Um projeto de monitoramento de caravelas e medusas está sendo desenvolvido pelo Laboratório de Biodiversidade Marinha da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Iniciado em dezembro de 2019, tem como objetivo identificar as espécies predominantes dos animais popularmente conhecidos como águas-vivas, além de obter dados sobre a sazonalidade, abundância e surtos de crescimento rápido.
Medusa Chrysaora lactea, na Ilha do Campeche – Foto: Ruan Luz/UFSC/Divulgação/NDAs ações serão realizadas ao menos duas vezes por mês durante dois anos. Também serão realizados monitoramentos nas praias de Imbituba, São Francisco do Sul e Rincão, em Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, a praia do Cassino também terá um período de monitoramento.
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O professor coordenador do projeto, Alberto Lindner, do Departamento de Ecologia e Zoologia do Centro de Ciências Biológicas, explica a importância da pesquisa. “Apesar da má fama das medusas, a maioria das espécies é muito pequena e não causa acidentes”, conta o professor, que afirma já ter estuado o ciclo de vida de uma medusa com apenas 3 milímetros de diâmetro. “Medusas maiores, entretanto, podem causar acidentes em humanos, mas isso depende da espécie, o que torna importante a correta identificação desses organismos”, salientou Lindner.
SeguirAlém da caravela-portuguesa (Physalia physalis), seis espécies de medusas de maior tamanho (5 a 30 cm) são encontradas com certa frequência em Santa Catarina. Destaca-se um aumento expressivo na quantidade de medusas da espécie Chrysaora lactea em Florianópolis.
Caravela-portuguesa, Physalia physalis, rolada na praia – Foto: Alberto Lindner/UFSC/Divulgação/NDO contato com essa espécie causa envenenamento, mas geralmente de menor gravidade em comparação a caravelas ou cubomedusas, espécies achadas em menor frequência. Os pesquisadores divulgarão um balanço com os principais resultados do levantamento.
“Queimaduras”
As populares queimaduras na verdade são envenenamentos que acontecem acidentalmente quando há o contato com os tentáculos de uma medusa. Elas podem ter longos tentáculos com milhares de cnidócitos, células urticantes responsáveis pela captura das presas.
No entanto, elas não flutuam como as caravelas, mas nadam ativamente.
Papel ecológico
“É importante lembrar que as medusas têm um importante papel ecológico, tanto como predadores como presas para peixes, aves e tartarugas. Por exemplo, a tartaruga-de-couro, maior espécie de tartaruga marinha e que pode chegar a mais de 600Kg, alimenta-se exclusivamente de medusas e outros invertebrados. E podem ingerir, diariamente, o dobro do seu peso em medusas”, destaca o professor.