É uma avaliação 360 (tronco, copa) e no final já sai qual é o grau de atenção, podendo ser alto, médio ou baixo. Com isso, a gente consegue fazer um plano de ação para conseguir garantir a segurança e a vitalidade da árvore”, afirmou Coelho.
A análise feita em Florianópolis mostra o grau de atenção que é preciso com todas as árvores que foram mapeadas. É uma espécie de consulta para fazer o diagnóstico detalhado de toda a arborização existente na cidade.
Segundo o engenheiro ambiental, “a ideia foi deixar o mais didático possível essa plataforma digital. Então, a gente pegou as cores do semáforo. Vermelho é atenção prioritária, para tudo e vamos fazer um tratamento ou às vezes até uma supressão. Amarelo, que é o grau de atenção médio, e verde tá legal, a árvore tá saudável”.
O objetivo da startup Arboran é liberar o levantamento feito por eles para a Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente). A responsabilidade pela arborização pública da cidade é da Diretoria de Gestão Ambiental da fundação.
Conforme a superintendente da Floram, Beatriz Kowalski, “a ideia do Plano Diretor de arborização seria entender quais são os nossos espécimes atuais, nós termos um inventário das principais áreas públicas para que a gente consiga planejar o futuro. (…) Com o ciclone, que trouxe ventos fortes e muita chuva, a gente viu a quantidade de árvores que caíram na cidade”.
Segundo a prefeitura, hoje o trabalho de podas é realizado sob demandas, enviadas pelas intendências distritais. Outra forma de atendimento é por meio de abertura de processo no Pró-Cidadão, onde os próprios moradores fazem pedido de autorização para corte ou para poda de árvores nas áreas públicas. Um técnico vai até o local e faz a avaliação técnica para emitir o laudo e a autorização.
Nenhuma árvore em área pública deve ser podada ou cortada sem a autorização da Floram.
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.